
por Fernando Ayala – 29 de dezembro de 2022 | Foto: DAQUI
Sob a liderança de Lula, o Brasil tentará voltar a ser um protagonista ativo na política latino-americana e mundial, destacando o pragmatismo e uma visão de Estado que antepõe os interesses nacionais às preferências ideológicas.
Luis Inácio Lula da Silva, 77 anos, tornar-se-á presidente do Brasil pela terceira vez em 1º de janeiro, depois de passar 580 dias na prisão por acusações de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Isso o impediu de participar das eleições de 2018 e de qualquer outra competição eleitoral até que o Supremo Tribunal anulou a sentença, considerando que os seus direitos não foram respeitados e abrindo as portas para sua volta ao poder.
Nas últimas eleições, realizadas em outubro passado, ele derrotou por pequena diferença, com 50,01% dos votos contra 49,1%, o atual titular Jair Bolsonaro, 67anos, ex-militar,
- que havia sido eleito quatro vezes para o Congresso com um alto percentual de votos
- e com posições conservadoras em temas como aborto, homossexualidade, religião
- e alinhadas aos postulados de uma extrema direita profundamente ideológica.
Defensor das ditaduras militares brasileiras dos anos 1960 e 1970,
- Bolsonaro aumentou o número de armas de fogo que as pessoas têm direito de possuir.
- Ele também cortou relações diplomáticas com o governo da Venezuela, chefiado por Nicolás Maduro.
Todas estas medidas encontraram o apoio de praticamente 50% das pessoas que votaram nas últimas eleições, o que demonstra o quanto a sua mensagem penetrou em uma parte importante da sociedade brasileira.
O recém-eleito Lula da Silva, ao contrário, será o primeiro presidente de seu país a ser eleito três vezes.
- De família pobre, abandonou a escola cedo e começou a trabalhar aos 14 anos.
- Especializou-se em metalurgia na indústria automobilística e passou a participar da vida sindical e da oposição às ditaduras militares,
- lutando por reivindicações salariais e pelos direitos dos trabalhadores e promovendo em grande escala.
Participou da criação do Partido dos Trabalhadores em 1980, em São Paulo, juntamente com outros sindicalistas e intelectuais: uma via alternativa na política brasileira, que se define como um partido de tendências socialistas ou de nova esquerda.
Lula demonstrou ser um líder carismático e conquistou espaço na política brasileira ao ser indicado como candidato à presidência nas primeiras eleições diretas de 1989, nas quais foi derrotado por Fernando Collor de Mello , que obteve 53,03% dos votos contra 46,97% do sindicalista.
- Em seguida, concorreu novamente em 1994 e 1998, sem sucesso,
- até às eleições de outubro de 2002, quando venceu com 61,27% dos votos contra o candidato do Partido Social Democrata Brasileiro, o economista José Serra.
O Brasil
- é o quinto maior país do mundo, com 8,5 milhões de quilômetros quadrados de território,
- o sétimo país mais populoso, com cerca de 215 milhões de habitantes,
- e a oitava maior economia do planeta.
Na América do Sul faz fronteira com nove países; todos os do subcontinente exceto Chile e Equador.
Segundo dados oficiais, o mandato de quatro anos do presidente Bolsonaro deixou uma economia em moderada recuperação.
O ano em curso deverá terminar com um crescimento do PIB de 2,8%, uma taxa de desemprego de 8,7% e uma inflação de 5,9%.
Mas, segundo dados da Datosmacro , a dívida do país cresceu, chegando a 93,01% do PIB em 2021 e tornando o Brasil um dos países com maior dívida do mundo.
Os desafios que o governo de Inácio Lula da Silva terá pela frente são enormes, devido à Covid e às políticas públicas implementadas pelo presidente Bolsonaro.
- Se a nível político existe uma profunda fratura na sociedade, a nível social será preciso enfrentar uma situação muito complexa.
- Os dados macroeconômicos parecem positivos, mas a realidade brasileira é extremamente dura.
Estima-se que cerca de 10 milhões de pessoas cairão abaixo da linha da pobreza entre 2019 e 2021;
- cerca de 33 milhões, o equivalente a 16% da população, passam fome devido ao desmantelamento dos programas de apoio social,
- e o desmatamento crescente da bacia amazônica ameaça a biodiversidade e o combate às mudanças climáticas.
Não será fácil para o futuro presidente realizar muitas reformas sem o apoio da oposição,
- onde as forças que apoiaram Bolsonaro terão maioria nas duas casas,
- enquanto 13 dos 27 estados terão governadores apoiados pelo atual titular, incluindo o maior, São Paulo.
Os pontos fortes de Lula estão em suas habilidades de negociar e de fechar acordos;
- mas onde terá de enfrentar uma árdua tarefa:
- persuadir e convencer os cidadãos da bondade do seu plano para fazer o país progredir,
- reconquistar a confiança da população e projetá-lo na cena internacional.
Na política externa, tem dado sinais claros de querer recomeçar a partir da região,
- anunciando, desde o primeiro dia do seu governo, o restabelecimento das relações diplomáticas com a Venezuela e a nomeação de um embaixador naquele país;
- mas também anunciou a sua disposição de participar da próxima cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC, Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños) a ser realizada na Argentina em 24 de janeiro de 2023
- e o seu compromisso de relançar a UNASUL (União de Nações Sul-americanas) e concluir as negociações entre o MERCOSUL (Mercado Comum do Sul) e a União Europeia.
Ele também anunciou que em 2023 fará uma viagem aos Estados Unidos e à República Popular da China, principal parceiro comercial do Brasil.
Sob a liderança de Lula, o Brasil tentará voltar a ser um protagonista ativo na política latino-americana e mundial, destacando o pragmatismo e uma visão de Estado que antepõe os interesses nacionais às preferências ideológicas.

Fernando Ayala
Fonte: https://www.treccani.it/magazine/atlante/geopolitica/Il_ritorno_Lula_Brasile.html