“Não às divisões em partidos pelo Sínodo”, pede o cardeal Ouellet  

 

“Os ecos midiáticos destas últimas semanas de preparação para o Sínodo poderiam fazer acreditar que os bispos e cardeais também estão divididos em partidos e que o Papa se identifica com um deles, mas esta lógica de debate, própria do campo político, é estranha ao modo de pensar de Cristo e da Igreja e, consequentemente, deve ser evitada, caso se deseje responder adequadamente aos objetivos da assembleia sinodal”, disse o purpurado, na tarde desta quinta-feira.

Suas palavras refletem o ambiente que se vive em Roma, poucos dias antes do início dos trabalhos sinodais, que se inicia no próximo domingo, dia 5 de outubro. A discussão pública (por meio de livros e entrevistas) entre cardeais em razão do tema da permissão ou não da eucaristia para alguns divorciados em segunda união monopolizou o espaço público a respeito de um sínodo que abordará também muitos outros temas. Além disso, deixou a imagem de uma fragmentação contraposta entre os pastores.

Por isso, Ouellet iniciou sua mensagem com uma citação da primeira carta do apóstolo São Paulo aos Coríntios: “Eu lhes peço, irmãos: em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, sejam todos unânimes no falar, para que não existam divisões entre vocês”.

Animou a todos os presentes a “continuarem serenamente” as trocas de opiniões iniciadas em suas respectivas dioceses e conferências episcopais sobre o tema da família. Constatou que a consulta inicial, lançada graças a um questionário mundial e aprovada pelo Papa, “suscitou um enorme interesse e uma excepcional taxa de participação”.

E também pediu para que se aprecie a “inovação em curso” sobre um processo sinodal que terá duas fases e que deveria favorecer um aprofundamento nos problemas, com uma maior recepção da mensagem completa da Igreja nessa matéria.

Por isso, sustentou que o desafio principal da primeira fase do Sínodo não será o tema em si mesmo, mas, sim, a metodologia: ou seja, o modo como enfrentá-lo e discuti-lo.

“Tendo em conta as expectativas suscitadas e as correntes de opinião colocadas em circulação, tal assembleia não pode ter êxito a não ser em um clima de mútua e autêntica escuta. Apenas uma atmosfera de oração e de diálogo construtivo permitirá ver juntos, com olhos de pastores misericordiosos, as alegrias e as penas das famílias, como também os remédios aos endêmicos males que afligem os casais e as famílias de hoje”, advertiu.

E pressagiou que “a comunhão profunda entre os bispos e a liberdade de palavra não sejam obstaculizadas por indevidas pressões de qualquer tendência”.

Para Ouellet, uma “pastoral renovada e missionária” não pode ser o fruto de “simples máximas ou slogans, ainda que justos ou oportunos”. Ela deve estar fundamentada sobre uma visão teológica que gere entusiasmo “porque mostra a beleza do amor humano, sacramento do amor divino”.

“Esta visão cristã sacramental não é um simples ideal para uma elite, é um dom de graça essencial na busca humana de felicidade. Possa sua corajosa proposta aos casais de nosso tempo, de tantos modos fragilizados, reanimar a esperança de uma felicidade terrena durável que seja promessa de vida eterna”, apontou.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/535828-nao-as-divisoes-em-partidos-pelo-sinodo-pede-o-cardeal-ouellet

 

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