Inés San Martín – 21/11/2019 
(Crédito: AP Photo / Sakchai Lalit)
Católicos aguardam o Papa Francisco antes da Santa Missa no Estádio Nacional de Bangcoc, na Tailândia, na quinta-feira, 21 de novembro de 2019.
Durante a sua homilia, Francisco disse que um discípulo missionário sabe que “evangelização não é ganhar mais membros ou parecer poderoso.
Antes, trata-se de abrir portas para experimentar e compartilhar o abraço de misericórdia e de cura de Deus Pai, que faz de nós uma família”.
BANGCOK, Tailândia – Falando a cerca de 60.000 membros da pequena comunidade católica da Tailândia, na quinta-feira, o Papa Francisco conclamou-os a serem discípulos missionários, explicando que ser um “mercenário da fé” não obriga outros a se converterem.
“Um discípulo missionário não é um mercenário da fé ou um produtor de prosélitos, mas um humilde mendigo que sente a ausência de irmãos, irmãs e mães com quem compartilhar o irrevogável presente de reconciliação que Jesus concede a todos”,
disse Francisco durante a primeira missa pública de sua visita de 20 a 23 de novembro à Tailândia, comemorada no Estádio Nacional de Bangcok.
Os 60.000 participantes da missa representam mais de 10% dos 400.000 católicos da Tailândia, que são apenas 0,6% dos 69 milhões de habitantes da Tailândia. A grande maioria são budistas.
Na sua homilia, Francisco também denunciou a exploração de mulheres e crianças forçadas à prostituição, bem como as vítimas de redes de tráfico humano, as exploradas pela indústria pesqueira e as forçadas a mendigar nas ruas, dizendo que todos elas
“são nossas mães, irmãos e irmãs” e também merecem “o bálsamo do amor de Deus que cura todas as feridas”.
Falando num país mundialmente famoso por seu turismo sexual, o papa disse que as mulheres e crianças vítimas de prostituição e de tráfico de seres humanos são “humilhadas nab sua essencial dignidade humana”.
A indústria do turismo sexual representa cerca de 3% do PIB do país.
Desde que foi arcebispo de Buenos Aires, Francisco fez da luta contra a escravidão moderna um dos pilares sociais de sua agenda.
Nos últimos anos, o governo tailandês tentou coibir essa indústria e prometeu uma melhor cooperação com organismos internacionais de combate ao tráfico de seres humanos.
A prostituição é ilegal no país, mas a lei não foi aplicada. A maioria das meninas e mulheres exploradas por essa indústria são – segundo o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime [UNODC] – migrantes vindos do Laos, Mianmar, Camboja e Vietnã.
Segundo a USAID, em 2014 havia 120.000 profissionais do sexo na Tailândia, embora algumas agências calculem que haja até 300.000 prostitutas. Os go-go bars e as casas de massagens que servem como fachada de prostituição são fáceis de encontrar em Bangcoc e em outras cidades tailandesas.
Durante a sua homilia, Francisco também falou de
“jovens escravizados pela toxicodependência e pela falta de sentido que os deprimem e destroem seus sonhos”.
“Penso nos migrantes, privados de seus lares e famílias, e em tantos outros que, como eles, podem sentir-se órfãos, abandonados, sem a força, a luz e o consolo nascidos da amizade com Jesus Cristo, sem uma comunidade de fé para apoiá-los, sem sentido e sem objetivo na vida”, continuou o papa.
Todos os que sofrem, disse Francisco,
“fazem parte da nossa família. São nossas mães, nossos irmãos e irmãs. Não privemos nossas comunidades de ver os seus rostos, as suas feridas, os seus sorrisos e as suas vidas. Não os impeçamos de experimentar o bálsamo misericordioso do amor de Deus que cura as suas feridas e dores”.
Lembrando a chegada dos primeiros missionários portugueses há 350 anos, Francisco disse que isso não deveria ser uma “celebração de nostalgia do passado”, mas um “fogo de esperança” que ajuda a responder aos desafios de ser missionários hoje com um determinação e confiança semelhantes:
“Uma comemoração festiva e grata que nos ajuda a seguir adiante com alegria para compartilhar a nova vida nascida do Evangelho com todos os membros de nossa família que nós ainda não conhecemos”.
Cristo, disse o papa, comeu com os pecadores, deixando claro que eles também tinham um lugar “à mesa do Pai” e tocou os que eram “considerados impuros”, ao mesmo tempo que se deixava tocar por eles, ajudando-os a perceber que Deus está perto de todos.
“Os missionários passaram a entender melhor o plano amoroso do Pai, que não se limita a um grupo restrito ou a uma cultura específica, mas é maior do que todos os nossos cálculos e previsões humanas”, disse Francisco.
Antes da missa de quinta-feira, Francisco encontrou-se com o rei da Tailândia, Rama X.
Na sexta-feira, está prevista uma fala de Francisco com os bispos locais, e mais tarde um encontro com padres e religiosos, homens e mulheres, seguidos por uma missa para os jovens tailandeses. No sábado, depois de visitar a universidade jesuíta local, ele seguirá para o Japão, onde visitará Tóquio, Hiroshima e Nagasaki.
Inés San Martín