AGATHOTOPIA: O BOM LUGAR NO QUAL VIVER BEM!

Reflexão muito oportuna para um fim de ano e início de outro ano.

O ano de 2011 está terminando e no fim de cada ano se costuma fazer a análise ou pelo menos a memória do que aconteceu. Costuma-se também desejar ou esperar, sem razão plausível, que o novo ano seja melhor. Por que deveria ser melhor ninguém diz! De qualquer maneira o calendário nos apresenta uma mudança inquestionável: o ano próximo será o ano de 2012! O próximo mês será Janeiro, o primeiro mês do ano. A conta dos dias recomeça de um, o primeiro dia do primeiro mês do ano! Tudo recomeça e os anos que passaram ficam nas lembranças, boas ou ruins que sejam.

Porém, o tempo não é a roda do eterno retorno! As nossas vidas transitam por várias etapas, e ano após ano passamos da infância à velhice. De filhos a pais. De pais a avós! Parece, até, que o eterno correr do tempo re-proponha sempre as mesmas cenas e os mesmos acertos e desvarios que marcam, obsessivamente, a história da humanidade.

Apesar do retorno infindável dos mesmos eventos, o mundo ao nosso redor muda! As condições de vida mudam. As esperanças e as expectativas de cada um encontram a realização ou ficam frustradas. Surgem conflitos pessoais ou sociais, se acendem revoltas, desencadeiam-se os conflitos, muitas vezes violentos, entre as forças da conservação e as da mudança. As revoluções também fazem parte da nossa história humana. E muitas vezes tudo volta ao que era, depois da passagem do vendaval revolucionário.

Entretanto, volta sempre uma questão inevitável: podemos pensar e realizar um mundo melhor em relação a este que nos deixaram e em parte nós mesmo construímos? James E. Meade, premio Nobel de economia em 1977, se propôs a refletir sobre este assunto no seu célebre Agathotopia: economia de comparticipação, ou de partnership. O livro de Meade não é classificado como obra de utopia, mas como obra de engenharia social, pois o Autor empenha-se a teorizar uma maneira nova de combinar a relação entre o trabalho e o capital e, em segundo lugar, a vislumbrar a participação de todos os cidadãos aos benefícios derivantes da riqueza produzida.

O economista Ernesto Rossi, anos antes de Meade, tinha pensado algo parecido quando escreveu: “É necessário unir todas as nossas energias para erradicar a miséria pelas mesmas razões que foi necessário erradicar a varíola e a peste: a fim de impedir que todo o corpo social ficasse e fique a risco de contaminação”.

Podemos achar, por mil razões, que o projeto de uma Agathotopia, ou seja, de um bom lugar no qual viver bem ou de uma terra sem males seja uma proposta fora do mundo, pois fomos formados para viver em sociedades injustas e desiguais; em sociedades onde a acumulação do capital produziu uma desproporção desumana e inaceitável entre o luxo de poucos e a miséria de muitos. Mas bastaria reorientar o nosso pensamento para concluir que é possível encontrar outros paradigmas para as nossas sociedades.

Permito-me de sugerir a leitura da fábula moderna de Spencer Johnson, Quem mexeu no meu queijo? para acessar argumentos válidos e eficazes a provocar uma mudança radical nos nossos pensamentos.

A fábula de Spencer Johnson é uma metáfora do nosso mundo moderno. O ambiente de ação da fábula é um labirinto, enquanto quatro são as personagens do enredo: dois ratinhos e “dois duendes – seres tão pequenos quantos os ratos, mas que se pareciam muito com as pessoas de hoje, e agiam como elas”. O objeto-bem de consumo ao redor do qual os quatro se movem é um enorme pedaço de queijo! Os quatro, no começo da fábula, são apresentados se fartando alegremente de um enorme torrão de queijo; mas um belo dia, como tudo, também o queijo veio a faltar! Não encontrando mais o queijo, os ratos começaram logo a correr pelo labirinto em busca de outro estoque de queijo. Enquanto isso, os dois duendes ficavam parados na espera ou na ilusão de que alguém providenciasse um novo abastecimento de queijo! Mas este alguém esperado não chegava e a fome começava a bater forte! A certa altura um dos duendes sai à procura do queijo. Começa a percorrer o labirinto com medo de perder-se, aqui e ali encontra algum pedaço de queijo, porém insuficiente para matar a fome; até chegar, enfim, a encontrar um enorme pedaço de queijo! Faminto atira-se no queijo e refeito da fome começa a pensar.

“Haw (nome do duende) enquanto saboreava o Novo Queijo refletia sobre o que aprendera. Ele percebeu que quando temera a mudança estivera mantendo a ilusão do Velho Queijo que não estava mais no lugar. Então o que o fez mudar? O medo de morrer de fome? Haw pensou: “Bem, isso ajudou.” Então ele riu e percebeu que começara a mudar logo que aprendera a rir de si mesmo e do que fizera de errado. Deu-se conta de que o caminho mais rápido para mudar é rir de sua própria insensatez: então você pode se libertar e seguir rapidamente em frente”.

Eis a conclusão: “Haw teve de admitir que o maior obstáculo à mudança está dentro de você mesmo, e que nada melhora até você mudar”.
Com certeza uma grande lição para cada um de nós na véspera do começo de mais um ano novo!

FELIZ ANO DE 2012!
DESEJANDO QUE TODOS CAMINHEMOS JUNTOS RUMO À AGATHOTOPIA, O BOM LUGAR NO QUAL VIVER BEM!

Giuseppe Staccone
gstacco@gmail.com

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