Procurando evitar qualquer envolvimento emocional, gostaria de colaborar com umas poucas palavras acerca deste assunto que está mexendo com nossa comunidade de MFPC.Gostaria de perguntar ao senhor arcebispo de Kampala, como ele entende a palavra de Jesus quando diz: “Entre vocês não deve ser assim” (Jesus se refere à disputa, superioridade de uns sobre outros – onde há superiores, também há inferiores -) etc. ?
O senhor arcebispo alega que Padre Musaala “desperta o ódio e o desprezo contra a Igreja”. Creio que esta afirmação não necessite de comentário, pois fatos internos da Igreja Católica Apostólica Romana dos últimos anos falam por si, por terem causado profundo ódio e desprezo contra a Igreja, sem precedentes.Padre Musaala fala em “efeitos nada positivos em conseqüência de uma imposição”. O senhor arcebispo se nega a entrar no âmago da questão (a obrigatoriedade do celibato), refugiando-se no Direito Canônico, atitude típica de quem não tem argumentos. É fechada novamente a porta para o diálogo, a Igreja de Puebla, aquela da “Comunhão e Participação”, levando-a, mais uma vez, ao túmulo.
Gostaria de perguntar ao senhor arcebispo de Kampala, com que olhos ele lê o capítulo quarto do Evangelho de João, quando Jesus conversa, respeitosamente, com a mulher samaritana, interessando-se pela vida dela, procurando ajudá-la encontrar novas perspectivas para sua vida? Será que Jesus não quis ensinar-nos a arte do diálogo?
O Padre Musaala diz: “É necessária uma campanha de sensibilização pelo celibato opcional, já que não há argumentos teológicos, mas apenas as restrições de tradição e da disciplina da Igreja”.
Se somente no Brasil há, ao menos, 8.000 padres casados (não tenho idéia de quantos há pelo mundo afora), então a proposta por uma “sensibilização” acerca da questão obrigatória do celibato parece-me mais do que sadia, necessária, além de urgente. Creio, por sinal, que nós, o MFPC, deveríamos tomar a iniciativa deste processo de sensibilização.
Gostaria de perguntar ao senhor arcebispo de Kampala, e a todos que dirigem a Igreja, por que tanto medo, qual razão, por que tanta rigidez, frieza e insistência em não querer compreender o outro lado. Parece haver algo a esconder, algo de se envergonhar. Porque os senhores não abrem o jogo? Porque não vamos dar um “basta” a esta brincadeira de mau gosto deste interminável “esconde-esconde”? Paulo diz aos Efésios: “Confessando a verdade no amor, cresceremos sob todos os aspectos em direção àquele que é a cabeça, Cristo” (Ef. 4, 15).

Respostas de 3
Eu penso que para responder aos questionamentos do Geraldo Frencken, é preciso, antes de mais nada, considerar esta igreja romana como uma instituição humana, o que ela, aliás, é.
E utilizar os instrumentos de análise de qualquer sociedade humana.
Qual é sua natureza? Quais são os elementos de sua identidade? Qual é sua composição? Como se se torna membro dela? Como se pode sair dela?
Quais são os elementos de autoridade?
Quais são seus meios de ação?
O que tem ela revelado de seu ser-no-mundo nos séculos passados?
O que ela trouxe de positivo à sociedade? E de negativo?
Qual é a percepção que dela têm as pessoas que não são seu público?
Quais são seus problemas hoje?
quais são as respostas que ela traz para estes problemas?
O que dizem dela os seus membros? O que dizem os seus detratores?
Longo trabalho. Mas eminentemente construtivo, longe de tudo o que ela própria diz sobre si mesma. Boa caminhada.
Jean
Ex-padres ao Papa: Aprove ao celibato opcional. E abriram uma congregação.
Está acontecendo nas Filipinas. Leia a notícia no link abaixo.
http://www.rappler.com/move-ph/25048-priesthood-catholic-priest-optional-celibacy
Se não consegue ler em inglês, faça um “copiar colar” cole o texto no Google Tradutor e leia em português.
Muito boa a reflexão do Geraldo Frencken!!!
Parabéns pela lucidez e ponderações!
Este assunto, com certeza, deveria ser levado adiante,provocando um debate maduro e coerente, pois, assim como eu, padre casado, milhares de outros padres casados, poderiam estar dando sua contribuição EFETIVA e AFETIVA para o crescimento da igreja de Jesus Cristo nas comunidades onde vivemos.
Muitas vezes não temos a coragem de nos oferecer para algum trabalho, pois, percebemos com muita clareza, a frieza e desconfiança de muitos padres (com algumas exceções) que ainda estão na ativa, em relação a nós que deixamos o ministério.
Infelizmente, creio que, enquanto as “autoridades da igreja” continuarem se escondendo atrás do direito canônico (como argumento inexplicável para tais questões), não permitirão que se sobressaia o verdadeiro debate e avanço de diálogo, que deveriam ser iluminados pela bíblia (Palavra de Deus).
A sensação que tenho, é de que, se não houver uma verdadeira mudança de rota e de pensamento (URGENTES), por parte da direção da Igreja católica, o desencanto só tende a aumentar, em relação a tantas coisas maravilhosas que a própria Igreja, enquanto instituição, poderia realizar neste mundo marcado pelas diferenças de relações e de pensamentos.
Parafraseando o belíssimo Hino do Magnificat de Maria, rogamos ao Senhor, que derrube do trono, “os poderosos”, juntamente com suas hipocrisias; abra espaço para que novos ventos possam arejar as estruturas eclesiásticas, permitindo que as luzes do Altíssimo iluminem novos caminhos, a serem percorridos por TODOS os homens e mulheres de boa vontade…