Ladislau Dowbor: “Não é falta de comida, não é falta de recursos, mas falta de política”

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Felipe Augusto Peres – 10 Dezembro 2022 – Foto: Reprodução

 Durante Festival da Reforma Agrária, realizado pelo MST entre os dias 02 e 04 de dezembro, economista da PUC afirmou que país reúne todas as condições produtivas para assegurar a segurança alimentar e a renda da população.

A reportagem é de , publicada por MST, 08-12-2022.

 

Presente no último domingo (4) para acompanhar a “Conferência pela Alimentação Saudável no Combate à Fome”, durante o Festival da Reforma Agrária, em São Paulo, o economista, professor da PUC/São Paulo e escritor Ladislau Dowbor, em fala dada à equipe de comunicação do MST, afirmou que

  • insegurança alimentar do país não é falta de comida e nem de recurso
  • como tem afirmado a visão neoliberal do atual governo.

Dowbor lembrou que a má distribuição de renda e de comida é uma decisão política.

  • “O problema não é falta de comida, não é falta de recursos. Se você pega o PIB do Brasil, divide pelas famílias, isso dá R$13 mil por mês, por família de quatro pessoas, mas está mal distribuído.
  • Se você pega a produção de alimentos no Brasil, que é um dos maiores produtores de alimentos do mundo, se você divide, só pela produção de grãos, dá 3,7 kg por pessoa/dia”.

 

O economista também criticou as políticas que flexibilizam as leis de proteção ao meio ambiente para atender interesses da bancada ruralista relacionados com o aumento das áreas de produção dos commodities e/ou extração.

  • “Somando a lavoura permanente e temporária, nós estamos utilizando um conjunto de 63 milhões de hectares.
  • Os estabelecimentos agrícolas no Brasil são 353 milhões de hectares.
  • Estamos utilizando apenas uma pequena parte. A maior parte da terra está sendo utilizada, simplesmente, para esperar uma valorização”

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Dowbor lembrou que

  • direcionar a produção de alimentos para a exportação ao invés de produzir alimentos saudáveis que atendam as necessidades alimentares da população, combatam a insegurança alimentar,
  • é uma decisão política realizada para beneficiar as grandes multinacionais produtoras de alimentos e seus respectivos intermediários.

 

O professor da PUC/São Paulo cita como exemplo a Lei Kandir, que retira o imposto de quem exporta, orientando a produção de alimentos a uma ótica capitalista-financeira.

  • “Na verdade, nosso problema não é a falta de recurso, de saber o que fazer.
  • A realidade é que a nossa produção está sendo exportada porque vende mais, afinal de contas com a Lei Kandir a exportação não paga imposto,
  • não temos uma reorientação necessária da economia para as necessidades”.

Apenas 4 grandes transnacionais dominam a importação e a exportação de commodities agrícolas no mundo

Outro problema apontado pelo pesquisador

  • que dificulta o combate à insegurança alimentar
  • é a concentração da produção de alimentos nas mãos de apenas 4 grandes transnacionais.

Segundo Dowbor, estas dominam a importação e a exportação de commodities agrícolas no mundo.

  •  Archer Daniels
  • Midland (ADM), Bunge,
  • Cargill
  • Louis Dreyfus Company

dominam 80% do mercado mundial,

  • pressionando, deste modo, governos do mundo inteiro,
  • a adotarem políticas que beneficiem seus interesses privados
  • ao invés de resolver os problemas de falta de comida das respectivas populações.

“Queria lembrar que o comércio de alimentos no mundo está nas mãos de quatro empresas: a ADM, a Bunge, a Cargill e a Dreyfus. Oitenta (80) por cento. Grandes intermediários, controladores do sistema comercial no mundo, não ajudam a desenvolver a produção”.

 

Segundo o economista, para combater a insegurança alimentar,

  • o governo brasileiro que assumirá em janeiro
  • precisa reorientar a produção de alimentos para o consumo interno,
  • incentivando com políticas públicas o agricultor familiar.

“Na verdade, ao mesmo tempo em que a gente tem que reorientar o alimento para o consumo interno, nós temos que assegurar que os produtores sejam, efetivamente, apoiados e que tenhamos uma distribuição adequada”.

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Ladislau Dowbor encerrou a sua fala afirmando qu

  • e produzir alimentos saudáveis,
  • incentivar a sua produção por meio de políticas públicas direcionadas aos agricultores familiares,  ao invés de intermediários e grandes empresas transnacionais
  • é uma questão de soberania nacional.

De acordo com o professor,

o objetivo da economia, o cuidado com a nossa casa, consiste essencialmente em assegurar o bem-estar das famílias sem prejudicar as gerações futuras.

“Não é falta de recurso, é falta de política, porque não é só reunir a produção, mas assegurar a soberania. Soberania é isso: é utilizar a economia para assegurar as necessidades da população”.

Felipe Augusto Peres

Fonte: https://www.ihu.unisinos.br/624692-ladislau-dowbor-nao-e-falta-de-comida-nao-e-falta-de-recursos-mas-falta-de-politica

 

 

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