
Manuel Augusto L. Ferreira, 03/04/2021 – Foto: Daqui
Cada ano, como amigos, como cristãos, marcamos encontro pela Páscoa para trocarmos palavras e sentimentos de comunhão e encorajamento. Fazemo-lo, desta vez, depois de um ano vivido reféns da pandemia, ao sabor do isolamento, um tempo que custou a passar e pôs à prova a nossa esperança.
Há um ano, já tínhamos sido visitados pelo vírus e esperávamos que passasse depressa e que a nossa vida pudesse voltar ao seu normal.
Tal não aconteceu e continuamos a esperar: o fim da pandemia, a vacina que nos resguarde e ajude a conviver com o vírus…
Como cristãos, na Páscoa esperamos por mais: uma luz, uma resposta às perguntas que se acumularam dentro de nós neste ano:
- Como recuperar a capacidade de gostar do futuro, depois de este tempo em que vivemos prisioneiros, sem horizonte, e em que experimentámos o peso do quotidiano?
- Como acreditar que o melhor das nossas vidas está para vir e, pois que as forças nos faltam, nos será concedido como Dom?
- Como perceber que o futuro nos é dado como promessa no tempo presente, o único que temos para viver;
- e como viver em plenitude, em função de um destino futuro, de um desejo de felicidade, sempre insatisfeito?
A Páscoa de Jesus fala-nos de paixão. Encontramos as respostas que procuramos quando no meio da nossa paixão nos descobrimos capazes de amar e de nos deixarmos amar.
- O amor não nos poupa à paixão e ao sofrimento;
- pelo contrário, faz-nos mergulhar na vida, entrar em tudo o que ela nos traz, com corpo e alma.
A Páscoa de Jesus fala-nos de ressurreição.
- De um amor capaz de entrar em tudo para tudo transfigurar, de transformar a dor em beleza…
- de um Amor que é divino, à altura de Deus, capaz de experimentar Vida mesmo na morte,
- como foi o amor que Cristo viveu e comunicou na Sua Páscoa.
A nossa Páscoa faz memória e atualiza, na nossa vida, a paixão e ressurreição de Jesus: na sua essência,
- é passagem, de Jesus e nossa com Ele, da morte à Vida; das perdas e do sofrimento à Vida em plenitude.
- É passagem quotidiana, promessa de plenitude para quantos mergulham no mistério da Vida, abraçam o sofrimento que ela contém e se abrem ao Amor que a ressuscita e renova.
Mais do que emoção, trata-se de uma ação, de uma postura de vida, de uma Fé no mistério de onde viemos e para o Qual caminhamos, que nos resgata cada dia para o sentido da vida.
P.e Manuel Augusto L. Ferreira
Missionário Comboniano português, mora em Roma. Jornalista e escritor.
Fonte: https://fraternitasmovimento.blogspot.com/2021/04/na-pascoa-esperamos-por-mais-uma-luz.html