
Por Moisés Mendes / 25 de fevereiro de 2022
“Dizem agora que os americanos estão de novo preocupados com as vítimas civis e com os direitos humanos nessa guerra” – Imagem: Reprodução
É complicado assumir posição, porque uns e outros, dos dois lados, são todos cínicos em guerra. Sempre foram, mas nunca como agora.
Junte informações e argumentos e, se quiser e puder, vá pulando de lado, de acordo com as novas notícias que chegam sobre a guerra Rússia-Ucrânia. E assim escolha seu lado, se for possível.
Comece pela certeza de que o maior protagonista dessa guerra, amado por boa parte das esquerdas, é um déspota eleito.
Mas Putin, o homem que afronta o mundo ocidental, parece ser, mas nem comunista é. Não é uma simplificação, é uma realidade.
Leve em conta os sentimentos e não só o que possa ser racional ou pareça ser muito complexo. Considere que Volodimir Zelenski, o presidente da Ucrânia, é um humorista que chegou ao poder por ser uma celebridade que fazia o povo rir.
Um vídeo famoso desse Zelenski engraçado mostra o sujeito metralhando os congressistas ucranianos, em nome da nova política.
Ele é o Bolsonaro da Ucrânia.
O invadido deveria ter sido protegido pelo mundo ocidental contra o que seria a ameaça de novo avanço da Rússia.
- Boris Johnson, o mais medíocre de todos os líderes europeus nos séculos 20 e 21, é um dos chefes dessa turma.
- Mas Zelenski grita ao mundo que foi abandonado pelo grupo de Boris.
Já Putin
- também é aliado de outro fascista, o presidente da Bielorrússia, Aleksandr Lukashenko,
- que talvez seja mais do que fascista, talvez seja mesmo um neonazista.
- Muitos blindados russos entraram na Ucrânia depois de pernoitar na terra do terrível Lukashenko.
No ano passado, as mulheres foram às ruas de Minsk, e os democratas do mundo todo esperaram o dia em que elas derrubariam Lukashenko.
Seria um modelo mundial de levante liderado por mulheres de todas as idades, mães, filhas, tias, sobrinhas, avós, primas. Não conseguiram e parece que ninguém conseguirá.
E aí então, voltando a Putin,
- é preciso considerar que o russo é aliado da Venezuela de Nicolás Maduro
- e sempre que pode protege seu amigo diante das ameaças americanas.
Mas, dias antes de começar a guerra,
- Putin chamou Bolsonaro para uma conversa sobre, dizem, apenas amenidades.
- E Bolsonaro é inimigo de Maduro.
E Joe Biden, que fez o mundo acreditar em mudanças em todas as áreas do poder americano, depois de uma eleição traumática contra Trump, tem um filho chamado Hunter Biden, que faz negócios estranhos na Ucrânia.
E Donald Trump, que agrupou a direita americana em torno da extrema direita,
- é um inimigo de Moscou, certo?
- Nem tanto. Os Estados Unidos são, mas ele não.
Está provado que
- Trump se elegeu em 2016 com a ajuda da Rússia,
- que acionou robôs de milícias de todo tipo
- para criar confusão, disseminar fake news e atacar Hilary Clinton e a alquebrada democracia americana.
O mesmo Trump que contava com a ajuda de Putin tentou, em 2019, comprar Zelenski.
- Destravaria um pacote com uma ajuda americana à Ucrânia,
- se o humorista-presidente investigasse o filho de Biden.
Zelenski, inimigo de Putin, que era amigo de Trump, comprometeu-se, bem faceiro, a fazer o serviço. Receberia 400 milhões de dólares para usar na área militar e enfrentar Putin, o amigo de Trump.
É tudo muito confuso. Não há um resumo pronto e possível que dê alguma coerência aos argumentos e às conexões de um e de outro lado nessa guerra.
Putin, que tem o apoio da China,
- anda de mãos dadas com Bolsonaro,
- que odeia a China e Maduro,
- mas Maduro tem a proteção de Putin.
Biden, o democrata progressista,
- apoia um fascista ucraniano e odeia Putin,
- que admira Trump, que já declarou admiração por Putin.
Generais brasileiros,
- que odeiam o comunismo,
- foram a Moscou na companhia de Carluxo
- e viram Bolsonaro colocar flores no mausoléu do soldado desconhecido.
O soldado desconhecido russo
- é comunista e enfrentou e derrotou os nazistas,
- que na versão renovada século 21 já enviaram uma deputada europeia ao Brasil para tirar fotos com Bolsonaro,
- que já foi adorado pela direita judaica.
Vladimir Zelenski, o presidente da Ucrânia,
- já defendeu ardorosamente o jogador de futebol ucraniano Roman Zozulya,
- que joga na Espanha e é identificado com grupos nazistas.
- Zelenski é judeu.
Acima de tudo e de todos, a Otan, a Organização do Tratado Atlântico Norte,
- que tenta tutelar o mundo e repudia invasões,
- desde que não sejam de americanos e de europeus em terras alheias
- onde eles pretendem levar a ‘democracia’.
Dizem agora que os americanos estão de novo preocupados com as vítimas civis e com os direitos humanos nessa guerra.
- Os sobreviventes de Hiroshima e Nagasaki conhecem bem essa conversa.
- Assim como as populações civis do Afeganistão e do Iraque.
Então, se está complicado escolher um lado, chame o tio do zap, aquele que tudo sabe e tudo resume, e peça informações. Em uma semana, ele saberá tudo da guerra.
Use a capacidade de ‘discernimento’ de quem é bolsonarista, extremista, negacionista, odeia a ciência e até já aplaudiu a discriminação de gays, trans, negros, índios e mulheres.
Se o tio do zap for para um lado, corra para o outro. Mas cuidado, porque do outro lado, do lado contrário ao do tio do zap nesse conflito, pode estar o primo do zap.
- No fim, o esforço para se posicionar, com Putin ou com Zelenski,
- pode ser apenas um vício imposto pelas redes sociais.
- Todos querem ser estrategistas de internet nessa guerra.
É complicado assumir posição, porque uns e outros, dos dois lados, são todos cínicos em guerra. Sempre foram, mas nunca como agora.
É difícil escolher um lado num conflito em que até Bolsonaro tenta ser protagonista. Mas Bolsonaro sabe que foi a Moscou, mas nem sabe onde fica Moscou.
