Enquanto o carro percorria a estrada que ladeia a costa do Mediterrâneo em direcção ao norte do Líbano, o padre Karam explicou-se que se tratava da festa anual de São Maroun, o patriarca fundador da Igreja Católica do Líbano que, por isso mesmo se chama Maronita.
Chegámos apenas a tempo de cumprimentar o bispo e alguns membros do clero da diocese. Sobre a minha alba branca coloquei a estola própria do rito maronita. A solene eucaristia terminou com uma cerimónia em que todos, em procissão, vieram beijar com grande reverência o sagrado ícone de São Maroun.
Três dias depois, aceitámos o convite do reitor do Seminário Maior de Beirute e fomos encontrar a comunidade dos seminaristas com os seus formadores. Que alegria, poder encontrar aqueles mais de cem seminaristas de Filosofia e Teologia. No Líbano, não há falta de vocações para o sacerdócio nem para a vida religiosa, e os responsáveis seleccionam com muita atenção os candidatos.
Sentados no seu escritório, o reitor explicou-nos que a quase totalidade dos candidatos ali presentes concluíram os estudos universitários antes de pedir para entrar no seminário. Aqueles, poucos, que já são casados deixam a sua família de segunda a sexta e vivem no seminário para seguirem a formação sacerdotal.
Entre os seminaristas solteiros, cerca de metade escolhem o celibato e, depois de terminar os anos de Teologia, deixam o seminário e inserem-se na vida pastoral da própria diocese para se prepararem para a ordenação diaconal e sacerdotal. Aqueles que se sentem chamados ao matrimónio regressam à própria diocese e constituem família.
A ordenação de diácono e de sacerdote normalmente é possível cerca de cinco anos depois do matrimónio: é preciso que a família esteja estável de todos os pontos vista, que os primeiros filhos já estejam a crescer e que pelo menos o pai tenha emprego seguro para sustentar a família.
É claro, dizia-nos o reitor, que a opção dos sacerdotes com família tem outras exigências, não é fácil cuidar de uma família e da paróquia ao mesmo tempo, mas é uma questão de vocação. Quando o Senhor chama, Ele também dá as forças necessárias para responder.
FERNANDO DOMINGUES,
Missionário Comboniano,
na revista Além-Mar, de abril 2015
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