Primeiro encontro durou meia hora e apenas emissário da ONU falou.
Conferência tenta difícil acordo para encerrar guerra civil que matou 130 mil. (Foto: Philippe Desmazes/AFP)
Do G1, em São Paulo
A primeira reunião durou cerca de meia hora, e aconteceu a portas fechadas, longe das câmeras e da imprensa.
“A primeira sessão terminou – Brahimi falou por 30 minutos e nenhum dos delegados disse nada”, afirmou Anas al-Abdah, delegado da oposição, na saída da reunião.
As duas partes envolvidas deixaram o encontro por portas diferentes, e devem se encontrar novamente às 16h locais (12h de Brasília) para tratar de assuntos humanitários.
Al-Abdah disse que Brahimi afirmou que os dois primeiros dias das conversas irão se focar nas negociações para levantar os cercos aos civis, incluindo em Homs, no estabelecimento de cessar-fogo locais e no acesso humanitário, mas o centro das negociações deve ser resolver o conflito.
“Ele disse que isso é uma conferência política, baseada em Genebra 1”, disse Al-Abdah, se referindo ao encontro de junho de 2012 que chamou pelo estabelecimento de um governo de transição na Síria.
A equipe de negociadores do regime é dirigida por Bashar al Jaafari, embaixador da Síria na ONU, e não o ministro sírio das Relações Exteriores Walid Mualem, segundo uma fonte próximas às negociações.
Os negociadores da oposição, por sua parte, são liderados por Hadi al Bahra.
Antes da reunião, o governo sírio reiterou sua rejeição à proposta de formar um governo de transição como parte da solução política para o conflito do país.
“Nós temos reservas completas em relação a isso”, disse o ministro da Informação sírio, Omran Zoabi, pouco antes de começar o encontro com a oposição. “A Síria é um Estado com instituições”, afirmou. “Um governo de transição acontece quando o Estado está em desintegração, ou não tem instituições.”
Ja a oposição síria antecipou que vetará a presença do atual presidente Bashar al-Assad e de qualquer pessoa de seu entorno no órgão de governo transitório que pode ser criado nas negociações de paz para a Síria.
“Isso significa que nem Bashar al Assad, nem ninguém de seu círculo próximo estará no órgão de governo transitório porque o vetaremos”, assegurou o porta-voz da delegação opositora, Anas Abdeh.
Problemas
Na véspera, Brahimi conseguiu convenceu as delegações do regime de Bachar al-Assad e da oposição a se sentarem à mesma mesa de negociações neste sábado.
A sexta-feira (24) foi marcada por ameaças de que Damasco deixaria Genebra, e teve um fracasso inicial.
A reunião prevista para a manhã de sexta – com a presença das duas delegações – foi cancelada de última hora. A justificativa foi a recusa da oposição de se sentar à mesma mesa que o ministro Muallem, enquanto o regime não aceitar o princípio de um governo de transição.
A resposta do governo sírio não demorou a chegar. E Muallem ameaçou fazer as malas e partir, acusando seus detratores de falta de seriedade.
O emissário da ONU e da Liga Árabe, artesão das negociações que visam encontrar uma solução para a guerra na Síria – que já matou mais de 130.000 pessoas desde março de 2011 – negou a hipótese de uma das delegações deixaria as negociações mais cedo.
As duas partes se acusam mutuamente de atravancar as negociações – patrocinadas pelos Estados Unidos, aliados da oposição, e pela Rússia, pilar do regime de Damasco – adiadas inúmeras vezes.

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