Índia – Perseguição Religiosa

7 Margens | 15 Dez 2022
Acusado de ligações maoístas e terroristas pelas autoridades, Stan Swamy sempre negou essas imputações. Foto © Khetfield59, via Wikimedia Commons.
Vários documentos qualificados como “provas incriminatórias” foram introduzidos no computador pessoal do padre Stan Swamy por um pirata informático,
- confirmou uma empresa forense norte-americana, à qual os jesuítas na Índia solicitaram uma investigação.
- A notícia foi avançada esta quarta-feira, 14 de dezembro, pela Agência Fides, que tem acompanhado o caso do religioso
- detido por presumíveis ligações a grupos terroristas e que morreu na prisão em 2021.
O relatório da empresa Arsenal Consulting, com sede em Boston,
- abre assim uma brecha nas acusações de que era alvo o padre Swamy,
- centradas numa suposta correspondência eletrónica entre ele e dirigentes maoístas.
- e que pretendia demonstrar que havia sido cúmplice de uma violenta conspiração.
A empresa assinala que
- 44 documentos, incluindo as chamadas “cartas aos maoístas”, citadas como provas contra Swamy,
- foram introduzidas no seu computador pessoal por um hacker que acedeu ao mesmo ao logo de cinco anos, desde 2014 até 2019,
altura em que o PC foi confiscado e examinado pela polícia indiana.
“Conhecíamos o Stan e estávamos completamente seguros da sua inocência e boa fé. Esta é a prova de que o padre Swamy foi incriminado.
- Detido sob acusações absurdas de colaboração com grupos terroristas,
- morreu sob custódia aos 83 anos, debilitado por um longo e injusto encarceramento”,
afirmou o jesuíta indiano Cedric Prakash, que esteve envolvido na defesa de Swamy.
- “Hoje, entregamos [as provas] à Agência Nacional de Investigação da Índiapara que tome nota, leve a cabo a sua investigação e admita os seus erros.
- Exigimos a plena reabilitação do padre Swamy como pessoa completamente inocente, incluindo com um possível pronunciamento suo motu do Tribunal Supremo da Índia”, acrescentou.
Acusado de ligações maoístas e terroristas pelas autoridades, Stan Swamy sempre negou essas imputações:
- em causa, antes, estaria o seu apoio, nas últimas cinco décadas, a povos indígenas do país
- e à defesa dos direitos humanos, nomeadamente manifestando-se contra expropriações injustas que têm atingido a comunidade Adivasis, povo indígena de Jharkhand, conforme o 7MARGENS contou.
Fonte: https://setemargens.com/author/clara-raimundo/