Congresso Ecumênico Alemão, Munique, maio de 2010

De 12 a 16 de maio deste ano, 2010, teve lugar em Munique, sob o lema “Para que tenhais esperança”(1 Pe 1,21), o segundo Congresso Ecumênico Alemão, que reuniu mais de cem mil participantes. Organizado por cristãos leigos, pertencentes, na sua maioria, às duas grandes confissões cristãs da Alemanha, católicos e evangélicos de confissão luterana, foi obra principalmente do Comitê das Igrejas Evangélicas Alemãs e do Comitê Central dos Católicos Alemães.

A primeira tentativa de um evento assim deu-se 1971, com o Encontro Ecumênico Pentecostal, realizado em Augsburg, cujo lema era: “Acolhei-vos uns aos outros, como Cristo também vos acolheu”(Rom 15,7). Participaram 18 mil pessoas.

O primeiro Congresso Ecumênico só aconteceria em 2003. Foi em Berlim, de 28 de maio a 1 de junho, sob o lema: “Vós deveis ser uma bênção”. Inscreveram-se 200 mil participantes, mas compareceram cerca de 400 mil.

Resultou de uma decisão tomada em 14 de novembro de 1996, pelos presidentes do Comitê das Igrejas Evangélicas Alemãs e do Comitê Central dos Católicos Alemães, ambas instituições leigas. Contudo, na preparação do Congresso, colaborariam outras confissões, num grupo criado com esse objetivo, o Grupo de Trabalho de Igrejas Cristãs.

Na intenção dos organizadores, o maior desafio deste congresso seria o de dar novos passos no caminho da unidade, simbolizando-o principalmente a celebração comum da Ceia.

Mas já antes do Congresso, o Papa João Paulo II tinha confirmado, para os católicos, a proibição da “intercomunhão”. Não vetava, porém, o acesso à comunhão de fiéis individuais não pertencentes à Igreja Católica.

À margem do Congresso, a iniciativa “Kirche von untem” (Igreja das Bases) convidou cristãos de todas as confissões para duas celebrações da Ceia na Igreja de Getsémani. Numa delas, o professor emérito de teologia Gotthold Hasenhüttl celebrou a missa de rito romano-católico e convidou expressamente todos os participantes a comungarem. Em consequência disso, foi-lhe proibido o exercício do sacerdócio e, em 2006, retiraram-lhe também a permissão de docência na Igreja.

O outro serviço religioso foi realizado em rito luterano. O padre católico Berhard Kroll tomou parte e ajudou a distribuir o Pão e o Vinho. Por fazê-lo, por participar da Ceia evangélica, tal como Hasenhüttl, foi suspenso pelo bispo.

Não sendo notada por muitos, realizou-se também uma outra Ceia/Eucaristia comum e oficial, mas sem a participação da Igreja Católica. Presidiu-a a bispa evangélica Maria Jepsen e o bispo dos Velhos Católicos Joachim Vobbe. Ambas as Igrejas têm um acordo nesse sentido desde 1985.

Um ponto alto do congresso foi a visita do Dalai Lama.

No fim, os representantes das 16 Igrejas existentes na Alemanha votaram uma Charta Oecumenica que continha o compromisso de uma estreita colaboração.

Dado o sucesso do primeiro Congresso Ecumênico de 2003 em Berlim, o Comitê das Igrejas Evangélicas Alemãs e o Comitê Central dos Católicos Alemães decidiram realizar um segundo em 2010 em Munique. Num tempo de mudanças e de crises de confiança, os organizadores ponderaram ser hora de apresentar o testemunho da comum esperança de todos os cristãos. Cientes, porém, de que tal testemunho só será confiável, se houver uma busca visível de união entre os cristãos. O tema-chave do Congresso seria o papel dos cristãos na sociedade.

Os dois presidentes dos órgãos de preparação do Congresso, leigos, queriam também incluir no diálogo os judeus e os muçulmanos, mas o cardeal de Munique, Friedrich Wetter, rejeitou a ideia. E igualmente foi posta de lado pelas chefias das duas grandes Igrejas, o arcebispo católico e o bispo evangélico da Baviera, a ideia de uma Ceia comum entre católicos e protestantes. Eles acharam que isso seria nocivo para o ecumenismo.

O Congresso contou com mais de três mil eventos com temas como crise econômica e financeira, questões de paz, guerra no Afeganistão, a situação das Igrejas, o ecumenismo, o diálogo com os judeus e muçulmanos, abuso sexual, diálogo inter-religioso para a convivência pacífica entre as religiões, etc.

Na abertura, o Presidente da Alemanha, Koehler, evangélico, criticou a perda de confiança, falou das nuvens escuras que pairam sobre a Igreja e exigiu uma maior colaboração entre católicos e protestantes.

A Chanceler, Merkel, também evangélica, falou da necessidade de poupança, afirmando que nisso se revelaria o esforço comum da sociedade.

Perante seis mil participantes, o jesuíta teólogo e psicólogo Klaus Mertes reclamou o acesso das mulheres ao sacerdócio e a abolição do celibato obrigatório.

O presidente do Comitê das Igrejas Evangélicas Alemãs, Eckhard Nagel, criticou que se ponha o crescimento apenas na política e na economia. E disse:”Precisamos de um crescimento em humanidade, consideração e respeito”. E o presidente do Comitê Central dos Católicos Alemães, Alois Glueck, acrescentaria: “Somos cristãos neste mundo e para este mundo; esta responsabilidade temos de a assumir em comum”. E ambos puderam por fim confessar: “O sonho da unidade e multiplicidade das Igrejas tornou-se em parte realidade em Munique”. Lamentaram, no entanto, que casais de diferentes confissões ainda não possam celebrar a Eucaristia juntos”.

Nas vésperas do Congresso, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos Alemães, Robert Zollitsch, tinha dito que o evento era uma oportunidade para mostrar à sociedade o que os católicos e evangélicos têm em comum. “Há 25 anos – disse – eu não teria tido a coragem de esperar que o Muro de Berlim fosse cair tão depressa. Vi o fato como um presente de Deus. E não excluo – digo-o entre aspas – um tal milagre no ecumenismo. Ainda não temos uma base comum. O que cresceu em 500 anos, não pode ser resolvido em 50 anos de ecumenismo”.

Uma Ceia comum, que reuniria os irmãos, não existiu, embora muitos grupos a exigissem. O símbolo da unidade foram umas Vésperas ortodoxas na Praça Odeon, seguidas da partilha de pão abençoado, distribuído por mil mesas.

Quando será que poderemos ouvir, em qualquer templo cristão, aquele convite da Pastora evangélica que, em tarde de sábado, no subsolo do mosteiro beneditino de Würtzburg, encorajava a diversíssima assembleia a aproximar-se para partilhar do pão e do vinho da Ceia: “Venham, cada um segundo a sua fé”. É que, crendo na presença real sob as espécies do pão e do vinho ou vendo neles apenas um símbolo, o cristão, seja lá qual for a sua confissão, o que busca é o encontro com Cristo.

Fontes: Wikipedia // Spiegel-Online // www.oekt.de // www.bayern-oekumenisch.de // www.epv.de  Por Irene e Luís Guerreiro Cacais

Uma resposta

  1. UM NOVO MANDAMENTO VOS DOU: QUE VOS AMEIS UNS AOS OUTROS; ASSIM COMO EU VOS AMEI, QUE TAMBÉM VOS AMEIS UNS AOS OUTROS.
    NISTO CONHECERÃO TODOS QUE SOIS MEUS DISCÍPULOS: SE TIVERDES AMOR UNS COM OS OUTROS.
    João 13.34,35

    Traz-nos gozo(enlevo, alegria) espiritual estes acontecimentos. E Creio firmemente que os céus também alegraram-se ao verem os santos reunidos em amor em Munique. É Vontade do Pai, do Filho e do Espírito Santo que sejamos um em amor, e não necessariamente em usos e costumes e/ou liturgias.

    Fico a pensar, porque em pleno séc. XXI ainda existem cristãos a pensarem que haverá uma espécie de “loteamento denominacional” quando a igreja chegar ao céu de Deus (se calhar, pensam assim porque nasceram no século passado – é uma mera ilação – eu também nascí no séc. passado).

    Aqueles irmãos pensam que no céu haverá o lote dos católicos, dos luteranos, dos evangélicos, dos pentecostais, Etc. (ou pior: a jactância que existirá apenas o lote da sua denominação), como se Deus excluisse cristãos da salvação, devido a questões litúrgicas ou eclesiológicas. Claro que Ele não o faz, esta mesquinhez, esta religiosidade vazia de amor e em alguns casos, cheia de ódio(quando se excluem sacerdotes de suas funções porque comungaram com outros irmãos) é só do homem, Deus está anos luz acima destas quimeras. São pecaminosas e o nosso Deus abomina este pecado chamado religiosidade “em nome de Deus”, que defende: se não rezas como nós, e apenas connosco, excluimos-te.

    Isto não deveria ser assim. Não deveríamos colocar acima do amor ao próximo, as tradições religiosas. Não deveríamos “matar” pessoas ou vocações em nome da defesa de estrturas e disciplinas religiosas, muitas delas completamente a norte (distantes) da essência do ensino do Evangelho.

    Vale sempre a pena ler e reler as palavras de Jesus em Apocalipse 3.14-22, e averiguarmos de forma metódica e cuidadosa, se a nossa paróquia local, e até mesmo a nossa denominação, está no contexto destas palavras de Cristo, ou seja, se perdeu o norte, se exarcerba-se na defesa de suas tradições, em detrimento do amor ao próximo, ensinado por Jesus. Se alí, as tradições e as liturgias estão acima do amor às almas, temos uma igreja de Laodicéia.

    Um sinal desta igreja, é que seus líderes “dão murros na mesa” e dizem aqui não se muda nada! (ainda que a mudança seja necessária para coibir o pecado e praticar amor e compaixão pelas almas). Ainda que os costumes não sejam lá tão cristãos ou bíblicos, nao se muda nada ! A Deusa deles chama-se religiosidade e tradição. O Deus do Cristo é preterido, posto de parte, e sua palavra ignorada.

    A Sorte de todos nós, é que nosso Deus é infinitamente misericordioso, ama-nos incondicionalmente, e espera pacientemente que nos convertamos de nossa religiosidade ao puro Evangelho de Jesus Cristo. Assim seja!

    Deus abençoe-nos a todos.
    Campos de Sousa

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