
Duas arquidioceses espanholas querem propor ao Sínodo sobre a Sinodalidade de 2023 a abolição do celibato sacerdotal, a ordenação de mulheres e mudança na moral sexual da Igreja.
A arquidiocese de Saragoça propõe
- “acompanhar e acolher todos os modelos de família (cristãos divorciados recasados civilmente, homossexuais…)”
- e “revisar e esclarecer alguns ensinamentos sobre a moral pessoal, renovando a moral sexual e familiar, à luz dos sinais dos tempos”.
A arquidiocese de Barcelona, do arcebispo Juan José cardeal Omella Omella, atual presidente da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), quer
- “uma Igreja que adapte os diferentes ministérios, abrindo a possibilidade
- de celibato facultativo ou a possibilidade de acesso ao sacerdócio de homens casados (como já acontece nas Igrejas do mundo oriental latino-católico)”.
O Sínodo dos Bispos, que terá como tema
“Por uma Igreja sinodal: comunhão, participação e missão”,
será em outubro de 2023 no Vaticano.
A preparação para o Sínodo tem três etapas.
- A primeira, feita em nível diocesano, aconteceu entre outubro de 2021 e abril de 2022.
- Uma segunda fase será “continental”, e ocorrerá entre setembro de 2022 e março de 2023.
- A terceira etapa, da “Igreja Universal”, ocorrerá quando a secretaria geral do Sínodo enviar aos participantes da Assembleia Sinodal, que se reunirá no Vaticano em outubro de 2023, o texto do segundo Instrumentum Laboris, ou documento do Sínodo.
A arquidiocese de Barcelona publicou a “Síntese da fase diocesana do Sínodo 2021-2023”, publicada em 29 de maio de 2022.
Na seção
“Perspectivas: próximos passos a que o Espírito nos convida”,
o documento diz que
- o papel “das mulheres deve ser fortalecido, avançando no reconhecimento real e efetivo da igualdade e dignidade de todos os batizados, especialmente delas, (…)
- e que se avance na reflexão sobre o acesso delas ao diaconato e, se possível, magisterialmente, ao presbiterado”.
Entre os grupos que participaram da fase diocesana em Barcelona está
- a Associação Cristã de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais da Catalunha,
- que se define em seu site como
“um espaço de encontro ecumênico para todos os cristãos LGBT que desejam
- compartilhar suas experiências,
- viver sua fé e sua homossexualidade com naturalidade,
- promovendo o crescimento integral do ser humano”.
Segundo o documento da arquidiocese de Barcelona, que atende mais de 2 milhões de fiéis católicos,
- foram recolhidas contribuições de “cerca de 7 mil pessoas”
- para a preparação das propostas.
A arquidiocese de Saragoça, cuja catedral-basílica de Nossa Senhora do Pilar abriga a coluna sobre a qual a Virgem Maria, segundo a tradição, apareceu ao Apóstolo São Tiago por volta do ano 40 depois de Cristo, em plena evangelização da atual Espanha, propõe
“abrir o diálogo e o debate teológico sobre o acesso das mulheres aos ministérios, incluindo o diaconato e o sacerdócio”.
As propostas recolhidas em cada diocese foram enviadas à Conferência Episcopal Espanhola, que por sua vez preparará um resumo que será apresentado oficialmente no sábado, 11 de junho.
ACIDIGITAL