
Edelberto Behs | 02 janeiro 2023
Foto: “Lula recebeu a faixa presidencial da representação do povo brasileiro/ Divulgação.
, Bolsonaro, por te mostrares um turrão ignorante, obrigado Mourão, por quebrarem o protocolo, ao nos proporcionarem assim esse quadro maravilhoso que vai ficar registrado na história do Brasil!”,
escreve Edelberto Behs, jornalista.
Eis o artigo.
Desde o criminoso silêncio do capitão logo após o resultado do pleito de outubro e até momentos antes da posse do tri-presidente, a imprensa especulava quem, afinal de contas, passaria a faixa presidencial a Luiz Inácio Lula da Silva?
O macho imbroxável fugiu para os Estados Unidos,
- seja para não participar do momento de posse e, assim, quebrar o protocolo,
- seja para se proteger das garras da Justiça brasileira.
O então vice-presidente da República também se esquivou. O presidente da Câmara, nem pensar.
E o protocolo quebrado motivou a, sem qualquer sombra de dúvida, representar a mais significativa e bela passagem da faixa em toda a história republicana brasileira.
O presidente eleito subiu a rampa na companhia
- da presidente da Rede Central das Cooperativas de Trabalho de Catadores de Materiais Recicláveis, Aline Souza, 33 anos;
- do cacique Raoni Metuktire, 90 anos;
- do menino Francisco, 10 anos, que esteve na vigília em Curitiba enquanto Lula estava na prisão;
- do metalúrgico Weslley Viesba Rocha, 36 anos;
- do professor Murilo de Quadros, 28 anos;
- da Jucimara Fausto dos Santos, cozinheira que também esteve na vigília em Curitiba;
- do ativista em defesa de pessoas com alguma deficiência, Ivan Baron.
- E, claro, da companhia da primeira-dama e da cachorrinha Resistência, adotada por Jana dos tempos da vigília.
Lula recebeu a faixa presidencial da representação do povo brasileiro.
- Obrigado, Bolsonaro, por te mostrares um turrão ignorante, obrigado Mourão, por quebrarem o protocolo,
- ao nos proporcionarem assim esse quadro maravilhoso que vai ficar registrado na história do Brasil!
O discurso de Lula no ato de posse foi magnífico, revelador. Ao mesmo tempo em que desnudou
- os desmandos do governo fascista que deixa o poder,
- o desmonte do Estado,
- a “atitude criminosa de um governo negacionista, obscurantista e insensível à vida”,
Lula assegurou que não carrega
- “nenhum ânimo de revanche contra os que tentaram subjugar a Nação a seus desígnios pessoais e ideológicos,
- mas vamos garantir o primado da lei”.
No entanto,
- “quem errou responderá pelos seus erros,
- com direito amplo de defesa, dentro do devido processo legal”.
No discurso Lula destacou o
“contraste entre distintas visões de mundo.
- A nossa, centrada na solidariedade e na participação política e social para a definição democrática dos destinos do país.
- A outra, no individualismo, na negação da política, na destruição do estado em nome de supostas liberdades individuais”.
Não são apenas essas as diferenças, presidente Lula.
- De um lado, um candidato que foi alijado da campanha presidencial de 2018 por ação parcial de um juiz desmoralizado que aceitou um ministério no governo então eleito,
- de outro lado, um presidiário que, diante da possibilidade de progressão da pena para o regime semiaberto, declarou, enfaticamente: “Não troco minha dignidade pela minha liberdade”.
Será que Bolsonaro sabe o que seja dignidade?
- Ora, antes de partir para Curitiba na condição de presidiário, Lula poderia ter se refugiado numa embaixada.
- Certamente seria aceito como perseguido político numa representação da França, da Alemanha, de Portugal, da Bolívia, sabe-se lá de outras mais,
- mas encarou a prisão para provar sua inocência e as maldades de Moro e sua trupe de malabaristas.
Nem mesmo concluído o seu período de governo, Bolsonaro tomou avião da FAB para levá-lo aos Estados Unidos, uma atitude digna de um mandatário diminuto que prefere fugir a encarar suas responsabilidades.
O jornalista, escritor e professor universitário perguntou, em artigo em O Estado de S. Paulo, como “os livros de história no futuro irão se referir a esse homem tão pequeno?
- Terá alguma importância, o seu nome, ou irão se interessar apenas pelo surto coletivo que se apossou de milhões de brasileiros, por meia década ao menos,
- e que resultou na eleição de um ninguém, um nada, um palhaço macabro?”.
Não precisamos esperar historiadores registrarem os “feitos” do desgoverno fascista de Jair Messias Bolsonaro, apoiado por militares antinacionalistas.
O capitão mentiroso, imbrochável, macho alfa já está condenado à lata de lixo da história mundial.
Será lembrado, sim,
- por ser o tchutchuca do Centrão,
- de governar como se o Estado fosse um ente privado,
- afirmar centenas de mentiras e depois se desdizer,
- e de fazer mimimis macabros de pessoas abatidas pela maior pandemia dos últimos tempos.
Nem a lata de lixo suportará tanta ralé.

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Edelberto Behs
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