Primeiro aniversário da morte do padre José Comblin

Eduardo Hoornaert.

Na manhã de domingo, 27 de março de 2011, o padre José Comblin faleceu no Recanto da Transfiguração, periferia da cidade de Salvador.

No dia do primeiro aniversário de sua morte será lançado em João Pessoa o livro ‘Novos Desafios para o Cristianismo: a contribuição de José Comblin’ pela editora Paulus (São Paulo). Esse livro reúne diversos trabalhos de teólogos e biblistas sobre diversos aspectos da teologia do ‘mestre’ Comblin. Os autores são: Carlos Mesters, Pablo Richard (Costa Rica), Ivone Gebara, Marcelo Barros, Sebastião Armando, François Houtart (Bélgica), Luiz Carlos Susin e Jung Mo Sung.

O autor desta comunicação assumiu a coordenação dos trabalhos.

O que José Comblin tem a nos dizer? Como resumir em poucas palavras sua contribuição? Penso em duas palavras, a serem entendidas de forma interrelacionada: criticidade e comprometimento. Essa conjunção firmou-se nele a partir do momento em que fora convidado por Dom Helder Câmara para trabalhar em Recife (1965). Com José Comblin, a criticidade e o comprometimento com o universo dos pobres começaram a fazer parte do ‘método teológico’.

Esse método inclui ao mesmo tempo (1) exigente criticidade e honestidade intelectual e (2) comprometimento real com a melhoria de vida e bem-estar dos pobres. Trata-se de um método teológico inusitado, pois não é comum encontrar um teólogo que resolve viver e trabalhar em condições de grande despojamento por opção ‘metodológica’.

A história cristã oferece decerto exemplos de cristãos que viveram na pobreza por motivos ascéticos (como os antigos padres do deserto), evangélicos (como São Francisco de Assis) ou sociais (como Vicente de Paulo). Mas não é comum encontrar um teólogo que resolve viver na pobreza por motivos ‘metodológicos’.

Normalmente, encontramos os teólogos, mesmo os comprometidos com a teologia da libertação, nos institutos de teologia ou nas universidades. Com Comblin foi diferente. Nos últimos anos de sua vida, era preciso viajar ao interior do Nordeste, em meio a populações rurais, para encontrá-lo. Ele estava convencido de que, para a mensagem cristã atingir em profundidade a cultura dos pobres, que hoje constituem mais da metade da população mundial, há de se refletir a fé criticamente, a partir da vida concreta desses mesmos pobres.

 

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