Revelação de Biden sobre as palavras do papa sobre a Comunhão foi indelicada, mas perdoável

U.S. President Joe Biden, accompanied by his wife, Jill, is pictured with Pope Francis during a meeting Oct. 29 at the Vatican. (CNS/Vatican Media)
Michael Sean Winters – 30 Outubro 202

 “Nós apenas conversamos sobre o fato de que ele estava feliz que eu sou um bom católico e deveria continuar recebendo a Comunhão”, disse o presidente dos Estados UnidosJoe Biden, após o encontro com o Papa Francisco.

O comentário é de Michael Sean Winters, publicado em National Catholic Reporter, 29-10-2021. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

 

Lá vai ele de novo. Biden certamente sabe que é considerado falta de educação – brutta figura, como dizem os romanos – revelar aquilo que você conversou com o papa, especialmente se isso for de natureza privada.

  • Mas ele é um católico praticante que acabou de se encontrar com o papa por mais de 75 minutos!
  • Ele certamente podia imaginar os seus pais, as freiras que o educaram quando menino, os padres da sua infância, todos olhando lá do céu e sorrindo. É claro que ele não iria deixar isso “escapar”, mesmo que quebrasse o protocolo diplomático.

Além disso, estamos falando de Joe Biden.

  • Ele não precisava sussurrar no ouvido do presidente Barack Obama que assinar o Affordable Care Act era “um p*** negócio”, mas ele o fez.
  • Ele não deveria ter falado na frente de Obama sobre o apoio ao casamento gay, mas ele o fez.

Se você acha que a qualidade mais importante em um político é a disciplina da mensagem, Biden nunca foi a pessoa certa para você!

  • O comentário foi mais do que um pensamento impetuoso; foi impolítico.
  • Ao compartilhar com o mundo o que o papa disse privadamente, Biden não ajudou exatamente os bispos estadunidenses que estão tentando ajudá-lo.

O argumento deles contra aqueles que clamam

  • para que a Conferência Episcopal emita um documento insistindo que Biden e outros políticos pró-escolha não podem receber a Comunhão
  • é de que a Conferência nunca apoiou tomar tal posicionamento, de que apenas o pastor de uma pessoa poderia impor uma pena tão terrível.

Embora Francisco tenha jurisdição universal, ele não é exatamente o pastor de Biden.

Isso leva ao fato mais óbvio sobre toda essa confusão: como a Igreja dos Estados Unidos é diferente!

  • Quem podia duvidar que Francisco diria a Biden para continuar recebendo a Comunhão?
  • Em nenhum outro lugar do mundo os bispos pensam (como alguns bispos dos Estados Unidos) que os políticos deveriam ser penalizados por suas posições em questões de políticas públicas, negando-lhes o acesso à Eucaristia.

Somente nos Estados Unidos alguns bispos têm mais confiança em seu poder de penalizar do que na graça dos sacramentos para converter o coração humano.

Somente nos Estados Unidos os bispos agem como se fossem a diretoria de uma ONG antiaborto, e não como pastores da Igreja de Jesus Cristo. Francisco não é dos Estados Unidos.

Ao revelar o que o papa lhe disse, Biden cutucou a onça guerreira cultural de direita com vara curta, mas ela não precisava de muito para ser provocada.

As fotos de Biden e Francisco rindo e sorrindo foram o suficiente para incomodá-la. Mesmo assim, ao compartilhar o comentário do papa, Biden garantiu que houvesse ainda mais dores de cabeça do que as que eu havia previsto.

Haja hospital de campanha!

 

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