Sacerdotes de todo o mundo animam o Papa para prosseguir no processo de reformas

São mais de 3.500 sacerdotes, representando o clero de meia dúzia de países de todo o mundo. Reunidos na Áustria, uma nova rede de clérigos progressistas encoraja Francisco para prosseguir no processo de reformas, para “dar um maior papel aos membros da base” no governo da Igreja, ao mesmo tempo que aposta no fim do celibato e no sacerdócio feminino.

A reportagem está publicada no sítio espanhol Religión Digital, 11-10-2013. A tradução é de André Langer.

Seu porta-voz, o padre austríaco Helmut Schüller (foto), assinalou que a Igreja deveria atrair as pessoas às paróquias, que estão sob ameaça de desaparecer diante da diminuição do número de sacerdotes.

As opiniões abertas de Schüller, líder de um grupo de sacerdotes austríacos que desafiam abertamente as posições da Igreja sobre tópicos considerados tabus, como o celibato e a ordenação de mulheres, foi advertido, no ano passado, pelo Papa Bento XVI, que renunciou em fevereiro.

Os mais liberais da Igreja colocam agora suas esperanças em seu sucessor, o Papa Francisco, o primeiro pontífice não europeu em 1.300 anos e o primeiro da América Latina.

“Queremos abordar o tema mais candente: o futuro das comunidades. Queremos estar aí por elas, e seu futuro está em perigo devido à falta de sacerdotes”, disse Schüller, de 61 anos, em uma entrevista por telefone de Bregenz.

Francisco está se centrando em uma mudança de cima para baixo ao reformar a cúria, ou a administração central, que é acusada de ser disfuncional e estar cheia de lutas internas responsáveis por boa parte da agitação que dominou no papado de Bento XVI.

A Igreja viu também sua reputação prejudicada pelos escândalos financeiros e pelos abusos e sofreu um amplo declive na assistência à missa, especialmente em seus históricos bastiões na Europa.

A grande maioria dos católicos está comprometida com a Igreja em suas paróquias, assim que se auguram problemas, caso sua rede de comunidades de fiéis se romper.

O grupo de Schüller goza de amplos apoios na Áustria por sua promessa de romper as normas da Igreja dando a comunhão aos protestantes e permitindo que os católicos divorciados se casem.

Seus planos de construir uma rede internacional atraiu representantes de cerca de 3.500 sacerdotes da Alemanha, Suíça, Irlanda, Austrália e Estados Unidos a Bregenz.

Schüller está impulsionando novas reformas de liderança paroquial que promovam homens e mulheres de dentro da comunidade, num momento em que a Igreja tem dificuldades para encontrar sacerdotes.

“Creio que tem que haver uma mudança importante na estrutura hierárquica”, disse.

Os católicos reformistas austríacos desafiaram há tempos as políticas conservadoras encabeçadas por Bento XVI, criando movimentos de protesto e defendendo mudanças que o Vaticano, até agora, rechaçou.

Agora que Francisco adotou um tom mais tolerante, chegou o momento da liberalização, disse Schüller.

“Temos que trabalhar mais para ele a partir das raízes para reforçar e colocar em prática estas mudanças. O ambiente neste momento é problemático. Muitos sacerdotes católicos limitam-se a ver o que o Papa faz e diz”, disse.

Schüller disse que não descartava o fato de que Francisco possa um dia sair da postura tradicional da Igreja de que só os homens podem ser ordenados, dado que Jesus escolheu apenas homens para seus apóstolos.

“(Francisco) disse de fato que a porta está fechada (às mulheres sacerdotes). Isso deixa muitas conclusões possíveis. Uma porta pode ser aberta novamente, não está lacrada”, disse, mas reconhecendo que esta mudança cultural de relevância levará tempo.

Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/noticias/524652-sacerdotes-progressistas-de-todo-o-mundo-animam-o-papa-para-prosseguir-no-processo-de-reformas

 

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