“DA IGREJA QUE TEMOS PARA UMA IGREJA À LUZ DO CONCÍLIO VATICANO II NA AMÉRICA LATINA” (2º Texto)

A todos os MPCistas apresentamos o 2º Texto para reflexão em preparação para o encontro nacional de MFPC de 2012. Esperamos que os grupos dos vários estados e cada companheiro possa refletir e comentar neste site suas impressões e contribuições para o enriquecimento de nossa preparação para 2012.

 

A MISSÃO DA IGREJA HOJE 

                Ao ser entrevistado, em Fortaleza, por um grupo de leigos entre 2005 e 2006, Dom Aloísio Lorscheider, conhecido, entre outros, por seu apoio irrestrito aos padres casados, suas esposas e famílias, mostrou sua profunda preocupação tanto com o momento atual da Igreja, como com o futuro dela.

            Dom Aloísio apresenta sete pontos relevantes de reflexão acerca da Igreja em sua relação com o mundo. Trata-se de assuntos que, na opinião dele, deveriam formar a grande pauta da Igreja hoje.[1]

1 – “Nós ainda não conseguimos formar pessoas livres, responsáveis, conscientes. A idéia de que nós criamos a história e de que cada um contribui para escrever esta história é sumamente importante para ajudar as pessoas a crescerem. Pessoas livres, pessoas francas – isso deveria existir também na Igreja: no meio da comunidade eclesial deveria haver mais possibilidade de ser franco e de opinar, de não ter medo. Existe um certo analfabetismo que não consiste apenas em não saber ler e escrever, mas em não possuir um senso crítico da vida.”

2 – “Devo mencionar uma das grandes tendências mundiais que é o do ‘secularismo’, que é a visão do mundo e do homem que exclui a necessidade de recorrer à transcendência ou à religião para fundamentar as instituições sociopolíticas. Devemos manter a noção cristã de ‘encarnação’, isto é, a crença de que nós contemplamos a graça, a verdade e a glória da divindade ligada à humanidade, de que Deus mesmo armou sua tenda em nosso meio.”

3 – “Outra tendência mundial é a do ‘relativismo ético’: inúmeras pessoas hoje consideram as noções de ‘certo’ e ‘errado’, de ‘bem’ e ‘mal’ passíveis de interpretações subjetivas. Alguns chegam a negar qualquer possibilidade de afirmar valores universais. Devemos procurar visar melhor o equilíbrio, a harmonia entre a normatividade objetiva – válida para os coletivos humanos – e as máximas subjetivas, válidas para a minha conduta particular.”

4 – “Estamos diante do desafio de repensar, na América Latina, a tal da globalização. Pois, simultaneamente à globalização das estruturas econômicas ocorre a imposição global de uma única cultura materialista e consumista que está suplantando, lentamente, as diversas culturas tradicionais dos povos.”

5 – “Ao invés de um consumismo acrítico a desenfreado, necessitaremos promover uma distribuição eqüitativa dos bens deste mundo. Este desafio nos remete à doutrina social da Igreja, a qual poderá fornecer alguns princípios básicos para um engajamento nesta direção. ….. . Paz e tranqüilidade serão frutos de um esforço maior por justiça social. Devemos ser capazes de globalizar a solidariedade, de fazer das necessidades dos que mais sofrem a pauta principal dos grandes encontros políticos. Lemos em Atos, cap. 4: ‘Não havia necessitados entre eles’, o que poderia ser um princípio ético muito precioso, uma meta para toda a humanidade perseguir rumo a uma maior unidade e integração.”

6 – “Nós, católicos, devemos ser muito mais divulgadores do evangelho social! É claro que a situação econômica social tão discriminatória depende, em grande parte, dos governos, dos empresários, dos banqueiros etc., mas depende – talvez em escala menor – também de nós, da Igreja Católica! Os cristãos católicos não evangelizam como deveriam evangelizar.”

7 – “Precisamos refletir – filosoficamente, teologicamente, não importa! – contanto que nossa reflexão seja guiada por problemas e realidades bem concretas. Devemos ser capazes de perceber e interpretar os sinais dos tempos. Conseqüentemente a nossa maneira de evangelizar deve ser a do engajamento e do diálogo (escutar mais e falar menos), que, no fundo, significa testemunho. Evangelizar quer dizer dar testemunho de uma vida mais autêntica – a vida em Cristo, a vida na Graça.”

Comissão temática do MFPC – CE

Encontro nacional do MFPC de 2012


[1] Aloísio Cardeal Lorscheider, Mantenham as lâmpadas acesas. Um diálogo de Aloísio Cardeal Lorscheider com O GRUPO. Organizadores: Carlo Tursi e Geraldo Frencken. Fortaleza: Edições UFC, 2008, p. 135-142

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