“2013, foi muito contraditório, mas anunciou mudanças. Certamente 2014 será um ano ainda mais intenso de mobilizações e articulações das forças populares”, é o prognóstico do jornal Brasil de Fato, 17-12-2013.
Eis o editorial.
Somente no futuro, quando analisarmos com mais profundidade o que aconteceu no ano de 2013 poderemos ter elementos mais precisos do que ele representou para a história recente da vida do povo brasileiro e para a luta social. Porém, desde logo podemos recolher alguns sinais.
No quesito melhoria das condições de vida da população tivemos poucos avanços. O nível de emprego se manteve, a inflação dos preços da cesta básica se manteve e tivemos o programa de saúde publica “mais médicos”, que se propõe a levar médicos aos lugares desamparados pela atenção médica, às vezes, logo ai na periferia das luxuosas capitais.
Porém tivemos retrocessos na política econômica do governo, que de certa forma o Banco Central voltou a se considerar um ente autônomo, sem legitimidade para isso, e atua a seu bel prazer, aumentando a taxa de juros selic, para 10%. Isso significa que vai aumentar as transferências de recursos públicos recolhidos de nossos impostos e destinados para os juros dos bancos, que são afinal apropriados em sua maioria por não mais de 5 mil ricaços, segundo estudos de Marcio Pochmann.
Faltam recursos para democratizar a educação superior, ainda restrita aos 12% de jovens na universidade alcançado no governo Lula. Quando o necessário seria investir 10% do PIB nacional para educação.
Os investimentos públicos, de todas as esferas, em transporte público faltaram, e com isso locomover-se nas grandes cidades é cada vez mais caro e sacrificado para milhões de brasileiros, que perdem horas de suas vidas no transito.
O custo dos alugueis e imóveis disparou, com aumentos médios de 180% em todo país, fruto da especulação desenfreada do capital financeiro.
Pior, com falsos argumentos entregamos 40% de nossas reservas do pré-sal para exploração compartida com duas multinacionais europeias e duas chinesas, quando a Petrobrás poderia fazê-lo sozinha.
Resultado: os ricos aumentaram seus ganhos e os trabalhadores se mantiveram na mesma base e tiveram as condições de vida pioradas.
Na vida institucional, os conservadores, à direita e sua bancada ruralista fazem a festa impondo agendas retrógradas e de perdas de direitos dos trabalhadores, dos povos indígenas, camponeses e pobres em geral. A conquista de uma jornada de 40 horas semanais, já em vigor na maioria dos países industrializados aqui é banalizada e combatida pela maioria dos congressistas.
Impediram a proposta de uma reforma política, a convocação de uma constituinte e de um plebiscito popular que havia sido proposta pela própria Presidenta da Republica no calor das mobilizações de julho.
No poder Judiciário, cada vez mais discricionário, o imperador Barbosa age à revelia de qualquer norma jurídica, com apoio da Globo e talvez, tomara, sonhando em ser candidato a alguma coisa.
Por tanto, um balanço econômico-político-institucional de perdas para os interesses do povo brasileiro.
Há sinal no final do túnel…
Se é verdade que a burguesia aproveitou-se de sua hegemonia na política econômica, nos meios de comunicação e no poder politico para aumentar seus ganhos e impor sua agenda, por outro lado, o ano de 2013 foi revelador, pois a juventude foi às ruas, durante dois meses seguidos e demonstrou que quer mudanças!
A princípio barrou os aumentos das tarifas de transporte publico e impôs aos governos a necessidade de investimentos públicos. Porém as mudanças foram insuficientes para as demandas colocadas pelas ruas. Sinal, que certamente voltarão.
E mais além do que obter conquistas imediatas, as mobilizações da juventude sempre são um termômetro em qualquer sociedade. Elas prenunciam períodos de maior conscientização política e mobilização social de todo povo. Por tanto, eles são apenas o prenuncio do que poderá vir com mais força se a classe trabalhadora lograr unidade e for à rua com um programa de reformas estruturais.
Por outro lado, no bojo desse clima, as forças populares de todo país e de todos os setores voltaram a construir um impressionante processo de unidade popular em torno da necessidade de lutarmos por uma reforma política. A reforma política do sistema de poder nacional, que envolve judiciário, legislativo e executivo, é a porta de entrada necessária para as demais reformas estruturais, para obtermos melhorias das condições de vida ao povo.
Formou-se, nos últimos meses, uma ampla coalização com mais de cem entidades, movimentos, grupos e setores, que vão desde a CUT e centrais sindicais até a CNBB, Conic. Todos nos juntamos para organizar um verdadeiro mutirão nacional para debater com o povo, que tipo de mudanças políticas precisamos.
Vamos recolher as sugestões do povo em milhares de reuniões de base, e depois no dia sete de setembro de 2014, recolher a vontade popular, no plebiscito para que votem se é necessário uma constituinte soberana e exclusiva para a reforma política.
2013 foi muito contraditório, mas anunciou mudanças. Certamente 2014 será um ano ainda mais intenso de mobilizações e articulações das forças populares. E mais além das eleições, como disse já o povo nas consultas de opinião publica: 44% votariam na Dilma, mas 66% querem mudanças já!
Fonte: http://www.brasildefato.com.br/node/26934