Em fevereiro, o trabalho do “C8” chega ao IOR

202O cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston, um dos oito cardeais conselheiros do Papa, disse aos jornalistas: a reforma da Cúria está em período de análise, mas se trata de uma questão complexa e de uma mudança séria, radical e pesada, de modo que não pode ser resolvida em semanas ou meses.

Bergoglio sabe que há muita coisa para mudar, como foi dito nas reuniões anteriores ao Conclave, mas espera uma séria reflexão sobre a reforma, para que ela possa ser verdadeiramente eficaz.

A reportagem é de Andrea Tornielli, publicada por Vatican Insider, 06-12-2013. A tradução é do Cepat.

Ontem, às 18h30min, encerrou-se a terceira reunião do segundo encontro do “C8” dos cardeais. Durante três dias, assim como ocorreu em outubro, os conselheiros de Francisco, escolhidos por ele mesmo, analisaram um a um os mais importantes “ministérios” da Santa Sé, avaliando as propostas para torná-las mais eficazes.

Durante a manhã e a tarde, os cardeais Óscar Andrés Rodríguez Maradiaga, Giuseppe Bertello, Francisco Errázuriz Ossa, Oswald Gracias, Reinhard Marx, Laurent Monsengwo Pasinya, O’Malley y George Pell, além do bispo Marcello Semeraro, que exerce a função de secretário, discutiram sobre a direção que deve-se tomar.

Com exceção da quarta-feira pela manhã, devido à audiência geral na Praça de São Pedro, Francisco esteve sempre presente. Durante três horas, o Papa ficou ao ar livre, com o frio romano, pois queria saudar todas as pessoas. Ao concluir a audiência, foi acometido por uma pequena tontura, como indicou o porta-voz do Vaticano, o padre Federico Lombardi, desta maneira cancelou o encontro que teria com a delegação da Expo2015 de Milão, guiada pelo cardeal arcebispo da cidade, Angelo Scola. Todavia, pela tarde, após um breve repouso, o Pontífice trabalhou com o “C8” dos cardeais.

Entre os pontos centrais para a reforma, destacam-se a reorganização da Secretaria de Estado, que deverá se transformar em uma “secretaria papal”, e a criação de uma figura de coordenação entre os diferentes dicastérios da Cúria. Além de agilizar e fazer a fusão de algumas entidades (em fevereiro, durante o próximo encontro, serão examinados os Conselhos Pontífices e se prevê que alguns poderão se fundir ou desaparecer), pretende-se racionalizar as finanças: fazer cortes e unificar os centros dos gastos. E também, no futuro, reduzir lentamente o número de empregados do Vaticano.

“A tendência geral é que se chegue a ter algo como um Ministério da Economia, como os estados”, explicou Maradiaga, que é o coordenador do “C8”. Em relação ao IOR, a linha de Francisco é muito clara: necessita-se de honestidade e de uma real transparência. Necessita-se de regras precisas e de um regulamento claro, inclusive para a admissão de pessoal. Além disto, as normas anti-reciclagem não podem ficar apenas no papel. Mas antes de tomar as decisões a este respeito, terá que se esperar pelo trabalho das comissões referentes que tratam do “banco vaticano” e das estruturas econômicas da Santa Sé. Todavia, o quadro ainda está incompleto, de forma que o Papa tomará as decisões apenas ao final desta etapa.

“Disseram que em dezembro o trabalho das comissões estaria pronto, mas, na realidade, necessita-se de mais tempo – disse Maradiaga há alguns dias. Esperemos que em fevereiro possamos ter algo”.

 

Andrea Tornielli 1

Andrea Tornielli

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/526447-em-fevereiro-o-trabalho-do-c8-chega-ao-ior

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