E ainda estamos ali…
- não se trataria de uma questão teológica
- nem de limites indicados nas Escrituras,
- mas seria um problema de direito canónico…
- gostaria de defender o direito canónico e dizer que não tem responsabilidade alguma.
- Mas por outro lado, não o defenderia chegando ao ponto de afirmar que não possa ter necessidade de ser revisto ou modificado.
- Contudo, se considerarmos as normas em si mesmas,
- há pouquíssimas restrições que excluem expressamente o feminino, como é por exemplo o caso da ordenação sacerdotal.
- a distinção entre clero e leigos,
- entre aquilo que podem fazer uns e outros.
- Isto poderia ser revisto.
Mas quando se fala de leigos, não vejo uma diferença substancial entre homens e mulheres. Isto não significa
- que talvez tenha chegado o momento de empreender uma ação positiva
- para mostrar claramente que as mulheres são parte integrante da Igreja.
- nalgumas conferências episcopais as mulheres desempenham papéis que outras não têm;
- a variedade é deveras grande.
Contudo, no fundo seria necessário ter claro que, dado que homens e mulheres são diversos,
É importante que todos compreendam isto, e que o ponham depois concretamente em prática.
Falando de direito canónico, acabou de se concluir o jubileu extraordinário sobre a misericórdia: mas se Jesus é misericórdia e o direito é justiça, como os podemos conciliar?

“Só quando os meninos e as meninas forem tratados do mesmo modo na própria casa, seremos deveras capazes de cortar pela raiz o nó da misoginia e da violência.”
Trata-se de uma pergunta muito interessante. Organizámos em Mumbai um congresso sobre este tema precisamente para indagar a relação entre elas. O Papa chamou muitas vezes a atenção para ambas, para o uso da misericórdia e para a aplicação da justiça. A pergunta de fundo é se nisto há ou não contradição:
- considero que misericórdia e justiça não estão em oposição entre elas
- porque a justiça de Deus é misericórdia.
- É questão de gratuitidade, de perdão, de compreensão recíproca.
E, obviamente, também do facto que cada um tem o justo lugar. Por conseguinte,
- devemos redefinir o nosso conceito de justiça,
- porque a justiça não pode excluir a misericórdia.
- Caso contrário, seria uma justiça divina defeituosa. Uma justiça viciada.
Voltemos às mulheres: o senhor cardeal expressou-se muitas vezes em sua defesa, sobretudo no contexto das numerosas violações ocorridas na Índia às quais os meios de comunicação internacionais deram muito espaço…
- O que é realmente grave nesta situação
- é o sentido de impunidade que acompanha a receção da crónica destes horrores.
Se há uma tentativa de mudar as leis para as tornar mais severas, devemos contudo ter presente que não se pode mudar a sociedade unicamente com as disposições normativas:
- a maior parte das pessoas está convencida de que a culpa é das mulheres que provocam os homens,
- que no fundo as verdadeiras responsáveis são elas, que as vítimas destes episódios são mulheres «más»,
- culpadas devido aos seus comportamentos.
Em todas as suas formas a misoginia é minimizada e banalizada desta maneira. É isto que se aprende em casa e na sociedade. E é isto que deve mudar.
A Igreja pode fazer alguma coisa?

- só quando os meninos e as meninas forem tratados do mesmo modo na própria casa,
- seremos deveras capazes de cortar pela raiz o nó da misoginia e da violência.
Devemos trabalhar todos juntos, nos vários níveis. Agora, por exemplo, estamos a preparar um protocolo sobre o comportamento das pessoas que trabalham na Igreja, nas paróquias, quer elas sejam religiosas quer leigas. De resto, temos o modelo das congregações femininas que no nosso país estão a fazer deveras muitíssimo para ajudar as mulheres brutalizadas, violentadas, escravizadas, empobrecidas.
