1. Lembrou:
“O nascimento de Jesus é um acontecimento universal que afecta todos homens.” “Para chegar a Belém é preciso pôr-se a caminho, correr riscos, perguntar e até enganar-se.” “Hoje, quereria levar a Belém os pobres e também aqueles que julgam não ter Deus, para que possam compreender que só n’Ele se realizam os nossos desejos e se chega a ser profundamente humano”.
- “Os Magos representam também os ricos e os poderosos,
- mas só aqueles que não são escravos da posse,
- que não estão “possuídos” pelas coisas que julgam possuir.”
2. Migrantes e refugiados.
“A família de Nazaré experimentou na primeira pessoa a precariedade, o medo e a dor de ter de abandonar a sua terra natal.
“São José, tu que experimentaste o sofrimento dos que têm de fugir para salvar a vida dos seus entes mais queridos, protege todos os que fogem por causa da guerra, do ódio, da fome. A História está cheia de personalidades que, vivendo à mercê dos seus medos, procuram vencê-los exercendo o poder de modo despótico e realizando actos de violência desumanos.”
3. Dia Mundial da Paz.
“Se nos convertermos em artesãos da fraternidade, poderemos tecer os fios de um mundo lacerado por guerras e violências.” “Não serve de nada ir-se abaixo e queixar-se, precisamos de arregaçar as mangas para construir a paz”. Aqui, é essencial recordar que no Natal “Deus não veio com o poder de quem quer ser temido, mas com a fragilidade de quem pede para ser amado.”
4. Natal é tempo de família.
Assim, escreveu uma carta aos casais de todo o mundo.
Alguns extractos:
“Que estar juntos não seja uma penitência, mas um refúgio no meio das tempestades.”
“As famílias têm o desafio de estabelecer pontes entre as gerações para a transmissão dos valores que conformam a humanidade. É necessária uma nova criatividade para, frente aos desafios actuais, configurar os valores que nos constituem como povo nas nossas sociedades e na Igreja, Povo de Deus.”
“É importante que, juntos, mantenhais o olhar fixo em Jesus. Só assim encontrareis a paz, superareis os conflitos e encontrareis soluções para muitos dos vossos problemas. Estes não vão desaparecer, mas podereis vê-los a partir de outra perspectiva.”
“Que o cansaço não ganhe, que a força do amor vos anime para olhar mais para o outro – o cônjuge, os filhos – do que para o próprio cansaço.”
“Muitos viveram inclusivamente a ruptura do casamento que vinha sofrendo uma crise que não se soube ou não se pôde superar. Também a estas pessoas quero exprimir a minha proximidade e o meu afecto,”
“A ruptura de uma relação conjugal gera muito sofrimento devido ao afundamento de tantas expectativas;
- a falta de entendimento provoca discussões e feridas não fáceis de reparar.
- Também não é possível poupar os filhos ao sofrimento de ver que os pais já não estão juntos.
- Mesmo assim, não deixeis de procurar ajuda para que os conflitos possam de algum modo ser superados e não causem ainda mais dor a vós e aos filhos.”
“Se antes da pandemia era difícil para os noivos projectar um futuro, quando era complicado encontrar um trabalho estável, agora a situação de incerteza laboral aumenta ainda mais.” “A família não pode prescindir dos avós. Eles são a memória viva da humanidade, e esta memória pode ajudar a construir um mundo mais humano, mais acolhedor.”
No Dia da Sagrada Família, voltou ao tema.
Para denunciar
“a violência física e moral que quebra a harmonia e mata a família”.
Para pedir:
“Passemos do ‘eu’ ao ‘tu’. E, por favor, rezai todos os dias um pouco juntos, para pedir a Deus o dom da paz. E comprometamo-nos todos – pais, filhos, Igreja, sociedade civil – a apoiar, defender e proteger a família.”
“É perigoso quando, em vez de nos preocuparmos com os outros, nos centramos nas nossas próprias necessidades; quando, em vez de falar, nos isolamos com os nossos telefones móveis; quando nos acusamos uns aos outros, repetindo sempre as mesmas frases, querendo cada um ter razão e no fim há um silêncio frio.”
“Talvez não tenhamos nascido numa família excepcional e sem problemas, mas é a nossa história, são as nossas raízes: se as cortarmos, a vida seca.”
“Jesus é também filho de uma história familiar, inserido na rede de afectos familiares, nascendo e crescendo no abraço e com a preocupação dos seus.”
E
“até na Sagrada Família nem tudo corre bem: há problemas inesperados, angústia, sofrimento.”
Contra o inverno demográfico:
“Alguns perderam a vontade de ter filhos ou só querem um. Pensem nisto: é uma tragédia. É um problema demográfico: façamos todo o possível para vencer este inverno demográfico, que vai contra a nossa pátria e o nosso futuro.”
Neste contexto, condenou com vigor a violência contra as mulheres:
“Basta. Ferir uma mulher é ultrajar a Deus.”
5. Não esqueceu a Cúria:
“A humildade é requisito” para o governo da Igreja.
“Se o Evangelho proclama a justiça, nós devemos ser os primeiros a procurar viver com transparência, sem favoritismos nem grupos de influência.”
E a Igreja somos todos.
“Todos! não é uma palavra que possa ser mal interpretada.
O clericalismo faz-nos pensar sempre num Deus que fala só a alguns enquanto os outros só têm de escutar e executar.”
A missão de Francisco é continuar a pôr fim a esta situação.
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Anselmo Borges
Fonte: https://www.dn.pt/opiniao/o-papa-francisco-em-tempo-natalicio-14468674.html
