O SOCIAL E O POLÍTICO NUNCA FORAM OPÇÕES DO MPC DO BRASIL, COMO UM TODO

No último Encontro da Federação Latino-americana de Padres casados em Buenos Aires, nós do Brasil ficamos positivamente impressionados com a militância social e até política de nossos colegas de língua espanhola.

Com certeza eles, historicamente, estão muito mais empenhados do que nós, do Brasil que, na prática, como grupo, nunca nos interessamos diretamente por estes assuntos: sempre ficamos restritos aos problemas do MFPC e aos problemas da Igreja no Brasil e no mundo.
Não é para condenar ninguém, mas, de fato, as circunstâncias históricas, sociais e políticas do Brasil nos últimos 40 anos e a nossa conhecida “alergia” a, como grupo, tanto nacional como local, fazermos alguma coisa de sério nesse sentido, nos deixaram à margem do grande diálogo nacional. Coisa que a CNBB fez muito bem, nos tempos da ditadura e tenta continuar agora, com sua boa assessoria de sólida informação sócio-econômico-política e com suas intervenções públicas, sempre que acha oportuno e/ou necessário.

Esta necessidade de intervenção do MFPC na Sociedade, tentou se traduzir, nos anos 80/90, sobretudo em S. Paulo, pelo engajamento de vários colegas no PT, então, de fato, um partido dos trabalhadores. A que, merecidamente, vários bispos e o card. Paulo Evaristo Arns deram forte apoio.

PT que hoje, muito longe disso, está praticamente sem credibilidade alguma, corrupto e corruptor como todos os outros, cheio de membros moralmente e politicamente desprezíveis.

Nesses bons anos 80, outros grupos de padres casados opinaram que seria bom se engajar, como grupo, na Pastoral das Cebs.
Talvez devido à dimensão continental do Brasil, prevaleceu essa orientação mais light no MFPC: nos empenharmos mais com nossa vivência e convivência, ajuda mútua, diálogo possível, aberto e igualitário com a hierarquia, luta por uma Igreja segundo os o espírito e os princípios do Vaticano II. E apoiar, sem nos comprometermos como entidade, todas as iniciativas individuais ou de pequenos grupos na Pastoral ou em serviços à Comunidade.
Até aqui foi assim. E foi bom . Mas nada impede que no futuro possa ser diferente ou melhor.

Hoje, pela primeira vez, estou enviando para nosso E-grupo um artigo político. No contexto não das eleições argentinas, mas da grande crise mundial a que nos levou a imensa ganância e a série de mentiras deslavadas dos donos do capital, afagados e sempre protegidos pelos governos que eles, sem cessar vêm elegendo há décadas. E a que nós, padres casados, não podemos ficar indiferentes.

João Tavares


Governo argentino quer mais Marx e menos neoliberalismo em faculdades de economia

Marcia Carmo

De Buenos Aires para a BBC Brasil

Atualizado em 14 de outubro, 2011 – 05:49 (Brasília) 08:49 GMT

Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/10/111014_argentina_marx_mc_is.shtml

Boudou (à dir.) é candidato a vice na chapa da presidente Cristina Kirchner

O ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, e seu vice, Roberto Feletti, defendem que as faculdades federais de economia do país modifiquem a atual grade escolar para dar “mais espaço” para as teorias do alemão Karl Marx, do inglês John Keynes e do argentino Raul Prebisch (fundador da Cepal), segundo confirmou à BBC Brasil o subsecretário de Coordenação Econômica do Ministério da Economia, Alejandro Robba.

“As faculdades argentinas hoje apresentam grades mais ortodoxas e nós apoiamos que elas sejam mais heterodoxas”, disse.

“Além de Karl Marx, de Keynes e de Prebisch, o ministro apoia a maior presença de textos do professor (brasileiro) Franklin Serrano e do (polaco Michal) Kalecki, entre outros”, disse.
Neoliberalismo

O Ministério da Economia quer reduzir a presença de textos de economistas identificados com a década de 90 e associados, como afirmam, ao “neoliberalismo”.

O ministro tem dito que “os planos de estudos de Ciências Econômicas fazem parte de um domínio neoliberal e é preciso modificá-los”.

De acordo com o jornal de economia El Cronista, de Buenos Aires, com uma grade “heterodoxa”, as autoridades esperam que as faculdades estejam em sintonia com o “modelo de acumulação com inclusão social”, lançado pelo ex-presidente Nestor Kirchner (2003-2007), antecessor de sua viúva, a atual presidente.

O jornal afirma que economistas identificados com os anos 90, como os americanos Milton Friedman e Paul Samuelson, ou afinados com as receitas do FMI (Fundo Monetário Internacional) seriam “eliminados” da grade escolar, como teria indicado o ministro numa recente palestra na Universidade de La Plata, na província de Buenos Aires.

Marx e Keynes

Alejandro Robba disse que hoje Marx e Keynes são “autores marginais” na grade escolar “e isso não está certo”.

Para ele, é preciso “dar maior espaço” para estes economistas que, na sua opinião, estão associados a “economia de desenvolvimento, consumo interno e maior papel do estado na condução da economia do país”.

Na sua visão, menos teóricos ligados ao mercado financeiro, por exemplo, e mais vinculados a “economia interna”.

Segundo Robba, a ideia de modificar a grade escolar foi apresentada inicialmente por um grupo autodenominado La Gran Makro, que reúne economistas e estudantes de economia que apoiam o perfil econômico do governo da presidente Cristina Kirchner.

“Eles defendem o maior espaço para as ideias heterodoxas nas faculdades de economia e o ministro Boudou e o vice Feletti apoiam a iniciativa”, disse.

Boudou é o candidato a vice na chapa eleitoral da presidente Cristina, que disputa a reeleição no pleito do dia 23 de outubro próximo.

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