
Lucas Scatolini – 28 março 2022
Diretor do DataSUS entregou à Amazon dados da rede pública com informações sensíveis da população. Depois virou gerente da gigante tecnológica, gerando suspeita de grave ingerência privada no SU
Segundo o Brasil de Fato,
- Jacson Barros, então diretor do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS), do ministério da Saúde,
- firmou uma parceria com a empresa em abril de 2020 para migrar os dados da rede pública, com informações sensíveis de toda a população brasileira,
- para serem administrados pelo serviço de nuvem da gigante tecnológica.
Hoje, ele trabalha para a corporação.
Barros ainda permaneceu no cargo por mais um ano, quando em 7 de agosto do ano passado,
- foi convidado a um podcast da empresa para explicar a função do órgão
- e a importância dos serviços de armazenamento digital na Saúde.
Quatro dias depois, foi exonerado do cargo;
- menos de um mês depois, assumia o posto de Gerente de Desenvolvimento de Negócios Estratégicos da Amazon Web Services.
- Mesmo que não haja uma ilegalidade expressa, especialistas acham que o caso deveria ser analisado por órgãos competentes, e ser questionado pelo claro conflito de interesses.
“Um servidor assumir um cargo na empresa que tem relação com o ministério em que atuava, logo após sua saída do governo, pode atentar contra os princípios da administração pública”,
afirmou à reportagem o advogado Martim Arantes, que tem experiência na relação entre poder público e sociedade civil.
Além disso,
- o governo ignorou a estrutura pública, como a do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) e da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência (Dataprev),
- com expertises em processamento de dados e ampla experiência na gestão de informações digitais da população.
Deixando de lado a questão da ética questionável,
- é importante observar que a entrega da estrutura pública para os serviços privados
- pode impactar a população, ainda mais quando o país atravessa uma pandemia.
Em dezembro do ano passado, por exemplo,
- um ataque cibernético derrubou o site do ministério da Saúde e o aplicativo ConecteSUS – responsável por fornecer o Certificado Nacional de Vacinação Covid-19.
- O ataque ocorreu na infraestrutura de nuvem privada contratada pela empresa Primesys,
- sob um acordo com o governo brasileiro que não incluía serviços de segurança, apenas hospedagem.
E a crise de apagão caiu como uma luva para as intenções negacionistas de Bolsonaro, que adiava a aprovação da exigência de passaporte vacinal às pessoas enquanto o mundo enfrentava uma nova onda causada pela variante ômicron, como mostrou o Outra Saúde.
Lucas Scatolini
Fonte: https://outraspalavras.net/outrasaude/tenebrosas-transacoes-no-ministerio-da-saude/