O “Nós Somos Igreja” continua a apelar para uma ética sexual cristã orientada para o futuro

 
“A Igreja Católica Romana necessita urgentemente de uma nova visão da sexualidade — humana, amorosa e livre de medo, pois a sexualidade é uma energia vital de todo o ser humano criado e amado por Deus”, afirma o Movimento Internacional Nós Somos Igreja, no seu comentário ao 40º aniversário da Encíclica Humanae Vitae, publicada em 25 de Julho de 1968. Segundo o Movimento, “O ministério da Igreja não deve mais barricar-se por detrás de muros erguidos há séculos. Do mesmo modo, não deve ignorar o conhecimento bem estabelecido das ciências humanas sobre
sexualidade e ética sexual.”
O objectivo da Encíclica era a valorização do amor dentro do casal e a elevação da sexualidade individual acima da simples transmissão da vida. Mas o nosso Movimento lamenta que este objectivo quase não tenha sido apreendido pelos fiéis, tão dominante foi a mensagem de que “a concepção apenas pode ser evitada por meios ‘naturais’ “. Mais, esta doutrina foi recentemente confirmada pelo papa Bento XVI sem quaisquer matizes.
Ao lembrarmos a proclamação da Humanae Vitae, não podemos esquecer que a maioria da Comissão, estabelecida em 1962 pelo então papa João XXIII, e alargada pelo papa Paulo VI, decidiu a favor de uma parentalidade responsável, sem pôr de parte nenhum método contraceptivo. Foi o papa Paulo VI que não agiu segundo as conclusões desta esmagadora maioria, proclamando antes a opinião da minoria como doutrina oficial da Igreja.
 
Este facto teve consequências fatais: houve uma má percepção e recepção da Encíclica, e a Igreja Católica perdeu a sua competência e credibilidade em questões de sexualidade humana, e vida sexual em geral.
A base duma ética sexual cristã responsável e orientada para o futuro terá de ser o estudo, a análise e a consideração dos desenvolvimentos sociais no seu sentido mais amplo, e não a condenação. Este é o ponto de vista do “Nós Somos Igreja”.
O Aggiornamento da ética sexual cristã poderia seguir os seguintes pontos.
● É essencial aceitar os mais recentes conhecimentos científicos acerca da sexualidade humana, nomeadamente os que respeitam à homossexualidade, e largar de vez valorizações incongruentes baseadas na ignorância.
● É necessário considerar a situação das mulheres, dos homens e das famílias, que mudaram em consequência de desenvolvimentos globais, sociais, políticos e tecnológicos.
● Várias conferências episcopais emitiram declarações cautelosas, tendo em conta a doutrina tradicional da Igreja sobre a consciência. Os seus argumentos são ainda válidos e não podem ser ignorados em nenhuma circunstância.
● O problema do HIV/SIDA era desconhecido à data de publicação da Encíclica, mas tornou-se hoje em dia um problema premente, o mesmo se passando com o rápido crescimento da população mundial. É necessário dar respostas mais sofisticadas e matizadas a estes assuntos, em vez de simplesmente condenar categoricamente o uso de preservativos e apelar à abstinência.
● Dado que todas as religiões têm alguma doutrina sobre a protecção e a transmissão da vida, deveriam formular-se princípios gerais de ética sexual humana, através de um processo interreligioso e inter-confessional.
Um dos cinco pontos da Petição do Povo de Deus, do Movimento Internacional Nós Somos Igreja é
justamente uma valorização positiva da sexualidade. Esta Petição foi assinada por mais de 2.3 milhões de
pessoas, apenas na Alemanha e na Áustria, em 1995, e constituiu depois o documento fundador do
Movimento Internacional Nós Somos Igreja, hoje com representação nos cinco continentes.
Fonte:  http://www.we-are-church.org/int/pdfs/HV40/HV40-pt.pdf
Comunicado de Imprensa
Roma/Lisbon/Madrid/Muenchen/Paris/Vienna
40 Anos da Encíclica “Humanae Vitae” – 25 de Julho de 1968
 
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