ESTADOS UNIDOS
Ex-conselheiro de Trump e ideólogo da nova direita americana é acusado de ter conhecimento prévio sobre a invasão ao Capitólio e insuflar turba de extremistas a tentar impedir certificação da vitória eleitoral de Biden.
Aliado de Trump, Steve Bannon aproveitou presença da imprensa para lançar novos ataques ao presidente Biden.
Steve Bannon, ex-estrategista-chefe de Donald Trump, se entregou nesta segunda-feira (15/11) às autoridades americanas após ter sua prisão decretada.
Ele responde a duas acusações de desacato, após se recusar a colaborar com uma investigação sobre a invasão do Capitólio – a sede do Congresso americano – no dia 6 de janeiro.
Bannon, principal estrategista da campanha vitoriosa de Trump em 2016 e um dos ícones da nova direita nos Estados Unidos, aproveitou a ocasião para
- chamar a atenção de seus apoiadores,
- promover seu site War Room,
- e lançar novos ataques ao atual presidente do país.
“Isso é só barulho”, afirmou aos jornalistas, ao chegar cercado de seguranças ao escritório do FBI.
“Quero que vocês se mantenham focados nesta mensagem. Vamos derrubar o regime de Joe Biden.”
Na última sexta-feira, um júri indiciou Bannon, de 67 anos, por se recusar a testemunhar ou fornecer documentos ao comitê da Câmara dos Representantes que investiga o violento ataque ao Capitólio, em Washington. A pena para cada uma das duas acusações de desacato varia de um mês a um ano de prisão.
Os investigadores acreditam que Bannon e outras pessoas próximas ao ex-presidente Trump poderiam ter informações sobre as ligações entre a Casa Branca e a turba de apoiadores da direita radical americana que invadiram a sede do Congresso.
O incidente ocorreu no dia em que os parlamentares iriam certificar a vitória de Biden sobre Trump nas eleições de novembro de 2020. Os apoiadores de Trump se baseavam em acusações feitas pelo ex-presidente de que teria havido fraude nas eleições, o que jamais chegou a ser provado.
Conhecimento prévio do ataque
Em outubro, a Câmara dos Representantes, de maioria democrata, aprovou uma resolução contra Bannon com 229 votos a favor – nove deles de republicanos – e 202 contra, pedindo ao Departamento de Justiça que tomasse providências contra o ex-estrategista de Trump.
A comissão de investigação intimou Bannon a depor por acreditar que
“tinha algum conhecimento prévio dos acontecimentos extremos que aconteceram”
em 6 de janeiro, quando Trump incentivou uma insurreição.
A turba de apoiadores do republicano
- acabou invadindo e depredando o Capitólio, interrompendo o processo que oficializava a vitória de Biden nas eleições – e a derrota de Trump.
- Cinco pessoas morreram no episódio.
Os legisladores baseiam as suas suspeitas contra Bannon em declarações que o ultradireitista fez em seu podcast na véspera do ataque ao Capitólio por centenas de apoiadores radicais do ex-presidente.
“Será que o caos se vai instalar amanhã? Muitas pessoas me disseram: ‘Se houvesse uma revolução, seria em Washington’. Bem, este vai ser o momento de vocês na história”,
disse Bannon aos seguidores.
Bannon, que não quer depor ao Congresso,
- se amparou em uma ação judicial apresentada por Trump
- para impedir que certos documentos relacionados com os acontecimentos ocorridos sejam revelados,
- pedindo ao comitê que adie o seu comparecimento até que a Justiça decida, o que foi rejeitado.
Em 2016, Bannon foi apontado como um dos estrategistas-chave da avalanche de boatos e mentiras que turbinaram a bem-sucedida campanha de Trump, fomentando rancor de setores do eleitorado conservador em questões como imigração.
Ligações com clã Bolsonaro
Bannon, um ex-executivo dos setores bancário e de mídia que já comandou o site de ultradireita Breitbart News,
- também mantém laços estreitos com a família Bolsonaro, especialmente com o deputado de extrema direita Eduardo Bolsonaro, que costuma elogiar o americano.
- Bannon já prestou várias consultorias informais ao clã brasileiro e anunciou apoio a Jair Bolsonaro antes do segundo turno das eleições de 2018.
Ele ainda criou um projeto internacional chamado “O Movimento”, para aproximar líderes populistas de direita e extremistas pelo mundo. O deputado Eduardo Bolsonaro é o representante do grupo no Brasil.
Ele ainda mantém relações com o ideólogo ultraconservador Olavo de Carvalho, que exerce influência sobre os filhos do presidente Jair Bolsonaro.
- Bannon chegou a ser preso em agosto de 2020
- sob a acusação de desviar dinheiro de uma campanha de apoio à construção de um muro entre os Estados Unidos e o México – que havia sido uma das promessas da campanha de Trump em 2016.
- Ele acabou sendo solto após pagar fiança de US$ 5 milhões.
Em novembro do mesmo ano, ele ainda teve sua conta no Twitter excluída por “glorificação da violência” ao escrever que Anthony Fauci — principal especialistas em doenças infecciosas dos EUA — e o diretor do FBI Christopher Wray deveriam ser decapitados.
rc/lf (Reuters, AFP)
Deutsche Welle
Fonte: https://www.dw.com/pt-br/vamos-derrubar-biden-diz-bannon-ao-se-entregar-ao-fbi/a-59829592
