
Nas Celebrações de corpo presente, em Goiânia e na Cidade de Goiás, profundamente encarnadas na realidade do povo – sobretudo dos trabalhadores do campo e dos indígenas – fizemos a memória da vida de Dom Tomás, que foi toda ela uma romaria pascal (fazendo acontecer a Páscoa na história do ser humano e do mundo), até à plenitude da Páscoa (Páscoa definitiva), que é a plenitude do Reino de Deus, a plenitude da glória e da felicidade.
Foram Celebrações de ação de graças pela vida do nosso irmão. O grito que mais se ouviu foi: Tomás vive entre nós! Ele “frequentou” a escola dos indígenas, dos posseiros, dos ribeirinhos, dos quilombolas, dos agricultores, dos sem terra e soube aprender com eles a gramática do Evangelho e da simplicidade.
Como um verdadeiro discípulo, se fez missionário de Jesus Cristo e o testemunhou junto ao mundo dos pobres, como o Divino Mestre da justiça e da paz. (CNBB. Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz. Mensagem para Dom Tomás Balduino, em sua Páscoa, 03/05/14).
No final de 2012, por ocasião dos 90 anos de idade, destacava – num breve escrito – quatro qualidades de Tomás:
- sua profunda sensibilidade humana;
- sua extraordinária perspicácia na escuta dos sinais dos tempos;
- sua prática radicalmente profética
- e sua fé inabalável na utopia do Reino de Deus, que é a Boa-Notícia de Jesus de Nazaré.
Essas qualidades marcaram a história de vida do nosso irmão. Elas continuam nos edificando e nos animando a continuar a luta por “uma outra Igreja possível” e por “um outro mundo possível”.
Mesmo não tendo participado do Concílio Ecumênico Vaticano II, Tomás foi pioneiro na aplicação e na vivência de seus ensinamentos, que desencadearam, no mundo inteiro, um movimento de volta às fontes e de profunda renovação da Igreja.
A Igreja, pela qual Tomás doou a sua vida, é a Igreja do Concílio e de Medellín (que encarna o Concílio na América Latina e Caribe): uma Igreja igualitária, de irmãos e irmãs, comunitária (Igreja-comunidade, Igreja-comunhão); Povo de Deus e toda ministerial.
A Igreja do Concílio e de Medellín é também uma Igreja que busca sempre o consenso, reconhecendo e valorizando o “senso da fé” do povo cristão;
- é uma Igreja que, a todo momento, perscruta os sinais dos tempos, interpretando-os à luz do Evangelho; é uma Igreja pobre, que faz a Opção pelos Pobres (a “Igreja dos Pobres”);
- é uma Igreja que reconhece e valoriza o diferente (uma Igreja ecumênica e macroecumênica);
- enfim, é uma Igreja que se alia aos Movimentos e Organizações Sociais Populares e a todos aqueles e aquelas que lutam por um Mundo Novo de justiça e paz, onde todos os Direitos Humanos são respeitados e valorizados.
À luz da fé, é a utopia do Reino de Deus, acontecendo na história humana e cósmica (cf. o artigo “Dom Tomás, um pastor-profeta do nosso tempo”, em:http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&langref=PT&cod=73044).
Irmão Tomás, roga por nós!
Fr. Marcos Sassatelli
Fonte: http://site.adital.com.br/site/noticia.php?lang=PT&cod=80503

