Neo-Fascismo na Europa
Furio Colombo – 08 Setembro 2021
Na foto: Viktor Orbán, Proimeiro Ministro da Hungria / El País
- Orbán dividiu a Europa ao conseguir impedir da UE qualquer empenho de acolhimento ou ajuda ao mundo abandonado do Afeganistão.
- Desviando para fora do caminho a falsa bondade de Salvini – que chegou a dizer:
- ‘Vamos ajudar aqueles que vêm da guerra no Afeganistão, mas que não nos digam que há guerras na África‘ -,
Orbán, enquanto passa suas férias com Meloni, chega a dizer:
‘Claro que vamos ajudá-los. Vamos ajudá-los em sua casa'”,
Eis o artigo.
Como acontece com as epidemias mais perigosas, é fácil no início subestimar o perigo:
Viktor Orbán – líder de um partido menor e autoritário de um país que tem a história, a reputação, a cultura da Hungria – tornou-se importante quando, naquele país, começou a vencer.
A mídia e a política europeias subestimaram aquelas subsequentes vitórias eleitorais, mesmo que cada uma fosse seguida por um ato destrutivo contra a democracia húngara:
- contra a cultura,
- contra as universidades,
- contra os juízes,
- contra “os estrangeiros” ou seja, a imigração, imediatamente definida como “clandestina”
- e contra os judeus,
ou pelo menos contra um importante e conhecido cidadão judeu-húngaro que havia fundado a maior universidade do país e estava empenhado em apoiar o resgate de migrantes no mar e nos acolhimentos.
George Soros
- tornou-se o inimigo público número de um grupo cada vez mais amplo à disposição de Orbán,
- com o impulso e o apoio dos homens de Trump e dos apaixonados pela morte no mar dos refugiados,
- em um mundo fundado sobre a invenção contínua do falso.
Aqui, neste ponto, é necessária uma reflexão.
Muitos dos que sentem repugnância por Orbán se perguntam
- quem é este homem que bloqueia os caminhos por terra com barricadas cruéis
- e cria afogamentos nas vias do mar para aqueles que anseiam pela salvação na Europa.
Quem o autoriza, como se fosse o guardião de um sangue sagrado, a bloquear uma terra que ninguém mais tem o direito de pisar?
Não sei muito sobre a sua vida e não desejo conhecê-la
- Vejo a desumanidade do seu projeto político,
- mas não sei o que o mobiliza e o torna o líder máximo de tantas pessoas que acabam de se libertar de outra opressão,
- a do pós-stalinismo, que vai em busca da mesma. opressão.
E aqui outro fenômeno é evidente:
- um líder desprovido de ideias políticas, incapaz de comunicar uma visão do mundo, exceto por várias formas de perseguição,
- torna-se o eleito e o favorito de alguns países da União Europeia da qual Orbán infelizmente faz parte.
No momento, o premiê húngaro está de férias na Itália e recebe visitas, atenção e trocas de pontos de vista
- de uma líder política italiana, Giorgia Meloni,
- que pratica o jogo de acolher no seu partido tudo o que resta do fascismo,
- conseguindo, entretanto, aparecer “limpa” no jogo, como certos colaboradores da máfia,
- aqueles que, apesar dos seus contatos, acabam por evitar o processo e sobretudo o agravante de máfia.
No entanto, o eixo Roma-Budapeste é apenas uma parte do contágio:
- Orbán dividiu a Europa ao conseguir impedir da UE qualquer empenho de acolhimento ou ajuda ao mundo abandonado do Afeganistão.
- Desviando para fora do caminho a falsa bondade de Salvini – que chegou a dizer:
“Vamos ajudar aqueles que vêm da guerra no Afeganistão, mas que não nos digam que há guerras na África”
-, Orbán, enquanto passa suas férias com Meloni, chega a dizer:
“Claro que vamos ajudá-los. Vamos ajudá-los em sua casa”.
- Apenas alguns membros da Comissão e do Parlamento Europeu (David Sassoli entre os mais vigorosos) expressaram sua indignação
- ao descobrir que um a um os Estados europeus estavam se passando para o lado do primeiro-ministro húngaro Orbán, um perseguidor de profissão.
Precisamente no país – escreveu Giorgio Perlasca no seu diário, de 1944 – onde o Danúbio, entre as duas margens de Buda e Peste, estava vermelho com o sangue das vítimas (judeus e antifascistas),
- foi estabelecido que a nova norma da União europeia são as fronteiras sagradas, barradas por terra e por mar,
- para impedir a passagem de quem busca por socorro.
Neste ponto,
- está claro que a aventura Orbán-Meloni não é um fato local ou pessoal.
- É triste e humilhante para a Itália que haja um vínculo tão forte entre duas personagens e dois partidos voltados para a caça racista, antifascistas,
- que amputaram deliberadamente o grande instrumento de solidariedade.
Mas é ainda mais grave
- constatar que o impacto da extrema direita (com a participação ativa e animada da Itália)
- está dividindo a União Europeia de uma forma que poderia ser irreversível.
Como os Estados Unidos acabaram de cair feio depois de Cabul,
- uma queda semelhante (para trás, para o nada) da União Europeia
- esvaziaria o mundo de suas expectativas e de suas esperanças.
Uma esperança é que o Papa
- perceba e fale sobre o se definir cristão dessas pessoas que constroem muros e afundam barcos,
- e perceba como é blasfema sua invocação ao crucifixo nas delegacias e nas escolas.

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Furio Colombo
Fonte: http://www.ihu.unisinos.br/612654-a-doenca-de-orban-tende-a-se-espalhar-rapidamente
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