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Francesca d’Amato – Vatican News – 17 janeiro 2023 – Foto: Reprodução
Aumenta cada vez mais a disparidade econômica entre os mais pobres e mais ricos da população. É o que emerge do novo relatório da Oxfam “A desigualdade não conhece crise”, publicado por ocasião do Fórum Econômico Mundial em Davos, que se realiza de 16 a 20 de janeiro de 2023, na Suíça.
Pela primeira vez em 25 anos, a discrepância entre riqueza extrema e pobreza extrema está crescendo.
No período de dois anos da pandemia,
- o 1% mais rico da população viu o valor de seus ativos aumentar em 26 trilhões de dólares, capturando 63% do aumento total da riqueza líquida global,
- ou quase o dobro da parcela (37%) que foi para os 99% restantes da população mais pobre.
O índice de riqueza dos bilionários parece não conhecer limites, enquanto a população menos abastada se esforça para conseguir pagar as contas.
- De acordo com o novo relatório da Oxfam, mais de 820 milhões de pessoas estão passando fome.
- Segundo o Banco Mundial, provavelmente estamos testemunhando o maior aumento da desigualdade e pobreza global desde a Segunda Guerra Mundial.
Fórum Econômico Mundial de Davos, Suíça (ANSA)
Os principais problemas
A desigualdade econômica nada mais é do que a consequência direta de uma grande “policrise”, composta por fatores econômicos, sociais, mas também climático-ambientais.
“A desigualdade extrema cresceu junto com a riqueza extrema”,
explica o porta-voz da Oxfam Francesco Petrelli.
“São dois fenômenos que se tornaram contextuais nos últimos 25 anos”.
Principalmente os dois problemas que não contribuem para o crescimento econômico da maioria da população são a inflação e o desemprego.
- A fortuna dos mais ricos está aumentando em US$ 2,7 bilhões por dia
- enquanto 1,7 bilhões de trabalhadores vivem em países onde a inflação excede o aumento médio dos salários.
Outro fator que agrava o quadro da diferença econômica
- são os cortes nos gastos públicos planejados por três quartos dos governos do mundo, que “planejaram cortar 7,8 trilhões de dólares de 2023 a 2027”, comenta Petrelli,
- “e é por isso que estamos pedindo uma reversão, porque não só prejudicaria os mais pobres, mas colocaria todo o sistema global fora do negócio”.
A riqueza gera riqueza
No ano passado, a riqueza dos bilionários nos setores de energia e agronegócios aumentou no mesmo passo que os lucros das empresas por eles controladas.
- Os mais ricos viram seus ganhos aumentar, mesmo durante os dois anos da pandemia,
- enquanto a maioria da população foi obrigada a se ajoelhar.
O porta-voz da Oxfam explica ainda:
- “Olhamos para 95 grandes empresas internacionais dos setores de energia e agronegócios, que desde a pandemia geraram US$306 bilhões em lucros extras
- desses US$306 bilhões, US$257 foram distribuídos aos acionistas”.
De fato,
- o fato de que nenhum investimento esar sendo feito nos negócios ou nos trabalhadores
- continua sendo o principal problema que corre o risco de gerar sérios danos dentro da economia global.
Nos últimos anos,
- “a intensidade da desigualdade tem aumentado constantemente
- e dos 42 trilhões de dólares produzidos durante a pandemia,
- cerca de 23 trilhões de dólares são prerrogativa dos 1% mais ricos da população”.
Possíveis soluções
- “Esperamos que em Davos, os representantes do governo e os próprios empresários coloquem o problema de como reverter este rumo,
- começando com um sistema de tributação mais justo”, aponta Petrelli.
Se de fato
- 5% dos maiores ativos fossem tributados à taxa de 5%,
- poderiam ser obtidos 1700 bilhões de dólares:
- a quantia necessária para combater a pobreza na parte mais pobre do planeta.
Desta forma, seria possível cumprir os objetivos da luta contra a pobreza extrema, estabelecidos pela Agenda das Nações Unidas para 2030.
A tributação é a maneira mais progressiva e equitativa de reverter o curso de uma desigualdade sempre crescente.
As soluções possíveis incluem o alívio da dívida dos países de baixa e média renda, bem como o plano de devolver pelo menos 0,70% da ajuda pública, aos países mais pobres.
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