COP26 em Glasgow

Manuel Pinto | 3 Nov 21 – A imagem da petição, em português, retirada do site oficial. Foto: DAQUI
O apelo de inúmeros líderes religiosos por uma ação corajosa da 26ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP26) foi esta terça-feira, dia 2, reforçado com a apresentação, aos delegados, da petição “Planeta Saudável, Pessoas Saudáveis”.
A petição por uma ação urgente da COP26 traz as assinaturas e reivindicações de mais de 100 mil católicos e 425 organizações parceiras que, juntas, representam centenas de milhares de católicos dos seis continentes.
Entre os subscritores encontram-se o cardeal ganês Peter Turkson, prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral do Vaticano, e o bispo Victor Phalana, da diocese de Klerksdorp, África do Sul.
A tomada de posição
- apela aos governos a estabelecerem metas ambiciosas para enfrentar conjuntamente a emergência climática e a crise da biodiversidade;
- limitar o aquecimento global a 1,5 graus Celsius e assegurar que não haja mais perda de biodiversidade;
- garantir uma ação global equitativa;
- e proteger e respeitar os direitos humanos, incluindo os direitos dos povos indígenas e comunidades locais nas ações relacionadas com o clima e com a biodiversidade.
O documento surgiu no mesmo dia em que foram assinados os dois primeiros acordos da Conferência:
- o primeiro, envolvendo 110 países(incluindo Brasil, EUA e Rússia), detentores de 85% da floresta mundial,
- no sentido de parar com a destruição da floresta e reflorestar zonas destruídas, o que implica um custo de 19.200 milhões de dólares;
- o outro, com 80 países a prometer reduzir as emissões de metano em 30% até 2030.
Também neste dia, o Papa fez chegar aos delegados, em Glasgow, uma nova chamada de atenção:
- “Enquanto nos preparávamos para a COP26, ficava cada vez mais claro que não há tempo a perder.
- Muitos dos nossos irmãos e irmãs estão a sofrer com esta crise climática.
- As vidas de inúmeras pessoas, especialmente as mais vulneráveis, têm sentido os seus efeitos cada vez mais frequentes e devastadores”,
refere a mensagem de Francisco.
“O ‘mercado’ preocupa-se muito pouco com os desfavorecidos”
Os países mais ricos, prosseguiu o Papa,
“precisam de assumir um papel de liderança nas áreas
- de financiamento do clima,
- da descarbonização no sistema económico e na vida das pessoas,
- na promoção de uma economia circular,
- apoiando os países mais vulneráveis para que se possam adaptar ao impacto das mudanças climáticas e responder às perdas e danos por estas causados”.
Mostrando-se entristecido com o atraso que se verifica no cumprimento do acordado no tratado de Paris há seis anos, Francisco vincou o apelo:
“Isto não pode continuar! Num futuro próximo, os migrantes por razões ambientais vão ser mais numerosos do que os refugiados da guerra e dos conflitos. É chegada a hora de agir com urgência, coragem e responsabilidade.”
Mas há problemas que as medidas para reduzir drasticamente o aquecimento médio vão desencadear,
- nomeadamente para os trabalhadores das indústrias
- e setores que terão de reduzir significativamente a produção
- e, eventualmente reconverter-se.
Na última semana, os dirigentes dos serviços católicos de ação social na Austrália
- davam conta das preocupações vividas pelas famílias dos segmentos mais pobres da sociedade com as consequências das políticas de resposta à emergência climática.
- Por exemplo: como vai o governo acautelar a possibilidade de acesso a novas fontes de energia ou a habitação social com eficiência energética?
O Governo, de orientação liberal, confia que o mercado resolverá os problemas.
- Mas os resultados deste tipo de políticas que deixa a resolução dos problemas à lógica da oferta e da procura
- já mostraram a quem servem:
“Como temos visto ao longo de décadas,
- ‘o mercado’ preocupa-se muito pouco com os desfavorecidos”, avisam os responsáveis católicos.
- “Sabemos por experiência consolidada ao longo de gerações que, quando se trata de partilhar os benefícios das mudanças impulsionadas pelo mercado,
- os desfavorecidos são sempre deixados à sua sorte.”
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Manuel Pinto
Fonte: Fonte: https://setemargens.com/425-organizacoes-catolicas-e-100-mil-fieis-reivindicam-planeta-saudavel/
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