Bispo alemão Walter Mixa pede ao Papa demissão do seu “cargo”. Um acontecimento inédito na história recente da Igreja católica alemã e tido como um alívio

Segundo o “Spiegel online.de” de 21 e 22 de abril, o bispo de Augsburg (desde 2005), Walter Mixa (68), pediu ao Papa a demissão do seu cargo.

Mixa era tema das manchetes da mídia alemã há muito pelas suas posições e observações ultraconservadores e antiquadas sobre vários assuntos.  Era já um peso para a Igreja, para o povo e também para a política alemã.

Já em 2009, quando a então Ministra Federal Alemã de Família se esforçava por oferecer mais lugares nas creches às mães que trabalham fora, ele vociferou: “Lugar de mãe é em casa. Com mais creches, se reduz a mulher a uma “Geburtsmaschine” (máquina de parir).

Também em 2009 se pôs ao lado da Fraternidade Sacerdotal São Pio X e do bispo Williamson que nega o holocausto. Fez neste contexto várias afirmações que caíram muito mal, como, por exemplo:

– assasinatos em massa teriam a ver com o ateísmo

– comparou o aborto ao holocausto

– criticou a Chanceler Merkel, quando ela censurou o Papa no caso do bispo Williamson

– alegou que a culpa dos abusos sexuais, últimamente surgidos em massa na Igreja católica da Alemanha, era da revolução sexual dos anos 60 (68).

Em 2010, nos últimos dois meses, esteve quase cada semana, uma ou duas vezes, nas manchetes porque, no contexto das notícias sobre o abuso sexual e corporal na Igreja católica alemã, várias ex-alunas de um orfanato de Schrobenhausen, onde Mixa era pároco e depois decano de 1975 até 1996 (quando foi sagrado bispo de Eichstaedt), o acusaram, com juramento, que, quando crianças, foram espancadas por ele.

Durante semanas Mixa negou que alguma vez tivesse posto a mão em alguma criança. Depois confessou que tinha dado umas “bofetadas”, como era costume naquele tempo, e pediu “desculpas”.

Paralelamente surgiram notícias sobre irregularidades nas finanças daquele tempo. Ele teria usado meios que eram destinados ao orfanato, na compra de objetos de arte para a casa paroquial. Este assunto está sendo investigado ainda.

Sendo este bispo cada vez mais um problema para a Igreja católica da Alemanha, em 21 de abril de 2010, o Presidente da Conferência Nacional dos Bispos alemães, Robert Zollitsch , pediu-lhe que considerasse afastar-se temporariamente da diocese de Augsburg – um passo considerado único na recente história do catolicismo da Alemanha.

Um dia depois, em 22 de abril, Spiegel-online.de contou que Mixa pediu ao Papa a sua demissão como bispo de Augsburg e também de sua função de bispo militar, fato confirmado oficialmente pelo bispado. A discussão à volta de sua pessoa teria sido um peso para os sacerdotes e fiéis do bispado. Ele pediu demissão para evitar mais prejuizo para a Igreja. “A todos que possa ter tratado injustamente, e a todos que dei desgosto, peço hoje mais uma vez perdão”.

É tido por seguro que o Papa aceitará o pedido de demissão.

Tanto a Igreja católica como os católicos, na pessoa do Presidente do “Conselho Central dos Católicos”, Alois Glück, como também a Ministra Federal de Familia, Kristina Schroeder, do Partido dos Democratas Cristãos, saúdam este passo. Estão todos convencidos de que é um alívio para a Igreja católica e para a política alemã.

por Irene Ortlieb Guerreiro Cacais

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