Até pouco tempo atrás, criticar o celibato – isto é, a proibição de se casar aos padres – era algo negativo para fazer carreira dentro da Igreja católica. Por isso, surpreende ainda mais uma nova decisão de Francisco, que promoveu um crítico do celibato. O “simples” bispo dominicano de Nottingham, na Inglaterra, Malcolm McMahon, de 64 anos, tornou-se o novo arcebispo de Liverpool.A reportagem é do jornal Die Presse, 21-03-2014. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Em uma entrevista a um jornal em 2008, McMahon dissera que não via nenhum motivo para proibir que os padres católicos se casassem. Especialmente na Grã-Bretanha, onde inúmeros convertidos da Igreja Anglicana, casados, atuam como padres católicos, o celibato parece ser algo injusto.
Além disso, em sua opinião, um regulamento diferente poderia combater a aguda falta de padres. Em relação às mulheres na Igreja, McMahon dissera que deseja um papel mais importante para elas, “mas não o ministério ordenado”.
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/529573-gra-bretanha-papa-promove-um-critico-do-celibato
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CONFIRA ABAIXO ARTIGO SOBRE A ENTREVISTA DE MONS. MALCOM EM 20008
“Casamento de padres é uma questão de justiça”, afirma bispo católico inglês
![]() Dom Malcolm McMahon, de Nottingham, Inglaterra |
O bispo Malcolm McMahon, de Nottingham, Inglaterra, disse que é justo que homens casados católicos sejam aceitos para se tornar padres.Ele estava falando de um indulto de 1994 que permite que vigários anglicanos casados sejam ordenados padres depois que se convertam, mas não católicos casados comuns.
Ele disse: “É uma questão de justiça para aqueles homens que querem ser padres e ter uma esposa. O casamento não deveria barrá-los de sua vocação, mas eles devem ser casados antes de serem ordenados”.
A reportagem é de Mark Greaves, publicada no jornal britânico The Catholic Herald, 14-11-2008. A tradução é de Moisés Sbardelotto.
Um porta-voz esclareceu depois que dom McMahon não acredita que seja possível para a Igreja retirar a proibição sobre padres casados neste momento.
O bispo, disse o porta-voz, estava apenas reiterando que a regra da Igreja sobre o celibato é “uma questão de disciplina, em vez de doutrina” e, por isso, poderia ser modificada.
Dom McMahon é citado como um potencial sucessor do cardeal Cormac Murphy-O`Connor, e alguns temem que seus comentários poderiam atrapalhar suas chances de se tornar o próximo Arcebispo de Westminster, uma posição que Bento XVI deve preencher antes do próximo ano.
A busca levou um longo tempo porque a arquidiocese de Westminster é considerada de grande importância pelo Vaticano.
Falando ao jornal Sunday Telegraph, o bispo McMahon disse que os padres casados trariam “uma grande experiência sobre a vida em família” ao seu ministério.
Mas ele disse que a suspensão da proibição sobre padres casados não resolveria o problema das vocações, mesmo que haja um aumento a curto prazo no número de candidatos ao sacerdócio.
Ele também disse que manter as famílias dos padres poderia, provavelmente, causar problemas financeiros para a Igreja.
Especulações sobre a mudança da regra do celibato pelo Vaticano encerraram em 2006, quando Roma publicou uma declaração reafirmando o “valor” do celibato.
A declaração foi provocada por uma campanha por padres casados, liderada pelo arcebispo africano dissidente Emmanuel Milingo, que foi depois excomungado por ordenar ilicitamente homens casados como bispos.
Entretanto, muitos antigos líderes da Igreja mostraram seu apoio à idéia dos padres casados.
O cardeal Cláudio Hummes, o chefe brasileiro da Congregação para o Clero do Vaticano, disse em 2006 que o celibato era “uma norma disciplinar, não um dogma”, acrescentando: “Certamente, a maioria dos apóstolos foi casada. Na modernidade, a Igreja deve observar essas coisas – deve avançar com a história”.
O cardeal Murphy-O`Connor, que deixará de ser arcebispo de Westminster no próximo ano, sugeriu em duas oportunidades que a Igreja poderia, em teoria, modificar a regra do celibato a qualquer momento.
Ele disse ao jornal Independent em 2004: “Se você está perguntando ‘A Igreja pode mudar suas leis sobre o celibato?’, então a resposta é ‘sim’, a qualquer momento do próximo papado”.
“Minha opinião é de que há uma grande causa pela ordenação de homens casados – mas eles devem ser casados e constituir família antes de serem ordenados”.
Padres também mostraram apoio à idéia. Em 2003, mais de 160 padres da diocese de Milwaukee, nos EUA, assinaram uma carta de apoio ao clero casado.
Na Conferência Nacional dos Padres da Inglaterra e do País de Gales, em 2004, só pouco mais da metade dos que participaram votaram a favor de que a Igreja reexamine a regra. Menos do que os dois terços requeridos para que a moção fosse aprovada.
Entretanto, é altamente improvável que o Vaticano se mova na direção de permitir homens casados ao sacerdócio. O indulto de 1994, concedido depois da decisão da Igreja Anglicana de ordenar mulheres sacerdotisas, era destinado a vigários anglicanos que queriam se converter ao catolicismo e se tornar padres católicos.
Dom McMahon, 59, trabalhou como engenheiro do London Transport [empresa municipal dos transportes] antes de entrar para os dominicanos em 1976.
Ordenado bispo no ano 2000, ele é agora o presidente do Departamento para a Evangelização e Catequese da Conferência dos Bispos ingleses e o presidente nacional do movimento pacifista católico internacional Pax Christi.
Ele ganhou popularidade entre os tradicionalistas no começo deste ano quando proferiu um discurso em uma conferência de treinamento da Missa em Latim, em Oxford – e foi aplaudido de pé.
Mark Greaves
Fonte: 19/11/2008 – “Casamento de padres é uma questão de justiça”, afirma bispo católico inglês
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