Diálogo em Família

O tema é desafiador. Parece abranger problemática generalizada, promotora de desencontros, que propagam violência humana.

Conhecemos a avalanche de desafetos reinantes na estrutura familiar, que, diariamente, nos sentimos envolvidos e quase definhando pelo desalento na busca de solução.

Os problemas proliferam. Muitas vezes apelamos para soluções drásticas. O jovem púbere caminha cambaleante, sufocado pela insegurança e carente de referenciais confiáveis.

O vazio existencial “impõe” fugas conflituosas e, às vezes, desastrosas na conquista da “libertação”.

Muitas famílias “bem posicionadas e, tecnicamente, preparadas”, impressionam pela aparência social, demonstrando maturidade emocional e intelectual.

Em muitas famílias não existe campo propício para diálogos, porque a convivência pode constituir simples aglomerado, onde a humanização, a harmonia, o encontro afetivo, a convivência amiga, o conhecimento mútuo, o amor oblativo, o entusiasmo, a alegria de viver etc. não dispõem de espaço e adesões suficientes para o prazer de encontros.

A problemática assume proporções preocupantes, principalmente, quando pais e educadores se posicionam em pedestal fantasioso e inacessível. A altura torna-se privilegiada, porque a visão abrangente sufoca as iniciativas de questionamentos de modelos referenciais.

A manutenção da “altitude” exige reforço do jogo do poder através de imposição, ameaças, restrições, desqualificação, etc. As consequências são negativas porque o sistema cria distâncias reais e fantasiosas, que impõem limitações e sérias resistências a relacionamentos afetivos.

As ausências reais ou imaginárias ampliam as distâncias entre educadores e educandos com entraves à aproximação.

Os entraves sentidos emocionalmente como reais e vivenciados como presentes nas lidas diárias acarretam convicção de abandono e de certa impotência para evoluir.

A superação desses conflitos dolorosos determina mudanças radicais, onde o educador promove clima educacional favorável à convivência amiga e partilhada da misericórdia, da compaixão imbuída de perdão.

As mudanças para a evolução saudável da educação serão acessíveis se colocarmos Deus como centro da atuação humanizante.

A fase sustentável das mudanças educacionais reside na capacidade do educador de ativar os paradigmas internos.

Para executar o projeto com equilíbrio e respeito é indispensável que o educador possua treinamento específico e adequado ao exercício das transformações.

Características básicas da vivência do educador:

  • Humildade, capacidade de amar e de perdoar.
  • Envolvimento pessoal na criação e promoção de um clima familiar respeitoso, afetivo, participativo, acolhedor, amoroso, sincero, criativo, confiável, honesto, promotor da partilha e da presença de Deus, amigo e Pai.
  • Capacidade de ouvir, com respeito, as propostas dos educandos.
  • Desenvolver a conscientização generalizada para valorizar os resultados positivos de atuação dos educandos nos campos da convivência humana
  • Promover a integração familiar.
  • Dar estímulos positivos condicionais e incondicionais em abundância a todos os integrantes da família, da escola, da comunidade, etc..
  • Estimular determinado comportamento positivo ou negativo representa reforço concreto para a repetição daquela atitude.
  • Grande carência do ser humano, principalmente, do jovem púbere é a ânsia de sensação e de reconhecimento. Ser visto, amado, querido, apreciado, abraçado, etc. são exigências básicas do ser humano. O reconhecimento de atos bons praticados representa a repetição desses atos e reforço da motivação.
  • Compete à família conferir os valores vivenciados no lar e a promoção de convivência fraterna, partilhada e libertadora de egoísmos.
  • A conscientização de que a distância que separa a Geração X da Geração Y pode torna-se conflituosa. A diferenciação de sentido dos valores promove desencontros, às vezes, destruidores de vidas.

O empenho das duas gerações pode construir pontes que interliguem desafetos e amenizem o sofrimento das ausências, patrocinado pela indiferença e desamor.

Se a convivência do lar não for humanizada, os jovens carentes de afeto e amor buscarão alienação através de meios nem sempre aprovados.

 Educador, não determine a caminhada do educando, nem caminhe por ele, mas facilite a escolha consciente do caminho.

 Essa minha afirmação encontra-se no meu livro: Repensar a Educação, o Despertar das Potencialidades, já publicado.

*Antônio Luiz Bianchessi Filósofo, Educador, consultor.

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