Papa Francisco é eleito personalidade do ano pela ‘Time’

197Revista americana destaca que papa capturou imaginação das pessoas que haviam desistido da Igreja Católica

Papa Francisco foi eleito nesta quarta-feira a personalidade do ano pela revista americanaTime. O argentino assumiu a chefia da Igreja Católica em março, após a renúncia de Bento XVI. Em um texto bastante elogioso, a Time destaca que Francisco tem conquistado simpatia pela sua simplicidade, espontaneidade e principalmente pelo seu desejo de reformar a instituição, expresso em medida como a publicação da Exortação Apostólica, em novembro, e na criação de comissões para elaborar mudanças na Constituição Apostólica Pastor Bonus, que norteia o funcionamento do Vaticano.

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Reprodução/TIME

“O que faz desse papa tão importante é a velocidade com ele capturou a imaginação de milhões que já haviam desistido totalmente da Igreja”, diz um trecho do texto de capa da revista. “Ele usa ferramentas do século XXI com maestria para conduzir seu cargo do século I.”

Segundo a revista, Francisco foi escolhido entre uma relação final de cinco candidatos. Os outros indicados a personalidade do ano foram o ex-analista Edward Snowden, responsável pelo vazamento de dados da inteligência americana; o ditador da Síria, Bashar Assad; o senador americano Ted Cruz, que é ligado ao radical Tea Party; e Edith Windsor, uma ativista americana que defende o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Francisco é o terceiro papa a figurar na capa da revistaTime como personalidade do ano. Antes dele, João XXIII figurou em 1962 e João Paulo II foi o escolhido em 1994.

A eleição de personalidade do ano pela revista (chamada de “homem do ano” até 1999) ocorre desde 1927. A primeira pessoa a receber o título foi o aviador Charles Lindbergh, que naquele ano havia se tornado a primeira pessoa a cruzar o Atlântico sem fazer escalas em voo solo. A escolha não é necessariamente baseada em critérios de feitos extraordinários. Alguns números da revista já estamparam vilões que se destacaram, como os ditadores Adolf Hitler (em 1938) e Josef Stálin (1942), além de figuras como o Aiatolá Khomeini (em 1979). Em 2012, Barack Obama foi o escolhido.

Leia no blog De Nova York, por Caio Blinder: Em uma semana em que o mundo, com justiça, reverencia Nelson Mandela, é também ilustrativo que a revista Time tenha escolhido o papa Francisco com a pessoa do ano. Não vou perder tempo com comentários “críticos” e banais sobre banalidades da mídia ou que a revista Time já era. Gostei da escolha e em parte pelo fato do papa ter “derrotado” o vazador Edward Snowden (segundo colocado). Teria sido um pecado a escolha do rapaz hoje asilado na Rússia de Vladimir Putin. Sei, sei. A seleção não tem critérios de bem e mal, mas de impacto. Hitler, afinal, foi “homem do ano” (agora o termo é “pessoa do ano”). 

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