Após repercussão negativa, mineradoras abandonam defesa de PL que atinge terras indígenas

Nota de gigantes da mineração divulgada hoje contraria artigo publicado há dois anos que defendia PL 191/2020.

A reportagem é de Murilo Pajolla, publicada por Brasil de Fato, 15-03-2022.

 

 

Gigantes da mineração com atuação no Brasil – como ValeVallourecSamarcoRio Tinto e Anglo American – voltaram atrás no apoio ao Projeto de Lei (PL) 191/2020, que autoriza a exploração mineral em terras indígenas.

Por meio de nota do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram),

  • as empresas se pronunciaram nesta terça-feira (15) contra a aprovação do texto,
  • uma das agendas legislativas prioritárias do governo de Jair Bolsonaro (PL).

Segundo o comunicado,

  • o projeto “não é adequado para os fins a que se destina”
  • e deveria “ser amplamente debatida pela sociedade brasileira,
  • especialmente pelos próprios povos indígenas“.

O posicionamento contraria um artigo em defesa do PL 191/2020 assinado pelo diretor-presidente do Ibram, Flávio Ottoni Penido, e publicado pela Folha de S.Paulo em fevereiro de 2020.

“Para o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) (…) a iniciativa é adequada e deve ser apoiada pelos brasileiros”, escreveu Penido.

“A aprovação desse projeto de lei trará segurança jurídica e condições de competitividade para as mineradoras direcionarem seus eventuais investimentos em terras indígenas”,

continua o texto de autoria do presidente do Ibram publicado há dois anos.

O recuo foi tema de uma postagem do Observatório da Mineração:

 

Repercussão negativa

A pressa pela aprovação do projeto repercutiu negativamente na opinião pública.

 

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Antes da mobilização, Bolsonaro afirmou que o conflito na Ucrânia é uma “boa oportunidade” para liberar a atividade nas áreas indígenas, em função da redução da oferta de fertilizantes produzidos na Rússia.

Embora represente um recuo na defesa do PL, o comunicado mais recente do Ibram reafirma que a

“mineração industrial pode ser viabilizada em qualquer parte do território brasileiro”,

desde que amparada pela legislação.

Leia na íntegra o comunicado do Ibram do dia 15 de março de 2022

 

“O Ibram (Instituto Brasileiro de Mineração) entende que

  • PL 191/2020, encaminhado pelo poder Executivo ao Congresso Nacional, não é adequado para os fins a que se destina,
  • que seria regulamentar o dispositivo constitucional que prevê a possibilidade de implantação de atividades econômicas em terras indígenas como geração de energia, produção de óleo, gás e mineração. …

Uma vez que a mineração em terras indígenas está inscrita na Constituição Federal, artigos 176 e 231,

  • a sua regulamentação precisa ser amplamente debatida pela sociedade brasileira,
  • especialmente pelos próprios povos indígenas, respeitando seus direitos constitucionais,
  • e pelo parlamento brasileiro.

Ibram considera que a mineração industrial pode ser viabilizada em qualquer parte do território brasileiro, desde que condicionada

  • aos requisitos de pesquisa geológica,
  • estudos de viabilidade econômica,
  • licenças ambientais embasadas em estudos
  • e outras autorizações previstas em lei,

de modo a preservar a vida e o meio ambiente, em especial na Amazônia, evitando o desmatamento.

No caso de mineração em terras indígenas, quando regulamentada,

  • é imprescindível o CLPI (Consentimento Livre, Prévio e Informado) dos indígenas.
  • CLPI é um princípio previsto na OIT 169 e em uma série de outras diretivas internacionais, o qual define que cada povo indígena,
  • considerando sua autonomia e autodeterminação, pode estabelecer seu próprio protocolo de consulta para autorizar as atividades que impactem suas terras e seus modos de vida.

É importante destacar que

  • o Ibram condena qualquer atividade de garimpo ilegal em terras indígenas, na Amazônia ou em qualquer parte do território nacional,
  • e acredita que esta atividade deve ser rigorosamente combatida e seus promotores responsabilizados penalmente.

A preservação da Amazônia é condição necessária para as discussões de todos os temas relativos à mineração no Brasil.”

 

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.Murilo Pajolla

Fonte: https://www.ihu.unisinos.br/617028-apos-repercussao-negativa-mineradoras-abandonam-defesa-de-pl-que-atinge-terras-indigenas

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