Se há um assunto sobre o qual quase nenhum padre e bispo se atreve a pregar, é o artigo do Credo que diz: ” … desceu à mansão dos mortos”. Será que essa verdade do nosso CREDO passou de moda, ou é misteriosa demais? Mesmo nos cursos de Teologia lhe é dada pouca importância…
Abaixo, dois pequenos artigos sobre o assunto – João TavaresSepulto Domino…
Sepultado o Senhor, selaram o sepulcro, rolando uma grande pedra tapar totalmente a sua entrada. E os sacerdotes, tendo pedido a Pilatos a guarda, colocaram soldados que não O deixassem escapar do túmulo.
Descendit ad inferos… (desceu aos infernos)
Em meio do silêncio e da solidão que impendem sobre a terra, acorda a região dos mortos. Entrou o Senhor onde eles estavam, empunhando a arma gloriosa da cruz. Adão e Cristo trocaram a saudação da presença.
E o senhor clamou: Desperta, tu que dormes, por que Eu não te criei para o cativeiro do reino dos mortos. Levanta-te, minha obra, minha imagem e semelhança. Por ti, teu Deus, me fiz teu filho (filho do homem). Adormeci na cruz e a lança penetrou no meu lado, que sarou a dor do teu lado.
Levanta-te, vamos daqui. O inimigo expulsou-te do paraíso terreal. Eu, porém, já não te coloco no paraíso terreal, mas no trono celeste. Foste afastado da árvore da vida, mas Eu, que sou a Vida, e que ordenei aos querubins que te vigiassem como servo, ordeno-lhes agora que te adorem como Deus, embora não sejas Deus.
Sim, por vontade divina, o homem é criatura sagrada, revestida da dignidade da pessoa humana, guardado ciosamente por Deus e seus anjos para o banquete do Reino que está preparado para nós desde o princípio do mundo, mas que tem de ser preparado e já vivido no hoje do século.
Por isso, os fiéis que se deixaram sepultar com Cristo pelo Batismo, ressuscitarão com Ele para a vida eterna. Com Ele serão as primícias da Ressurreição – os frutos da sementeira a que procederam João, o discípulo amado; Maria, mãe de Jesus; as mulheres, discípulas persistentes em volta da mãe de Jesus; e José de Arimateia, o discípulo oculto.
Nem os soldados, misteriosamente adormecidos e desertantes, nem a enorme pedra, impediram o rebentar da semente da Páscoa. Nem três dias durou aquela espera de novo “advento”!
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Laudate Dominum…
Louvai o Senhor no seu santuário, louvai-O no seu majestoso firmamento… Tudo quanto respira louve o Senhor.
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Eu estive morto, mas agora vivo para sempre e tenho as chaves da morte e do abismo.
2014.04.18 – Abílio Louro de Carvalho
Fonte: http://ideiaspoligraficas.blogspot.pt/2014/04/de-cor-sabado-santo.html
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JESUS DESCEU AOS INFERNOS
INTRODUÇÃO
O Catecismo da Igreja Católica não narra somente os eventos da paixão e morte de Jesus, mas deseja sobretudo nos ajudar a entrar no sagrado mistério que é confessado pelo Símbolo de fé, ou seja, no mistério da redenção que Cristo realizou com o seu sacrifício.
Nos parágrafos do tema anterior (624-630), o Catecismo se dedicou ao aprofundamento da afirmação de fé “Jesus Cristo foi sepultado”. O que parece um simples pormenor é, porém, um dado cujo significado e eficácia diz respeito à nossa salvação. Jesus Cristo é o Verbo que se fez carne para assumir a condição humana e se fazer semelhante a nós em tudo, exceto no pecado (cf. Hb 4,15). Ele se fez realmente “um de nós” (cf. GS 22).
Ele realiza a nossa salvação graças a uma admirável solidariedade conosco, uma solidariedade profunda que o leva a experimentar o desenlace da vida humana que é a morte e a sepultura.
A sepultura de Cristo não é mero acréscimo; ela é objeto de fé, uma vez que ela nos coloca diante do mistério do Filho de Deus que se fez homem até a derradeira sorte do ser humano: até esse ponto chegou a solidariedade de Cristo com a humanidade!
Mas no Símbolo de fé há mais ainda. Confessamos que Cristo foi sepultado e “desceu aos infernos”!
O que significa essa confissão? Que Jesus foi condenado ao inferno? O que esse fato significa para a nossa salvação?
Eis como o Catecismo da Igreja Católica explica Sua descida aos infernos:
“JESUS CRISTO DESCEU AOS INFERNOS, RESSUSCITOU DOS MORTOS NO TERCEIRO DIA
631. “Jesus desceu às profundezas da terra. Aquele que desceu é também aquele que subiu” (Ef 4,9-10). O Símbolo dos Apóstolos confessa em um mesmo artigo de fé a descida de Cristo aos Infernos e sua Ressurreição dos mortos no terceiro dia, porque em sua Páscoa é do fundo da morte que ele fez jorrar a vida:
Cristo, teu Filho, / que, retomado dos Infernos, / brilhou sereno para o gênero humano, / e vive e reina pelos séculos dos séculos. Amem.
PARÁGRAFO I – CRISTO DESCEU AOS INFERNOS
632. As freqüentes afirmações do Novo Testamento segundo as quais Jesus “ressuscitou dentre os mortos” (1Cor 15,20) pressupõem, anteriormente à ressurreição, que este tenha ficado na Morada dos Mortos. Este é o sentido primeiro que a pregação apostólica deu à descida de Jesus aos Infernos: Jesus conheceu a morte como todos os seres humanos e com sua alma esteve com eles na Morada dos Mortos. Mas para lá foi como Salvador, proclamando a boa notícia aos espíritos que ali estavam aprisionados.
633. A Escritura denomina a Morada dos Mortos, para a qual Cristo morto desceu, de os Infernos, o sheol ou o Hades, Visto que os que lá se encontram estão privados da visão de Deus. Este é, com efeito, o estado de todos os mortos, maus ou justos, à espera do Redentor que não significa que a sorte deles seja idêntica, como mostra Jesus na parábola do pobre Lázaro recebido no “seio de Abraão”. “São precisamente essas almas santas, que esperavam seu Libertador no seio de Abraão, que Jesus libertou ao descer aos Infernos”. Jesus não desceu aos Infernos para ali libertar os condenados nem para destruir o Inferno da condenação, mas para libertar os justos que o haviam precedido.
634. “A Boa Nova foi igualmente anunciada aos mortos…” (1Pd 4,6). A descida aos Infernos é o cumprimento, até sua plenitude, do anúncio evangélico da salvação. É a fase última da missão messiânica de Jesus, fase condensada no tempo, mas imensamente vasta em sua significação real de extensão da obra redentora a todos os homens de todos os tempos e de todos os lugares, pois todos os que são salvos se tomaram participantes da Redenção.
635. Cristo desceu, portanto, no seio da terra, a fim de que “os mortos ouçam a voz do Filho de Deus e os que a ouvirem vivam” (Jo 5,25). Jesus, “o Príncipe da vida”, “destruiu pela morte o dominador da morte, isto é, O Diabo, e libertou os que passaram toda a vida em estado de servidão, pelo temor da morte” (Hb 2,5). A partir de agora, Cristo ressuscitado “detém a chave da morte e do Hades” (Ap 1,18), e “ao nome de Jesus todo joelho se dobra no Céu, na Terra e nos Infernos” (Fl 2,10).
Um grande silêncio reina hoje na terra, um grande silêncio e uma grande solidão. Um grande silêncio porque o Rei dorme. A terra tremeu e acalmou-se porque Deus adormeceu na carne e foi acordar os que dormiam desde séculos… Ele vai procurar Adão, nosso primeiro Pai, a ovelha perdida. Quer ir visitar todos os que se assentaram nas trevas e à sombra da morte. Vai libertar de suas dores aqueles dos quais é filho e para os quais é Deus: Adão acorrentado e Eva com ele cativa. “Eu sou teu Deus, e por causa de ti me tornei teu filho. Levanta-te, tu que dormes, pois não te criei para que fiques prisioneiro do Inferno: Levanta-te dentre os mortos, eu sou a Vida dos mortos.”
RESUMINDO
636. Na expressão “Jesus desceu à mansão dos mortos”, o símbolo confessa que Jesus morreu realmente e que, por sua morte por nós, venceu a morte e o Diabo, “o dominador da morte. (Hb 2,14)
637. O Cristo morto, em sua alma unida à sua pessoa divina, desceu à Morada dos Mortos. Abriu as portas do Céu aos justos que o haviam precedido.
Fonte: http://www.arquicascavel.org.br/formacao/jesus_desceu_aos_infernos_290310.php

