Começa hoje o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra / Virando as costas à CNBB, o arcebispo da Paraíba aposta contra o Plebiscito e o Grito dos Excluídos – Duas notícias contrastantes.

Começa hoje (1º de setembro) o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra
 
Começa hoje, 1° de setembro, o Plebiscito Popular pelo Limite da Propriedade da Terra. A iniciativa pretende reunir toda a sociedade brasileira para dizer se é a favor ou contra a concentração de terras no país, ou seja, se concorda ou não com o latifúndio. O objetivo desta coleta de assinaturas é entrar com um Projeto de Emenda Constitucional (PEC) no Congresso Nacional para que seja inserido um novo inciso no artigo 186 da Constituição Federal que se refere ao cumprimento da função social da propriedade rural.
 
Diversos movimentos sociais, religiosos e igrejas, em diferentes estados brasileiros, estão organizados para conseguir o máximo de participação popular possível. Entre as entidades engajadas no ato, estão o Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo (FNRA); a Assembléia Popular (AP) e o Grito dos Excluídos. O Plebiscito também conta com o apoio oficial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC).
 
“Incentivamos que todos participem dessa iniciativa, em especial, aos membros das igrejas cristãs que compõem o CONIC, organismos parceiros da caminhada ecumênica e cidadãos comuns, que sonham em, um dia, ter um país realmente justo, com mais igualdade e distribuição de renda e terra para todos”, afirma o secretário geral do CONIC, Rev. Luiz Alberto Barbosa.
 
Saiba mais:
O Brasil é o campeão mundial em concentração de terra. Dados comprovam que a pequena propriedade é a principal produtora dos alimentos que chegam à mesa dos brasileiros. Ela é responsável, por exemplo, por toda a produção de hortaliças, com 87% da mandioca, 70% do feijão, 46% do milho, 38% do café, 34% do arroz, 21% do trigo; 58% do leite, 59% dos suínos, 50% das aves. Além disso, emprega 74,4% das pessoas ocupadas no campo, enquanto que as grandes empresas do agronegócio só empregam 25,6% da mão de obra do total.

  www.limitedapropriedade.org.br

 
“Não é a primeira nem a segunda vez que os pobres da Igreja Católica da Paraíba se sentem agredidos por quem tem o dever de ser seu pastor. Há um leque de intervenções agressivas e preconceituosas de Dom Aldo Pagotto contra pessoas e grupos que defendem a causa dos pobres. Ele não apóia o Grito dos Excluídos, desacatando as orientações da CNBB e das próprias dioceses da Paraíba. O Grito aqui é realizado contra a sua vontade” – do texto abaixo
 
É bastante arriscado trazer um paulista ou sulista para ser bispo no Nordeste. Frequentemente é ou parece bem mais estrangeiro que quem veio de fato do estrangeiro, como missionário, mas que mergulhou fundo na alma e no coração deste povo valente e tão sofrido e, que, com esforço, conseguiu se inculturar.
João Tavares
Várias organizações*

 
Fonte: http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?boletim=1&lang=PT&cod=50580
Adital –

À Sociedade da Paraíba, à CNBB, ao CONIC e às organizações que patrocinam e organizam o Plebiscito sobre o limite de propriedade da terra e o Grito dos Excluídos.

A Assembléia Popular/PB, as Pastorais Sociais, os Movimentos Populares do Campo e da Cidade e as muitas organizações que, em consonância com as iniciativas assumidas pela CNBB, pelo CONIC e mais de cinqüenta outras entidades da sociedade, de conclamar o Povo brasileiro a participar ativamente do Plebiscito sobre o limite da propriedade da terra, bem como do 16º Grito dos Excluídos e Excluídas, durante a semana de 1º a 7 de setembro vindouro, vêm a público mais uma vez protestar contra as atitudes recorrentes do Arcebispo da Paraíba, Dom Aldo Pagotto, que, em desacordo com as orientações pastorais da própria CNBB, vem criticando e desestimulando as iniciativas que visem a promover a justiça social, a dignidade e a organização do Povo dos Pobres, os Trabalhadores e Trabalhadoras do campo e das periferias urbanas, as CEBs, a grande maioria das Pastorais Sociais e até padres comprometidos com a causa dos pobres, ao mesmo tempo em que não perde oportunidade para abençoar e defender os interesses dos poderosos, como o fez ainda recentemente, por meio do jornal Correio da Paraíba, em coluna por ele assinada, na qual, ao questionar, desde o título capcioso de seu artigo, o tema do Plebiscito, faz insinuações pejorativas (inclusive de roubo) em relação aos movimentos populares.
Não é a primeira nem a segunda vez que os pobres da Igreja Católica da Paraíba se sentem agredidos por quem tem o dever de ser seu pastor. Há um leque de intervenções agressivas e preconceituosas de Dom Aldo Pagotto contra pessoas e grupos que defendem a causa dos pobres. Ele não apóia o Grito dos Excluídos, desacatando as orientações da CNBB e das próprias dioceses da Paraíba. O Grito aqui é realizado contra a sua vontade. Assim agindo, Dom Aldo Pagotto não apenas desrespeita (até aqui impunemente) as orientações pastorais da CNBB, como, sobretudo, a pedagogia de Jesus, a cujo Seguimento ele jurou ser fiel, quando, ao ser ordenado bispo, respondeu positivamente à pergunta: “A exemplo do bom Pastor, queres ir buscar de volta ao rebanho do Senhor as ovelhas desgarradas?” Até porque cabe ao bispo mais do que ser chefe (“praeesse”), pôr-se a serviço dos mais necessitados (“prodesse”). (cf. Rito de Ordenação Episcopal).
Ao tempo em que trazermos a público nosso protesto, vimos solicitar à CNBB, por meio de suas instâncias competentes, que trate de advertir o Arcebispo da Paraíba com relação às suas manifestas atitudes de descumprimento de sua função de pastor, cuja missão é de reunir o rebanho, não a de espalhar a cizânia, como vem fazendo contra os pobres, na Paraíba.
 
João Pessoa, 31 de agosto de 2010.

* ASSEMBLÉIA POPULAR – CUT/PB – MST – CPT – MPA – MAB – COMUNIDADES QUILOMBOLAS – SINTER – MTC – RECID – REMAR – DCE/UFPB – CEDHOR – SPM – MTD – SAL DA TERRA – MTD -MMM – AMAZONAS – CEBs – STIPDASE – APAN – FPDTAPNE- SINDICATO DOS TRABLADORES DA LIMPEZA PÚBLICA – ESCOLA ZÉ PEÃO – RECID – REMAR – NÓS TAMBÉM SOMOS IGREJA

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