Escrevo aqui algumas palavras acerca do primeiro sermão do papa Francisco, pronunciado no dia 19 de março de 2013.
Aí aparecem algumas expressões significativas que eu gostaria de comentar com você.
Por duas vezes, o papa se define como ‘bispo de Roma’, embora ao mesmo tempo fale em ‘ministério petrino’ e afirme ser ‘sucessor de Pedro’. Mas quando faz referência a Pedro, não se apoia no texto clássico de Mateus 16, 19 (‘tu és Pedro’) como reza a tradição, mas no último capítulo do evangelho de João, onde Jesus confia suas ‘ovelhas’ aos cuidados de Pedro.
Penso que esse ‘deslocamento’ é intencional.
Num outro trecho do mesmo sermão, o papa declara que a ‘rocha’ da igreja é Deus. Esperávamos que ele dissesse que Pedro é a rocha, mas não. O papa diz que a rocha da igreja é Deus.
Estamos de novo diante de uma maneira nova de se expressar. Estamos tão costumados a ouvir dizer que a rocha da igreja é Pedro que ficamos impressionados pela capacidade do papa em sugerir novidades por meio de palavras simples.
O que o papa Francisco está sugerindo com essas insinuações? Será que ele nos convida a estudar melhor a história do papado e desse modo colaborar para uma reforma da igreja católica em profundidade?
Efetivamente, o governo central da igreja católica necessita ser repensado em profundidade. Não corresponde mais aos anseios do tempo que estamos vivendo.
É o que todo mundo percebe. Fica mais claro a cada dia que passa.
Enviado via e-mail, em 01/05/2013, pelo autor
Eduardo Hoornaert,
belga, mais de 50 anos de Brasil, teólogo, filósofo, historiador, escritor.
Casado com Teresa, mora em Salvador, Bahia
Uma resposta
perfeita sua reflexão, meu irmão; tambem entendi assim esta novidade do espírito,
chamada papa Francisco.