OUTRASPALAVRAS – GEOPOLÍTICA & GUERRA

José Álvaro de Lima Cardoso – 14/04/2021 – Foto:Daqui
Nova estratégia geopolítica: ofende Pequim, indica um linha-dura para a CIA e destina trilhões à recuperação da economia. Pretende recuperar mercados – isso também explicaria golpes na América Latina, quando era vice-presidente?
Ao final de março, o governo estadunidense anunciou um impressionante programa de investimentos em infraestrutura, que pode totalizar US$ 2,3 trilhões. Os investimentos previstos pelo pacote abrangem desde obras em rodovias, até assistência a famílias, desenvolvimento de novas tecnologias, etc.
- O pacote de Joe Biden é o terceiro aprovado pelo país desde o início da pandemia.
- Ao todo, já foram gastos US$ 5 trilhões em programas de ajuda econômica, ou seja, cerca de 25% do PIB americano.
- Como vem mais um pacote ao final de abril, voltado para o atendimento às famílias, o financiamento total do plano pode atingir US$ 6 trilhões.
Com o plano, também,
- o governo norte-americano tentará tirar a economia da grave crise em que se encontra
- e reverter uma tendência muito forte nos EUA, nas últimas décadas,
- que é o aumento da desigualdade.
Para isso o governo pretende investir pesadamente em setores como
- infraestrutura,
- desenvolvimento de novas tecnologias
- e novas leis de valorização do trabalho.
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Está ainda no horizonte do governo a realização de uma reforma tributária, que possibilite uma melhor distribuição da riqueza no país.
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A medida está também relacionada à disputa dos Estados Unidos com a China por mercados mundiais, que tende a se acirrar muito nos próximos anos, como a postura do novo governo estadunidense está demonstrando.
Biden
- tem subido o tom contra os seus principais rivais
- e recentemente criticou Xi Jinping e Vladimir Putin por não “acreditarem na democracia”
- e chamou os regimes destes de autocracias.
Numa entrevista recente à ABC News, provocado pelo apresentador, Biden afirmou que Putin era um “assassino”.
A propósito, vale a pena assistir o vídeo com a impressionante resposta de Vladimir Putin a ofensa do presidente dos EUA.
A retomada dos investimentos públicos é uma tentativa de competir com o modelo de desenvolvimento econômico chinês.
O objetivo é deslocar a China de todos os mercados onde os EUA acham que aquele país estaria com dimensão “exagerada”.
- Há uma avaliação, por parte do governo Biden,
- que a China está ocupando um espaço econômico desproporcional ao seu poderio geopolítico e militar no mundo.
Quem estuda um pouquinho a história da economia no mundo, incluindo a história das guerras mundiais, sabe que poderio econômico no mundo e capacidade bélica são fatores intimamente ligados.
Alguém tem dúvidas, por exemplo, que os golpes na América Latina foram perpetrados, também, visando baixar a bola da China na Região? Quem lembra ainda que, em 2015, o primeiro-ministro chinês veio ao Brasil para selar 35 acordos bilionários com o governo Dilma Rousseff?
Destes, um dos mais ambiciosos
- era o projeto ferroviário transcontinental que deve percorrer o Brasil de leste a oeste,
- atravessar a cordilheira dos Andes até chegar aos portos peruanos.
O objetivo era facilitar a exportação de matérias-primas do Brasil e do Peru para o mercado chinês. Sairia uma linha do Tocantins até chegar ao Peru, com ganhos para os produtores com a redução de custo na logística.
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Tudo indica que estes planos foram decisivos para a tomada de decisão dos EUA, de acelerar o golpe no Brasil.
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À época, Brasil e China anunciaram ainda um fundo de investimentos de 53 bilhões de dólares, do banco estatal ICBC,
- para garantir investimentos em infraestruturas,
- que incluía rodovias, ferrovias, linhas de transmissão para o setor elétrico, e projetos de telecomunicações.
Em 2014 o comércio bilateral tinha sido de 79 bilhões de dólares e a intenção dos dois governos era chegar rapidamente a 100 bilhões de dólares. Os dois países assinaram ainda acordos nas áreas de: Defesa Nacional, para o sensoriamento conjunto da Amazônia, energia eólica e telefonia.
- Segundo o governo brasileiro o objetivo dos acordos era inaugurar uma etapa superior no relacionamento entre Brasil e China.
- Alguém pode ainda duvidar que essa aproximação foi decisiva para a tomada de decisão do golpe de 2016?
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Apesar da impressionante envergadura, os montantes dos planos estadunidenses ficam muito aquém dos investimentos mobilizados pelos chineses na chamada Nova Rota da Seda.
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- Programa lançado em 2013, com investimentos estimados entre US$ 4 e US$ 8 trilhões,
- os chineses realizam projetos de infraestrutura que se estendem por países da Ásia Central, Sudeste Asiático, Oriente Médio, África e Leste da Europa.
A relação China x Estados Unidos vive um momento decisivo,
- com tendência a ficar cada vez mais tensa,
- em meio a uma série de disputas sobre comércio, direitos humanos e as origens da covid-19.
- Numa ação recente, os Estados Unidos colocaram na lista negra dezenas de empresas chinesas que afirmam ter ligações com os militares.
Joe Biden vem criticando a China por seus “abusos”no comércio e em outras questões. Retornou com força também, e de forma articulada, inclusive na grande mídia norte-americana, a hipótese de que o vírus da covid-19 se originou na China.
A linha da política internacional de Biden pode ser medida pela indicação que fez para diretor da Agência Central de Inteligência (CIA), William Burns.
Burns afirmou a um comitê do Senado que
- vê a competição com a China, e a contraposição à sua liderança “antagonista e predatória”,
- como essencial para a segurança nacional norte-americana.
Disse ainda:
“Superar a China será essencial para nossa segurança nacional nos dias à frente”.
Para Burns,
- a China é o primeiro desafio que os Estados Unidos enfrentam neste governo, o que reflete posições já expressas pelo próprio Biden e por funcionários do seu governo.
- Para ele, embora os Estados Unidos possam cooperar com a China em questões fundamentais, como a não proliferação de armas nucleares, o gigante asiático é um “adversário formidável e autoritário”.
Os últimos dados dos EUA mostram ótimos resultados no mercado de trabalho. Foram gerados mais de 900 mil empregos em março e o desemprego caiu para 6%. Há uma recuperação dos chamados indicadores de confiança do mercado. Mas o cenário ainda é muito nebuloso.
- Há possibilidades de elevação da inflação, com o forte aumento dos preços de commodities: agrícolas, metálicas, combustíveis e bens industriais.
- Isso em meio ao imenso estímulo monetário que o governo vem promovendo, o que aumenta o risco de maior inflação.
- E há muitas dúvidas sobre o tempo de aprovação das medidas do pacote, no Congresso Nacional. O governo precisa aprovar rapidamente, mas a oposição tende a ser dura, especialmente quanto a alguns aspectos do pacote.
Vale lembrar que
- o governo dos EUA, que agora encaminha um plano ambicioso de recuperação da economia,
- e que está em pânico com o avanço econômico e político da China no mundo,
- é o mesmo que perpetrou o golpe no Brasil, em 2016, inclusive com Biden na vice-presidência do país na ocasião.
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Com o golpe, interromperam uma série de governos de esquerda que, apesar de moderados e reformistas, contrariavam os interesses dos EUA na Região (especialmente por sua postura nacionalista).
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O protagonismo dos EUA nos golpes na América Latina, que rapidamente vai sendo comprovado pelas denúncias da Vaza Jato, do STF do Brasil, e outras, é relativamente fácil de compreender.
- Para o centro capitalista continuar dominando, especialmente em época de grave crise internacional,
- os países subdesenvolvidos têm que continuar nesta condição.
- Não podem dispor de refinarias ou de reservas bilionárias de petróleo, ou de indústria sofisticada.
No caso do Brasil,
- o golpe recente foi dado também para garantir o acesso sem limites, além do petróleo,
- às reservas de água existentes na região, os minerais de todos os tipos e toda a biodiversidade da Amazônia.
- País subdesenvolvido não pode ter acesso também ao ciclo da energia nuclear, por isso o vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva (ex-presidente da Eletronuclear), foi preso pela Lava Jato ainda em 2015.
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Joaquim Álvaro Lima Cardoso
Fonte: https://outraspalavras.net/geopoliticaeguerra/comeca-a-disputa-eua-x-china-na-era-biden/