De acordo com a equipa do Google, o processador quântico desenvolvido nos laboratórios da empresa em Santa Barbara, nos EUA, demorou 200 segundos (3,33 minutos) para resolver uma equação matemática que os melhores supercomputadores modernos demorariam dez mil anos. É uma meta que investigadores de todo o mundo ambicionam alcançar desde a década de 1980, embora alguns fabricantes de supercomputadores, como a IBM, já tenham dito que o Google está a exagerar nos valores.
“Chama-se a isto sobreposição quântica”,
explica Sundar Pichai, presidente executivo do Google, num comunicado sobre os resultados que define como a maior “barreira ultrapassada até agora” na corrida à computação quântica.
“E se temos dois qubits, há quatro estados possíveis em sobreposição e que crescem exponencialmente.”
O processador utilizado pelo Google na experiência, apelidado de Sycamore pela equipa, tinha 54 qubits.
Cepticismo da indústria
Apesar do estudo do Google ter sido publicado agora, desde Setembro que versões não oficiais do teste circulavam na Internet com empresas como a IBM a questionar a veracidade dos resultados.
“E isto é a estimativa mais conservadora”, lê-se na explicação da IBM.
“Os ditos computadores convencionais têm recursos próprios, como uma hierarquia de memória e cálculos de alta precisão, e uma vasta base de algoritmos”.
Para a IBM, é importante considerar todos esses recursos na hora de fazer uma comparação.
A expressão “supremacia quântica” também tem sido alvo de críticas pela sua semelhança com a expressão “supremacia branca” que dá a entender que há humanos superiores a outros humanos. Em 2019, a computação quântica oferece vários desafios: por exemplo,
- para funcionarem os qubits têm de ser armazenados a temperaturas extremamente baixas – a 273 graus Celsius negativos.
- Isto torna estas máquinas pouco práticas e muito caras.
“Construir sistemas quânticos é uma proeza incrível da ciência e da engenharia, e um desafio formidável. A experiência do Google é uma excelente demonstração de progresso”,
reconhece a equipa da IBM.
“Mas não deve ser vista como uma prova de que os computadores quânticos são superiores aos computadores convencionais.”
Para já.
O professor e investigador de física John Preskill, do Instituto de Tecnologia da Califórnia e que foi quem primeiro utilizou a expressão “supremacia quântica” em 2012, defende o uso do termo pelo Google.
“Uma alternativa é ‘vantagem quântica’, que é muito usada actualmente. Mas para mim, carece do impacto de ‘supremacia’”,
escreve Preskill, numa publicação online sobre a controvérsia.
“Agora que sabemos que a máquina funciona, pode-se começar a investigação para aplicações mais úteis.”
Ainda irá demorar.
“Há um longo caminho a percorrer desde a experiência que desenvolvemos em laboratório até ao desenvolvimento de aplicações práticas no mundo real”,
admite o presidente executivo do Google. Pode demorar.
“Há um longo caminho a percorrer desde a experiência que desenvolvemos em laboratório e o desenvolvimento de aplicações práticas no mundo real”,
admite o presidente executivo do Google. Sundar Pichai compara os resultados anunciados hoje pelo Google com a primeira vez que um foguetão conseguiu ultrapassar a atmosfera terrestre, para depois voltar logo de seguida.
“Na altura, alguns perguntaram: para quê ir ao espaço sem chegar a sítio nenhum? Mas foi um grande passo para a ciência porque permitiu aos humanos vislumbrar possibilidades de viagem completamente novas… para a Lua, para Marte, para galáxias além da nossa.”