SEGURANÇA ALIMENTARBRASIL

Deutsche Welle – 2 julho 2022 | Foto: DAQUI
- São 61,3 milhões de pessoas que não têm garantia de alimentação – dentre elas, 15,4 milhões convivem com insegurança alimentar grave.
- Os dados são do período de 2019 a 2021.
O novo relatório mostra um forte agravamento da situação no Brasil:
- entre 2014 e 2016, eram 37,5 milhões de pessoas com insegurança alimentar,
- dentre elas 3,9 milhões em condição grave – quase quatro vezes menos do que hoje.
De acordo com a classificação da FAO,
- insegurança alimentar grave é quando a pessoa fica sem comida por um dia ou mais.
- Já insegurança alimentar moderada significa que a pessoa não tem certeza se conseguirá comida ou precisa reduzir a qualidade e/ou quantidade dos alimentos.
Agravamento da situação mundial
No mundo todo,
- o número de pessoas que sofrem com insegurança alimentar severa chegou a 2,3 bilhões em 2021,
- o que representa quase 30% da população mundial e revela um “grande retrocesso nos esforços para eliminar a fome e a desnutrição”, segundo a FAO.
Os dados do relatório não inclui os reflexos da guerra na Ucrânia,
- O futuro se apresenta ainda mais preocupante após o início da guerra na Ucrânia,
- que provocou distúrbios nas redes mundiais de distribuição
- e um aumento dos preços dos alimentos, energia e fertilizantes.
Em nível global, 828 milhões de pessoas sofriam com fome devido aos efeitos da pandemia da covid-19 e da crise climática no fim de 2021, segundo o mesmo relatório.
Desde o início da emergência global provocada pelo novo coronavírus, a quantidade de pessoas sem acesso a alimentos aumentou em 150 milhões.
Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA), o Fundo de Desenvolvimento Agrícola (FIDA), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo para a Infância (Unicef) cobram uma iminente revisão das ajudas atuais para encarar essa “situação catastrófica”.

As agências preveem que, se a situação prosseguir,
- o objetivo da ONU de alcançar a “Fome Zero” em 2030 não será alcançado – ou seja,
- 670 milhões de pessoas, o que representa 8% da população mundial, continuará enfrentando a fome,
- a mesma quantidade que em 2015, quando foi lançada a Agenda da ONU.
As regiões mais afetadas no mundo pela fome são
- a Ásia, com 20,2% da população afetada;
- a África, com 9,1%;
- a América Latina e Caribe, com 8,6%.
Nesta última, a insegurança alimentar
- afetou, em 2021, 40,6% dos habitantes de forma severa,
- especialmente, no Caribe e na América do Sul, onde a desnutrição dobrou desde 2015.
“Se não atuarmos desde já, nessa resposta imediata que é necessária, mas com planejamento a longo-médio prazo,
- vamos ver que não apenas estamos retrocedendo no nível de pobreza e de acesso aos serviços básicos,
- mas também que isso irá desestabilizar as comunidades mais vulneráveis
- e abrir as portas para novos conflitos e guerra”,
alerta Helene Papper, diretora de comunicação e advogada global da FIDA.
Outras pesquisas
No final do mês passado, uma pesquisa do Datafolha revelou que um em cada quatro brasileiros (26%) afirma não ter comida suficiente para alimentar seus familiares.
No começo de junho, o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia da Covid-19 no Brasil
- apontou que 33,1 milhões de pessoas no Brasil não têm o que comer,
- fazendo o país regredir a um patamar de insegurança alimentar equivalente ao da década de 1990.
A pesquisa revela que 58,7% da população brasileira convive com a insegurança alimentar em algum grau – leve, moderado ou grave (fome).
Atualmente, apenas quatro em cada 10 domicílios brasileiros conseguem manter acesso pleno à alimentação, ou seja, estão em condição de segurança alimentar.
le (EFE, ots)
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