Lula exalta democracia em cerimônia de diplomação no TSE

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Em um discurso após receber o documento, Lula se emocionou ao lembrar da sua primeira diplomação, em 2002, e disse que o povo brasileiro

“escolheu o amor em vez do ódio, a verdade em vez da mentira e a democracia em vez do arbítrio”.

“Na minha primeira diplomação, em 2002, lembrei da ousadia do povo brasileiro em conceder – para alguém tantas vezes questionado por não ter diploma universitário – o diploma de presidente da República”,

disse, com lágrimas no rosto.

Dois ex-presidentes da República participaram da cerimônia nesta segunda-feira: José Sarney e Dilma Rousseff.

Lula foi eleito presidente da República em 30 de outubro, no segundo turno das eleições de 2022, ao derrotar Jair Bolsonaro. O petista recebeu 60.345.999 votos — ou 50,9% dos votos válidos.

No entanto,

  • Bolsonaro e vários de seus aliados não reconhecem a derrota.
  • O partido do atual presidente chegou a tentar contestar sem sucesso o resultado do pleito na Justiça.

Apoiadores de Bolsonaro

  • também vêm lançando mão de táticas ilegais e antidemocráticas para provocar tumulto,
  • como bloqueios em rodovias, e têm apelado para que as Forças Armadas deem um golpe de Estado para impedir a posse de Lula.

Alexandre de Moraes também discursou.

“Essa diplomação atesta a vitória plena e incontestável da democracia e do Estado de direito

  • contra os ataques antidemocráticos, contra a desinformação e contra o discurso de ódio proferidos por diversos grupos organizados
  • que,  já identificados, garanto serão integralmente responsabilizados.
  • Para que isso não retorne nas próximas eleições”, 

disse Moraes.

 

Democracia ameaçada

Em uma alusão indireta às táticas de contestação da eleição e aos ataques antidemocráticos promovidos pelo presidente de extrema direita Jair Bolsonaro, Lula afirmou na cerimônia no TSE que

“poucas vezes na história recente” do Brasil “a democracia esteve tão ameaçada”.

  • “Poucas vezes na nossa história a vontade popular foi tão colocada à prova, e teve que vencer tantos obstáculos para enfim ser ouvida.
  • A democracia não nasce por geração espontânea. Ela precisa ser semeada, cultivada, cuidada com muito carinho por cada um, a cada dia, para que a colheita seja generosa para todos. (…)
  • Felizmente, não faltou quem a defendesse neste momento tão grave da nossa história”, afirmou Lula.+

 

Lula e Moraes segurando o diploma e olhando para a frente
Lula recebe o diploma de presidente das mãos de Alexandre de MoraesFoto: Evaristo Sa/AFP

Leia a íntegra do discurso de Lula na diplomação

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Elogios ao STF e TSE

Na sequência, Lula afirmou que o povo brasileiro

“escolheu o amor em vez do ódio, a verdade em vez da mentira e a democracia em vez do arbítrio”.

Ele ainda exaltou a “coragem”do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal Superior Eleitoral, que, segundo ele,

“enfrentaram toda sorte de ofensas, ameaças e agressões para fazer valer a soberania do voto popular”.

  • “Cumprimento cada ministro e cada ministra do STF e do TSE pela firmeza na defesa da democracia e da lisura do processo eleitoral nesses tempos tão difíceis.
  • A história há de reconhecer sua coerência e fidelidade à Constituição”,

completou Lula.

 

Críticas indiretas a Bolsonaro

Sem citar Bolsonaro nominalmente, Lula ainda afirmou que

“essa não foi uma eleição entre candidatos de partidos políticos com programas distintos”. “Foi a disputa entre duas visões de mundo e de governo”,

disse.

  • “De um lado, o projeto de reconstrução do país, com ampla participação popular.
  • De outro lado, um projeto de destruição do país ancorado no poder econômico e numa indústria de mentiras e calúnias jamais vista ao longo de nossa história.”

Lula ainda mencionou que

“inimigos da democracia lançaram dúvidas sobre as urnas eletrônicaseameaçaram as instituições“.

  • “Criaram obstáculos de última hora para que eleitores fossem impedidos de chegar a seus locais de votação.
  • Tentaram comprar o voto dos eleitores, com falsas promessas e dinheiro farto, desviado do orçamento público.
  • Intimidaram os mais vulneráveis com ameaças de suspensão de benefícios, e os trabalhadores com o risco de demissão sumária, caso contrariasse os interesses de seus empregadores”,

afirmou, lembrando as várias táticas ilegais lançadas por Bolsonaro e alguns dos seus apoiadores durante as eleições.

 

A democracia venceu

Após citar as irregularidades cometidas por Bolsonaro e os desafios enfrentados por sua campanha, Lula afirmou que a “democracia venceu”.

  • “Quando se esperava um debate político democrático, a Nação foi envenenada com mentiras produzidas no submundo das redes sociais”, completou Lula.
  • “Eles semearam a mentira e o ódio, e o país colheu uma violência política que só se viu nas páginas mais tristes da nossa história.

E no entanto, a democracia venceu”,

disse.

Moraes e Alckmin segurando diploma e olhando para a frente
Geraldo Alckmin também foi diplomado como próximo vice-presidente da RepúblicaFoto: Ueslei Marcelino/REUTERS

 

“O resultado destas eleições não foi apenas a vitória de um candidato ou de um partido.

Tive o privilégio de ser apoiado por uma frente de 12 partidos no primeiro turno, aos quais se somaram mais dois na segunda etapa.

  • Uma verdadeira frente ampla contra o autoritarismo, que hoje, na transição de governo,
  • se amplia para outras legendas,
  • e fortalece o protagonismo de trabalhadores, empresários, artistas, intelectuais, cientistas e lideranças dos mais diversos e combativos movimentos populares deste país.”

Ameaça global

Lula também disse que “as ameaças à democracia” não são características exclusivas do Brasil.

“A democracia enfrenta um imenso desafio ao redor do planeta, talvez maior do que no período da Segunda Guerra Mundial.

  • Na América Latina, na Europa e nos Estados Unidos, os inimigos da democracia se organizam e se movimentam.
  • Usam e abusam dos mecanismos de manipulações e mentiras, disponibilizados por plataformas digitais que atuam de maneira gananciosa e absolutamente irresponsável.
  • A máquina de ataques à democracia não tem pátria nem fronteiras”,

disse Lula.

“O combate, portanto, precisa se dar nas trincheiras da governança global, por meio de tecnologias avançadas e de uma legislação internacional mais dura e eficiente.”

Lula finalizou seu discurso afirmando que pretende

“garantir a normalidade institucional e lutar contra todas as formas de injustiça”.

“É com o compromisso de

  • construir um verdadeiro Estado democrático,
  • garantir a normalidade institucional
  • e lutar contra todas as formas de injustiça,

que recebo pela terceira vez este diploma de presidente eleito do Brasil – em nome da liberdade, da dignidade e da felicidade do povo brasileiro.”

O que é diplomação

A diplomação marca efetivamente o fim do processo eleitoral. Ela atesta que um candidato foi eleito e está habilitado a tomar posse no cargo.

O prazo final estabelecido pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é o dia 19 de dezembro, mas esse prazo costuma ser antecipado. Jair Bolsonaro e seu vice, Hamilton Mourão, por exemplo, foram diplomados em 10 de dezembro de 2018.

No caso da eleição de um presidente, a cerimônia de entrega do diploma é realizada pelo TSE.

  • Ela ocorre após a Justiça Eleitoral apurar todos os votos e vencidos os prazos para questionamentos do resultado da votação.
  • A diplomação também só pode ocorrer após uma análise da prestação de contas dos partidos, para verificar se estão dentro da legalidade.

Na última terça-feira (06/12), o TSE aprovou as contas da chapa Lula-Alckmin, que venceu a corrida presidencial.

Depois de todas as etapas, o TSE confirma o resultado do pleito e certifica os eleitos.

Segundo o Código Eleitoral, no diploma deve constar o nome do candidato, o partido e o cargo para o qual foi eleito. De acordo com o TSE, o diploma entregue a Lula traz os seguintes dizeres:

“Pela vontade do povo brasileiro expressa nas urnas em 30 de outubro de 2022, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente da República Federativa do Brasil. Em testemunho desse fato, a Justiça Eleitoral expediu o presente diploma, que o habilita à investidura no cargo perante o Congresso Nacional em 1º de janeiro de 2023, nos termos da Constituição”.

A posse, por sua vez, é o ato público pelo qual um candidato eleito assume oficialmente o mandato.

Desde 1946, o TSE expede diplomas para os eleitos —  isso só não aconteceu durante a ditadura militar.

Já as diplomações de senadores e governadores são responsabilidade dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs), e estão marcadas para ocorrer entre os dias 12 e 21 de dezembro.

Leia a íntegra do discurso de Lula na diplomação

 

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