Domenico Agasso – 30 Junho 2021 – Foto: DAQUI
A reportagem é de Domenico Agasso, publicada por La Stampa, 29-06-2021. A tradução é de Luisa Rabolini.
Nos 40 minutos do encontro, foram abordadas questões espinhosas – e potencialmente divisórias – como aquelas sobre a China. E foi reafirmado “o compromisso comum de promover a liberdade religiosa”. Sempre em um clima “absolutamente tranquilo”, conforme garantem o próprio Antony Blinken e a Santa Sé.
A questão de Pequim foi abordada depois que a diplomacia do Vaticano anunciou nos últimos dias que olha com preocupação o que está acontecendo em Hong Kong.
- Após um longo período de silêncio vaticano, que tinha acentuado o distanciamento das opiniões sobre as relações com a República Popular da China – adversária para Washington, interlocutora do acordo provisório sobre a nomeação de bispos para a Santa Sé –
- eis agora a declaração do “ministro das Relações Exteriores”:
“Hong Kong é objeto de interesse para nós. Podemos dizer palavras apropriadas que serão apreciadas pela imprensa internacional e em muitos países, mas não estamos convencidos de que poderiam fazer alguma diferença”.
Depois da cúpula de ontem,
- o nó com a China permanece,
- as perspectivas continuam distintas,
- mas um pouco menos distantes.
A marcha a ré dos bispos estadunidenses, que renunciaram a negar a comunhão a Biden justamente na véspera da viagem de Blinken,
“evitou qualquer constrangimento no encontro com o Papa”,
assegura um monsenhor.
Afora alguns acenos, o assunto não teria sido aprofundado.
Bergoglio e o chefe da diplomacia dos Estados Unidos conversaram
- sobre pandemia, destacando a necessidade de ampliar a distribuição das vacinas.
- Sobre ecologia e imigração.
- Sobre o dossiê do Oriente Médio e “das crises humanitárias no Líbano, na Síria, na região etíope de Tigré”.
- E depois a Venezuela: Blinken garantiu o apoio da Casa Branca às negociações para a reconciliação e a democracia em Caracas.

.
Domenico Agasso
Leia mais:
- Papa e Blinken, cara a cara sobre a comunhão para Biden
- Audiência do papa com Mike Pompeo: “Uma conversa cordial, mas as posições continuam distantes”, afirma cardeal Parolin
- Mike Pompeo, secretário de Estado dos EUA, fala a diplomatas vaticanos para que sejam “audaciosos” (como João Paulo II) sobre a China
- Enquanto Mike Pompeo chega a Roma, nós atravessamos o espelho
- Faíscas entre EUA-Vaticano sobre a China. Pompeo opõe ao Papa Francisco (que não o recebe) João Paulo II
- O Vaticano rejeita as ingerências dos EUA: “O acordo com Pequim segue em frente”
- Vaticano rompe o silêncio sobre Hong Kong: a situação é preocupante
- Duas cidades, duas medidas: Hong Kong e Ancara segundo Francisco
- Vaticano, China e Hong Kong: o que Francisco (não) quis dizer
- Acordo entre Santa Sé e China: uma virada histórica, mas ainda mantida em segredo
- Nomeação dos bispos, o Vaticano renova o acordo com a China. Protestos dos EUA: “Assim, a Santa Sé põe em risco a sua autoridade moral”
- Os Estados Unidos presumem de suposta “autoridade moral” e pedem ao Vaticano para que não renove o acordo com a China
- A Santa Sé, a China e a questão da soberania