Os avanços econômicos da viagem de Scholz à América do Sul

Tobias Käufer – Buenos Aires | Ramona Samuel – Rio de Janeiro – 10/02/2023

A passagem do chanceler federal alemão pelo continente abriu novas portas do ponto de vista econômico. Algo urgentemente necessário. As relações com Brasil, Argentina e Chile, há muito estagnadas, foram retomadas.

 

  • Mas para além da questão da Ucrânia,
  • a passagem da delegação alemã por Argentina, Chile e Brasil marcou alguns pontos importantes do ponto de vista econômico.
  • Scholz conseguiu abrir ou reabrir algumas portas.

Agora resta saber quais serão os frutos disso.

 

Abraço entre Luiz Inacio Lula da Silva e Olaf Scholz
Cordialidades em Brasília após o encontro de Olaf Scholz com o presidente LulaFoto: Ueslei Marcelino/REUTERS 

Acordo UE-Mercosul

Primeiro, há o acordo de livre-comércio UE-Mercosul, que está em negociação há duas décadas. Lula disse estar confiante de que ele possa ser finalizado até meados do ano.

Era isso que o chefe de governo alemão, que busca novos e antigos parceiros comerciais após a reorganização geopolítica, queria ouvir.

Scholz fez pressão por isso em suas visitas a Buenos Aires e Brasília, e aparentemente foi ouvido. A União Europeia negocia um acordo com o Mercosul − formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai − desde 1999.

Um avanço foi alcançado em 2019, mas os europeus interromperam a ratificação.

 

“O acordo entre o Mercosul e a UE foi bloqueado pela Alemanha e pela França entre 2019 e 2022 por causa das políticas ambientais predatórias do governo Bolsonaro”,

explicou o professor Roberto Goulart, da Universidade de Brasília, à DW.

“Com a mudança de governo no Brasil, Lula colocou a política ambiental no topo de suas prioridades. Isso foi decisivo para que o chanceler federal alemão e os demais membros da União Europeia retomassem as negociações”, continuou Goulart.

Agora ambos os lados estão acelerando o ritmo, porque a janela de oportunidades pode se fechar rapidamente. No entanto, Lula anunciou que pretende renegociar alguns pontos.

“O governo brasileiro acredita que o desequilíbrio entre o Mercosul e a União Europeia precisa ser reduzido”, disse Goulart.

  • Os europeus logo descobrirão com mais detalhes onde o sapato aperta.
  • Ouviu-se nos círculos da delegação em Brasília que Lula considera algumas regulamentações ambientais muito rígidas.

 

Olaf Scholz e Alberto Fernández
Scholz com o presidente Alberto Fernández: de olho nas matérias-primas argentinasFoto: LUIS ROBAYO/AFP 

Agricultores alemães relutantes

É exatamente isso que causa certo desconforto entre a Associação de Agricultores Alemães.

“A política comercial do governo alemão tende a dar às questões de comércio agrícola uma prioridade menor do que ao comércio de produtos industriais”, diz um posicionamento da associação à DW.

  • Em outras palavras, os agricultores alemães temem que possam se tornar moeda de troca e ficar para trás, com padrões mais baixos,
  • contra um poderoso agronegócio brasileiro.

Para Berlim, a engenharia mecânica e a indústria são mais importantes.

“A crença de que o novo governo brasileiro também cumprirá integralmente os padrões nas áreas de higiene animal, uso de pesticidas e questão fundiária não é tão grande”,

disse Udo Hemmerling, vice-secretário-geral da Associação de Agricultores Alemães, à DW. Segundo ele, já houve violações desses padrões no passado.

 

Portas abertas na Argentina e no Chile

Antes do Brasil, Scholz visitou a Argentina e o Chile.

Nesses países, a principal preocupação foi o fornecimento de matérias-primas para a economia alemã.

  • Ambos possuem lítio, necessário para as baterias dos carros elétricos.
  • Além disso, a Argentina também tem ricos depósitos de gás, podendo, portanto, se tornar um fornecedor interessante após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

 

Gabriel Boric e Olaf Scholz
No Chile, Scholz visitou com o presidente Gabriel Boric o Museu da Memória e dos Direitos HumanosFoto: Pablo Sanhueza/REUTERS

 

Em Santiago, a Alemanha e o Chile assinaram um acordo de cooperação no setor de mineração. A ministra chilena da área, Marcela Hernando, enfatizou que a cooperação deve focar na sustentabilidade:

“Os dois Estados concordam que para o maior desenvolvimento dessa indústria é necessário dar passos concretos para uma mineração sustentável que respeite as comunidades”.

Isso é compatível com a abordagem da lei alemã da cadeia de suprimentos, que prevê uma produção sustentável desde o início.

Um começo foi feito, o difícil agora é concretizar as intenções.

  • A cooperação deve acontecer nas áreas de exploração, extração, tratamento e processamento de matérias-primas,
  • até o processamento mineral eficiente e sustentável com tecnologias ambientais nas fundições.

 

Tobias Käufer - Auslandskorrespondent - Selbständig | LinkedIn Ramona Samuel - Jornalista correspondente - Die Welt Deutschland | LinkedIn

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Tobias Käufer – Buenos Aires | Ramona Samuel – Rio de Janeiro

Fonte: https://p.dw.com/p/4Myva

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