
“Depois de colocar o ‘formalismo’ em primeiro lugar entre os ‘riscos’ a serem evitados no incipiente Sínodo, o bispo de Roma também indicou, antes das ‘oportunidades’ a ele associadas, a necessidade substancial ‘de instrumentos e estruturas que favoreçam o diálogo e a interação no Povo de Deus, especialmente entre sacerdotes e leigos’.
Proibição papal, portanto, de ‘reduzir o Sínodo a um evento de fachada para dar uma bela imagem de nós mesmos’”
A opinião é de Sergio Ventura, jurista italiano, em artigo publicado em Vino Nuovo, 16-10-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.
Eis o artigo.
Desta vez, com uma pitada de autoironia, é preciso admitir: eu tinha acabado de me permitir apontar ao Papa Francisco que no discurso à diocese de Roma
“teria evitado aquela passagem mesmo que apenas ligeiramente crítica sobre a reforma das estruturas (‘a Igreja não se fortalece apenas reformando as estruturas – este é o grande engano!’)”,
quando eis que me dou conta que, no recente momento de reflexão para o início do percurso sinodal, já estava contida a resposta.
- Depois de colocar o “formalismo” em primeiro lugar entre os “riscos”a serem evitados no incipiente Sínodo,
- o bispo de Roma também indicou, antes das “oportunidades” a ele associadas, a necessidade substancial
- “de instrumentos e estruturas que favoreçam o diálogo e a interação no Povo de Deus, especialmente entre sacerdotes e leigos”.
Proibição papal, portanto,
- de “reduzir o Sínodo a um evento de fachada para dar uma bela imagem de nós mesmos”,
- diante de um convite urgente, “para nos encaminharmos não ocasionalmente, mas estruturalmente, rumo a uma Igreja sinodal: um lugar aberto, onde todos se sintam em casa e possam participar”.
Ora, como já foi assinalado aqui, esse “desafio por uma ‘Igreja diferente’”inclusive nas suas estruturas,
- não é abordado por Francisco pegando o touro pelo chifre da democratização da Igreja,
- embora reiterando veementemente que a participação real de todos no Sínodo descende da “igual dignidade dos filhos de Deus” como “exigência da fé batismal” (1Cor 12,13) – isto é, do sacerdócio universal dos batizados.
Mas, o chifre que é agarrado é a da desconstrução evangélica do Poder e da Autoridade:
- denunciando, por um lado, o fato de
“sermos obrigados a registrar o desconforto e o sofrimento de tantos agentes pastorais, dos órgãos de participação das dioceses e das paróquias, das mulheres que muitas vezes ainda estão à margem”;
- por outro lado, o fato de que
“às vezes há algum elitismo na ordem presbiteral que o separa dos leigos; e o padre acaba por se tornar o ‘dono da casa”, encarnação do “espírito clerical e de corte”, mais “monsieur l’abbé, (senhor padre – NdR) que padre”.
Mas, precisamente pelo que o Papa reiterou em termos de reforma das estruturas, não basta que a denúncia siga a mera constatação da necessidade de
“transformar determinadas visões verticais, distorcidas e parciais sobre a Igreja, sobre o ministério presbiteral, sobre o papel dos leigos, sobre as responsabilidades eclesiais, sobre os papéis de governo e assim por diante”.
Determinadas visões se substanciam e se encarnam em normas e instituições que é necessário modificar ou criar do zero:
- não se poderia, por exemplo, imaginar algum procedimento mais transparente e menos denunciativo ou correr o risco de fofocas
- para denunciar à autoridade eclesial superior as referidas derivas patronais (de presbíteros ou leigos) que ocorrem na paróquia e na diocese?
Do contrário, cairíamos no segundo risco – aliás, “veneno” – assinalado por Francisco:
- o do “imobilismo” sinodal, de adotar
- “velhas soluções para novos problemas: um remendo de tecido novo em pano velho, tornando pior o rasgo (cf. Mt 9:16)”.
Pois bem, talvez, pelo menos neste sentido, não teria chegado a hora de se mexer um pouco?
Pensemos também no que foi dito há quase três anos no § 244 da Christus vivit: (Exortação pós-Sinodal d0 Papa Francisco aos Jovens e a todo o Povo de Deus – NdR)
“O carisma da escuta que o Espírito Santo suscita nas comunidades poderia obter também uma forma de reconhecimento institucional para o serviço eclesial”.
Uma espécie de interessante e promissor ministério de escuta que, no entanto, ficou letra morta, tanto ao nível do “repensamento” das “prioridades” do ministério presbiteral, como da requalificação do acompanhamento pelos consagrados e pelos leigos.
No entanto, mesmo no momento de abertura do processo sinodal – e depois em sua homilia, o Papa Francisco reiterou fortemente que devemos trabalhar seriamente para ser uma
“Igreja da escuta“, “aberta à novidade que Deus quer sugerir”, “à voz do Espírito” que fala nos “irmãos e irmãs”, no seu “respiro sempre novo”.
Uma escuta
- que não seja “distante, aborrecida ou perturbada” ou, pior ainda, “indiferente, apressada, circunstancial”,
- talvez oferecendo “uma resposta padrão, uma solução já pronta” ou “respostas prêt-a-porter, artificiais e superficiais”.
Uma escuta feita, ao contrário,
- “com o coração e não só com os ouvidos”,
- oferecendo antes de tudo “atenção, tempo, disponibilidade de se deixar questionar, tocar pelas perguntas, pelo rosto e pela história do outro”.
Uma escuta
- no “estilo de Deus”: que é “proximidade, compaixão e ternura”,
- que “nos alcança onde estamos, pelos caminhos por vezes acidentados da vida”,
- que “se encarrega das fragilidades e das pobrezas do nosso tempo”.
Por outro lado,
- por mais que vivenciemos todos os dias – de nós mesmos e dos outros, esse objetivo de não tornar surdo o coração
- só pode ser “um exercício lento, talvez dificultoso”.
O outro, a alteridade – descoberta em si ou no próximo por “uma Igreja da proximidade” – coloca-nos “em discussão”, “muda-nos e muitas vezes sugere novos caminhos que não pensávamos percorrer. (…)
Muitas vezes é justamente assim que Deus nos indica os caminhos a seguir,
- fazendo-nos sair dos nossos hábitos desgastados”,
- mostrando-nos “em que direção ele quer nos conduzir”
- para “nos libertar dos nossos fechamentos e dos nossos modelos pastorais repetitivos”, das “nossas ideias e dos nossos gostos pessoais”.
Aqui emerge outro exemplo de como é candente a questão dos instrumentos e das estruturas de diálogo, de escuta e de interação.
Na mensagem de encerramento do momento de reflexão para o início do processo sinodal, o secretário geral do Sínodo, o Cardeal Mario Grech, fez uma pergunta, sobre o instrumento do voto, que poderia parecer tão arriscada quanto sensata e verdadeira:
«per quanto sia consapevole che anche in concilio il consenso dell’aula è misurato dal voto,
“por mais conhecido que seja que inclusive no concílio o consenso da assembleia é medido pelo voto, me pergunto e vos pergunto se não devemos refletir sobre este ponto, para encontrar outras soluções para verificar o consenso…
É tão impossível imaginar, por exemplo, recorrer ao voto do Documento Final e de seus números individuais apenas quando o consenso não for certo? Não é suficiente prever objeções fundamentadas ao texto, talvez subscritas por um número significativo de membros da Assembleia, resolvidas com um suplemento de confronto, e recorrer ao voto como instância última e não desejada?”
Grech prossegue:
“se em vez de terminar a assembleia entregando o documento final ao Santo Padre, déssemos outro passo, o de devolver as conclusões da assembleia sinodal às Igrejas particulares? O consenso sobre o documento poderia não se limitar apenas à aprovação do Bispo, mas estender-se também ao povo de Deus, por ele novamente convocado. Neste caso, o Bispo de Roma receberia um documento que manifestaria conjuntamente o consenso do Povo de Deus e do Colégio dos Bispos”.
A pergunta pode parecer arriscada, ainda que um tanto paradoxal, uma vez que ocorre dentro de um processo (sinodal) que já por si mesmo tende continuamente a clarificar suas fronteiras com as “dinâmicas democráticas” e seu distanciamento das “lógicas da maioria e da minoria”.
Involuntariamente humorístico, além disso, é o fato de que – diga-se com afeto e respeito – tal pergunta seja feita justamente quando uma mulher, a própria subsecretária de Grech (Ir. Nathalie Becquart), poderá finalmente votar em uma assembleia sinodal dos bispos.
Por outro lado, as “duas sugestões” também podem parecer sensatas e profundamente verdadeiras, para o objetivo – esperamos não demasiado escatológico – que se quer alcançar:
- uma escuta que seja tão duradoura e universal quanto possível e que – como afirmado em uma entrevista pelo próprio Grech –
- nos levará “talvez um dia a um momento em que não haverá mais necessidade do voto”.
Parece-me claro, na realidade, como por trás dessas perguntas ainda está presente o que aconteceu depois do Sínodo sobre a Amazônia e da publicação da exortação papal correspondente.
Alcune soluzioni relative a certi nodi ecclesiologici e pastorali (diaconato femminile, viri probati, etc.), n
Algumas soluções relativas a certos nós eclesiológicos e pastorais (diaconato feminino, viri probati, etc.), apesar de terem recebido o amplo consenso necessário dos padres sinodais, não foram implementadas na exortação pós-sinodal.
Com a motivação, difundida primeiro pela Civiltà Cattolica – e depois retomada por Francisco em várias intervenções, segundo a qual o discernimento operado pelo Papa o levou a avaliar as soluções votadas pelos padres sinodais como
- “posições ideológicas, dialéticas e antagônicas”,
- guiadas menos pelo Espírito Santo que por um “espírito mau”.
Daquilo que o Papa Francisco define como o risco do “intelectualismo” (e sobre o qual teremos necessariamente que retornar):
“a realidade vai ali e nós, com as nossas reflexões, vamos para outro lugar (…) acabando por recair nas costumeiras estéreis classificações ideológicas e partidárias e distanciando-se da realidade do Santo Povo de Deus, da vida concreta das comunidades espalhadas pelo mundo”.
Ora, se isso realmente aconteceu, Francisco fez bem em “adiar para setembro” os trabalhos sinodais por insuficiente qualidade espiritual.
É certo que a atual secretaria geral do Sínodo parece estar ciente de que tudo deve ser feito para não terminar na mesma situação no final do processo sinodal recém iniciado, porque tal desfecho constituiria um fracasso retumbante para todos.
Por conseguinte,
- está sendo compreensivelmente tentado – também através de “observações” como as do Cardeal Grech –
- encontrar veredas alternativas que não se revelem igualmente interrompidas,
- ao mesmo tempo confirmando o caráter ineludível da questão dos instrumentos e das estruturas que favorecem o diálogo e a interação dentro do povo de Deus:
- a inevitabilidade daquilo que também Castellucci definiu uma “conversão em nível estrutural”.
Nesse sentido, entende-se ainda mais a oração final do Papa:
Vinde, Espírito Santo.
Vós que despertais línguas novas e colocais nos lábios palavras de vida, preservai-nos de nos tornarmos Igreja-museu, bela mas muda, com tanto passado e pouco futuro.
Vinde para o meio de nós, porque na experiência sinodal não nos deixemos dominar pelo desencanto, não diluamos a profecia, não acabemos por reduzir tudo a discussões estéreis. Vinde, Espírito Santo de amor, abri nossos corações para a escuta.
Vinde, Espírito de santidade, renovai o santo Povo fiel de Deus. Vinde, Espírito criador, fazei nova a face da terra. Amém!

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Sergio Ventura
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/613770-entre-imobilismo-e-reforma-das-estruturas-quem-vai-vencer
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Questa volta, con un pizzico di autoironia, bisogna ammetterlo: mi ero appena permesso (qui) di far notare a Papa Francesco che nel discorso alla diocesi di Roma «avrei evitato quel passaggio anche solo lievemente critico sulla riforma delle strutture («la Chiesa non si rafforza solo riformando le strutture – questo è il grande inganno!»)», quand’ecco mi accorgo che, nel recente momento di riflessione per l’inizio del percorso sinodale, era già contenuta la risposta.
Dopo aver messo il «formalismo» al primo posto tra i «rischi» da evitare nel Sinodo incipiente, il vescovo di Roma ha anche indicato, come prima delle «opportunità» ad esso legate, la necessità sostanziale «di strumenti e strutture che favoriscano il dialogo e l’interazione nel Popolo di Dio, soprattutto tra sacerdoti e laici». Divieto papale, dunque, di «ridurre il Sinodo a un evento di facciata per dare una bella immagine di noi stessi», a fronte di un invito pressante, a «incamminarci non occasionalmente ma strutturalmente verso una Chiesa sinodale: un luogo aperto, dove tutti si sentano a casa e possano partecipare».
Ora, come già qui segnalato, tale «sfida per una “Chiesa diversa”» anche nelle sue strutture, non viene affrontata da Francesco prendendo il toro per il corno della democratizzazione della Chiesa, pur ribadendo con forza che la partecipazione reale di tutti al Sinodo discende dall’«uguale dignità dei figli di Dio» quale «esigenza della fede battesimale» (1 Cor 12,13) – in altri termini, dal sacerdozio universale dei battezzati. Ma, il corno che viene afferrato, è quello della decostruzione evangelica del Potere e dell’Autorità: denunciando, da un lato, il fatto che «siamo costretti a registrare il disagio e la sofferenza di tanti operatori pastorali, degli organismi di partecipazione delle diocesi e delle parrocchie, delle donne che spesso sono ancora ai margini»; dall’altro lato, il fatto che «a volte c’è qualche elitismo nell’ordine presbiterale che lo fa staccare dai laici; e il prete diventa alla fine il “padrone della baracca”», incarnazione dello «spirito clericale e di corte», «più monsieur l’abbé che padre».
Ma, proprio per quanto ribadito dal Papa in termini di riforma delle strutture, alla denuncia non è sufficiente che segua la mera constatazione della necessità di «trasformare certe visioni verticiste, distorte e parziali sulla Chiesa, sul ministero presbiterale, sul ruolo dei laici, sulle responsabilità ecclesiali, sui ruoli di governo e così via». Certe visioni si sostanziano e si incarnano in norme e istituzioni che è necessario modificare o creare ex novo: non si potrebbe, ad esempio, immaginare qualche procedura più trasparente e meno delatoria o a rischio di chiacchiera per denunciare all’autorità ecclesiale superiore le suddette derive padronali (di presbiteri o laici) che avvengono in parrocchia e diocesi? Altrimenti si ricadrebbe nel secondo rischio – anzi, «veleno» – segnalato da Francesco: quello dell’«immobilismo» sinodale, dell’adottare «soluzioni vecchie per problemi nuovi: un rattoppo di stoffa grezza, che alla fine crea uno strappo peggiore (cfr Mt 9,16)». Ecco, forse, almeno in questo senso, non è giunta l’ora di muoversi un po’?
Pensiamo anche a quanto era stato affermato quasi tre anni fa nel § 244 della Christus vivit: «Il carisma dell’ascolto che lo Spirito Santo fa sorgere nelle comunità potrebbe anche ricevere una forma di riconoscimento istituzionale per il servizio ecclesiale». Una sorta di interessante e promettente ministero dell’ascolto che, però, è restato lettera morta, a livello sia di «ripensamento» delle «priorità» del ministero presbiterale, sia di riqualificazione dell’accompagnamento da parte dei consacrati e dei laici.
Eppure, anche nel momento di apertura del processo sinodale – e poi nell’omelia, Papa Francesco ha ribadito con forza che dobbiamo lavorare seriamente per essere una «Chiesa dell’ascolto», «aperta alla novità che Dio le vuole suggerire», «alla voce dello Spirito» che parla nei «fratelli e sorelle», al suo «respiro sempre nuovo». Un ascolto non «distaccato, infastidito o disturbato» o, peggio ancora, «indifferente, di fretta, di circostanza», magari offrendo «una risposta di rito, una soluzione preconfezionata» o «risposte prêt-à-porter, artificiali e superficiali». Un ascolto fatto, invece, «con il cuore e non solo con le orecchie», offrendo innanzitutto «attenzione, tempo, disponibilità a lasciarsi interpellare, toccare dalle domande, dal volto e dalla storia dell’altro». Un ascolto nello «stile di Dio»: che è «vicinanza, compassione e tenerezza», che «ci raggiunge là dove siamo, sulle strade a volte dissestate della vita», che «si fa carico delle fragilità e delle povertà del nostro tempo».
D’altra parte, per quanto sperimentiamo quotidianamente – di noi e degli altri, questo obiettivo di non insonorizzare il cuore non può che essere «un esercizio lento, forse faticoso». L’altro, l’alterità – scoperta in sé o nel prossimo da «una Chiesa della vicinanza» – ci mette «in discussione», «ci cambia e spesso ci suggerisce vie nuove che non pensavamo di percorrere. (…) Tante volte è proprio così che Dio ci indica le strade da seguire, facendoci uscire dalle nostre abitudini stanche», mostrandoci «verso quale direzione vuole condurci» per «liberarci delle nostre chiusure e dei nostri modelli pastorali ripetitivi», dalle «nostre idee e i nostri gusti personali».
Qui emerge un altro esempio di quanto sia scottante la questione degli strumenti e delle strutture di dialogo, ascolto e interazione.
Nel messaggio conclusivo del momento di riflessione per l’inizio del processo sinodale, il segretario generale del Sinodo, il cardinale Mario Grech, ha posto una domanda, sullo strumento del voto, che potrebbe apparire tanto azzardata quanto sensata e veritiera:
«per quanto sia consapevole che anche in concilio il consenso dell’aula è misurato dal voto, mi chiedo e vi chiedo se non dobbiamo riflettere su questo punto, per trovare altre soluzioni per verificare il consenso… È così impossibile immaginare, ad esempio, di ricorrere al voto sul Documento finale e sui suoi numeri singoli solo quando il consenso non sia certo? Non basta prevedere obiezioni motivate al testo, magari firmate da un numero congruo di membri dell’Assemblea, risolte con un supplemento di confronto, e ricorrere al voto come istanza ultima e non desiderata?». Prosegue poi Grech: «se invece di terminare l’assemblea consegnando al Santo Padre il documento finale, facessimo un altro passaggio, quello di restituire le conclusioni dell’assemblea sinodale alle Chiese particolari? Il consenso sul documento potrebbe non limitarsi solamente al placet del Vescovo, ma estendersi anche al popolo di Dio da lui nuovamente convocato. In questo caso il Vescovo di Roma riceverebbe un documento che manifesta insieme il consenso del Popolo di Dio e del Collegio dei Vescovi».
La domanda può apparire un azzardo, anche se un po’ paradossale, poiché avviene all’interno di un processo (sinodale) che già di per sé tende continuamente a precisare i suoi confini con le «dinamiche democratiche» e la sua distanza dalle «logiche della maggioranza e della minoranza». Involontariamente umoristico, poi, è il fatto che – sia detto con affetto e rispetto – tale domanda venga posta proprio quando una donna, la stessa sottosegretaria di Grech (sr Nathalie Becquart), potrà finalmente votare in un’assemblea sinodale dei vescovi. D’altra parte, i «due suggerimenti» possono apparire anche sensati e profondamente veritieri, per l’obiettivo – speriamo non troppo escatologico – che si vuole raggiungere: un ascolto che sia il più duraturo e universale possibile e che – come dichiarato in un’intervista dallo stesso Grech – ci condurrà «forse, un giorno a un momento in cui non ci sarà più bisogno del voto».
Mi sembra chiaro, in realtà, come dietro tali domande si agiti ancora quanto avvenuto dopo il sinodo sull’Amazzonia e la pubblicazione della corrispondente esortazione papale. Alcune soluzioni relative a certi nodi ecclesiologici e pastorali (diaconato femminile, viri probati, etc.), nonostante avessero ricevuto l’ampio consenso necessario da parte dei padri sinodali, non sono state poi recepite nell’esortazione post-sinodale. Con la motivazione, diffusa prima da Civiltà Cattolica – e poi ripresa da Francesco in diversi interventi, secondo la quale il discernimento operato dal Papa lo ha condotto a valutare le soluzioni votate dai padri sinodali come «posizioni ideologiche, dialettiche e antagoniste», guidate meno dallo Spirito Santo che da uno «spirito cattivo». Da quello che Papa Francesco definisce il rischio dell’«intellettualismo» (e su cui dovremo giocoforza ritornare): «la realtà va lì e noi con le nostre riflessioni andiamo da un’altra parte (…) finendo per ricadere nelle solite sterili classificazioni ideologiche e partitiche e staccandosi dalla realtà del Popolo santo di Dio, dalla vita concreta delle comunità sparse per il mondo».
Ora, se questo è quanto effettivamente avvenuto, ha fatto bene Francesco a “rimandare a settembre” i lavori sinodali per insufficiente qualità spirituale. Certo è che l’attuale segreteria generale del Sinodo sembra consapevole che bisognerà fare il possibile per evitare di ritrovarsi nella stessa situazione al termine del processo sinodale appena cominciato, perché tale esito costituirebbe per tutti un fallimento clamoroso. Di conseguenza, essa sta comprensibilmente cercando – anche attraverso «rilievi» come quelli del cardinal Grech – di trovare sentieri alternativi che non si rivelino alla fine ugualmente interrotti, confermando però al contempo l’ineludibilità della questione degli strumenti e delle strutture che favoriscono il dialogo e l’interazione dentro il popolo di Dio: l’ineludibilità di quella che anche monsignor Castellucci ha definito una «conversione a livello strutturale».
Si comprende ancor più, in tal senso, la preghiera finale del Papa:
Vieni, Spirito Santo. Tu che susciti lingue nuove e metti sulle labbra parole di vita, preservaci dal diventare una Chiesa da museo, bella ma muta, con tanto passato e poco avvenire. Vieni tra noi, perché nell’esperienza sinodale non ci lasciamo sopraffare dal disincanto, non annacquiamo la profezia, non finiamo per ridurre tutto a discussioni sterili. Vieni, Spirito Santo d’amore, apri i nostri cuori all’ascolto. Vieni, Spirito di santità, rinnova il santo Popolo fedele di Dio. Vieni, Spirito creatore, fai nuova la faccia della terra. Amen.