CORONAVÍRUS
Deustsche Welle- 3 de maio, 2021 – Foto: Narenda Modi sai enfraquecido de pleito em estado-chave, apontam analistas
Acusado de priorizar eleições em detrimento da pandemia, Narendra Modi vê seu partido, nacionalista hindu, perder nas urnas em estado-chave. Especialistas apontam comícios da legenda como um dos motores de contágios.
O partido do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, sofreu uma esmagadora derrota eleitoral em um estado-chave neste domingo (02/05), indicando que sua legenda nacionalista hindu pode estar perdendo força política em meio à batalha do país contra uma alta dramática de contágios pelo coronavírus.
- O Partido do Povo Indiano (Bharatiya Janata Party – BJP), de Modi,
- não conseguiu impedir a reeleição da governadora Mamata Banerjee no estado de Bengala Ocidental, onde Modi havia encabeçado uma série de comícios antes do pleito.
O partido Todo o Congresso da Índia Trinamool (TMC), liderado por Banerjee, conquistou 213 dos 292 assentos da assembleia estadual, enquanto o BJP assegurou 77.
Ferrenha crítica do premiê, Banerjee é a única mulher a comandar um governo estadual no país. Ao festejar o resultado, ela afirmou que Bengala Ocidental “salvou” a Índia com o resultado e que combater a covid-19 será sua principal prioridade.
Reeleita em Bengala Ocidental, governadora Mamata Banerjee prometeu fazer do combate à covid-19 sua prioridade
Bengala Ocidental, com 90 milhões de habitantes e cuja principal cidade é Calcutá, é um dos poucos estados que nunca foi governado pelo partido nacionalista hindu de Modi.
- Seu partido também amargou derrotas nos estados de Tamil Nadu e Kerala, no sul do país,
- mas assegurou um segundo mandato no estado de Assam, no nordeste do país,
- e uma aliança com partidos regionais levou à vitória no território de Puducherry.
As eleições regionais já eram vistas como desafios para o BJP mesmo antes da atual onda devastadora de covid-19.
- Analistas afirmam que o partido de Modi sai enfraquecido dos pleitos,
- mas que por enquanto seu mandato, que vai até 2024, não está ameaçado.
“O BJP começou a perder força quando a pandemia se espalhou”,
disse o analista político Nilanjan Mukhopadhyay.
“O resultado no estado de Bengala Ocidental enfraquecerá definitivamente a posição de Modi”,
acrescentou, mas ele advertiu que
- os resultados precisam ser estudados mais a fundo
- para determinar o quanto são um referendo sobre a gestão da covid-19 por parte do BJP.
Eleições à frente da pandemia
A Índia registrou nesta segunda-feira mais de
- 368 mil novas infecções pelo coronavírus
- e 3.417 mortes em decorrência da covid-19 em 24 horas,
- após registrar recordes de óbitos e de casos diários no fim de semana.
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O governo de Modi tem sido severamente criticado pela gestão da epidemia no país, que deixou o já frágil e subfinanciado sistema de saúde indiano à beira do colapso. Hospitais enfrentam falta de leitos, medicamentos e oxigênio, e pacientes morrem à espera de atendimento. Modi vem sido acusado de priorizar eleições em detrimento do combate à pandemia.
Além de novas variantes,
- grandes eventos, incluindo um enorme festival hindu às margens do Ganges,
- e comícios eleitorais organizados pelo Partido do Povo Indiano em março e abril
- podem ter exacerbado a propagação do coronavírus, afirmam especialistas.
Na semana passada, o supremo tribunal do estado de Tamil Nadu criticou a Comissão Eleitoral por permitir eventos de campanha lotados em meio ao grave surto de coronavírus.
Os casos na Índia começaram a aumentar para além de 100 mil por dia no final de março e passaram a ficar acima de 300 mil em 21 de abril.
“A sua instituição é singularmente responsável pela segunda onda da covid-19. Seus oficiais devem ser acusados de assassinato”,
disse o tribunal à comissão.
“Não podemos permitir que pessoas morram”
Com o governo incapaz de manter um suprimento constante de oxigênio,
- várias autoridades hospitalares solicitaram uma intervenção da Justiça na capital indiana,
- onde o lockdown foi prorrogado por mais uma semana para conter a onda de infecções.
“A água subiu acima da cabeça. Já chega”,
disse o tribunal superior de Nova Déli no fim de semana, acrescentando que começaria a punir funcionários do governo se suprimentos de oxigênio destinados a hospitais não forem entregues.
“Não podemos permitir que pessoas morram”, disseram juízes do tribunal.
Líderes de 13 partidos de oposição assinaram uma carta exortando o governo a impulsionar a vacinação gratuita e garantir um fluxo ininterrupto de oxigênio para todos os hospitais do país.
Diante da situação dramática, cerca de 40 países estão enviando ajuda à Índia em forma de equipamentos, testes rápidos para vírus e oxigênio, junto com alguns materiais necessários para o país aumentar sua produção nacional de vacinas contra covid-19.
- No domingo, um avião de carga fretado pela França aterrissou em Nova Délhi com 28 toneladas de equipamentos médicos, incluindo oito geradores de oxigênio de grande capacidade.
- Na sexta, um avião militar dos EUA com suprimentos médicos pousou em Nova Délhi,
- e um avião alemão chegou ao país no sábado.
- O Reino Unido anunciou que enviará mil respiradores.
Alta dramática de contágios
Há dez dias, a Índia vem registrando mais de 300 mil infecções a cada 24 horas. No total,
- o país já confirmou quase 20 milhões de infecções pelo coronavírus desde o início da pandemia,
- atrás apenas dos Estados Unidos, que contabilizaram mais de 32,4 milhões,
- e à frente do Brasil, que soma mais de 14,7 milhões.
Mais de 218 mil pessoas na Índia morreram de covid-19, de acordo com o Ministério da Saúde. Acredita-se que os números oficiais de casos e óbitos sejam muito mais baixos do que os reais, devido à subnotificação.
A Índia abriu sua campanha de vacinação para pessoas entre 18 e 44 anos no sábado, uma tarefa gigantesca sendo minada pela disponibilidade limitada de doses. Vários estados já advertiram que estão ficando sem vacinas.
Apesar de o país ser o maior produtor mundial de imunizantes, vacinar seus 1,3 bilhão de habitantes é um enorme desafio. Desde o início da campanha de imunização contra a covid-19, em janeiro, 10% dos indianos receberam ao menos uma dose, mas apenas cerca de 1,5% receberam as duas doses necessárias.
lf (AP, AFP, OTS)
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