Vivia-se a grande azáfama da vinda do Papa Bento XVI a Portugal, de 11 a 14 de Maio. Numa dessas noites, dormia eu bem sossegadinho, tive um sonho: ia na frente do cortejo papal com um grande cartaz, em que se lia em letras gordas:
•Santidade Bento XVI, por favor:
Acabe com o celibato obrigatório dos padres católicos!
Abra as portas do sacerdócio às mulheres!
Acabe-se com a discriminação sexual de uma vez para sempre!»
É claro que isto foi um sonho, mas um sonho lindo, que traduz o meu sentimento interior a propósito destes e de muitos outros problemas, que nos últimos tempos muito têm molestado a Igreja de Cristo. Tem-se dito e propagado aos quatro ventos que é necessário reevangelizar, dar novos caminhos de acesso a Deus, que sejam actuais e não estratificados nos moldes medievais, que já pouco dizem às novas gerações.
O sonho é a minha linha de pensamento. Acredito plenamente que mais tarde ou mais cedo a Igreja tem de acabar com a obrigatoriedade do celibato católico e admitir o sacerdócio de pleno direito para as mulheres. Se isso tem de acontecer, por que razão não se avança já? Seria urna forma de entrar na Igreja a sensibilidade feminina, que tanta falta aí faz!
AUSÊNCIA
Foi extraordinário ver as manifestações de fé nos lugares onde foi celebrada a Eucaristia.
Notei, no entanto, que nas assistências a todos os atos de culto, e noutras reuniões, a grande maioria dos assistentes eram senhoras e no altar apenas havia homens…
É preciso abrir as mentes para estas e outras realidades novas, que se impõem com alguma pertinência.
SERAFIM DE SOUSA
Boletim da Associação Fraternitas ano XI – N° 39-40