
♦ Normas para regular a transferência de sacerdotes de uma diocese para outra ou a migração de aspirantes ao sacerdócio de seminário para outro seminário;
♦ disposições para facilitar a participação dos leigos em investigações e processos canônicos;
♦ uma avaliação “psicológica” dos candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada.
♦ Indicações sobre protocolos específicos para as acusações contra bispos,
♦ a idade mínima para o matrimônio, os processos de cura nas dioceses e sobre as relações com os meios de comunicação.
A reportagem é de Andrés Beltramo Álvarez, publicada por Vatican Insider, 21-02-2019. A tradução é de André Langer.
O Papa Francisco pediu “concretude” hoje de manhã em seu discurso com o qual abriu a grande cúpula sobre os abusos, que será realizada no Vaticano até o dia 24 de fevereiro. Depois pediu que os 190 participantes recebessem uma lista de 21 pontos para orientar e tornar mais concretas as discussões desses três dias. Um “mapa” para atingir o objetivo de formular estratégias aplicáveis no futuro nas Igrejas dos cinco continentes.
“Orientações para ajudar nas nossas reflexões”; Francisco apresentou-as hoje de manhã.
Elas são o fruto das investigações e instâncias
- enviadas pelas diferentes Comissões e Conferências Episcopais de todo o mundo
- para os membros do comitê organizador da reunião.
Nota-se, efetivamente, ao ler os vários pontos, que alguns temas referem-se a problemas e sensibilidades específicos de alguns países e culturas. Por exemplo, elevar a idade mínima do matrimônio para 16 anos, ou retomam propostas feitas nos últimos meses por alguns episcopados.
O último ponto, por exemplo,
- recorda a sugestão dos bispos estadunidenses
- de criar grupos de leigos e consagrados, especialistas na matéria,
- para que as vítimas de eventuais abusos possam dirigir-se a eles.
“É necessário – diz o texto que foi divulgado pela Sala de Imprensa do Vaticano – que
- seja instituído, ali onde ainda não foi feito,
- um órgão de fácil acesso para as vítimas que desejam denunciar possíveis crimes.
Um organismo
- que goze de autonomia, inclusive com respeito à autoridade eclesiástica local
- e composto por peritos (clérigos e leigos),
- que saibam expressar a atenção da Igreja àqueles que, neste campo, se consideram ofendidos por atitudes inadequadas por parte dos clérigos”.
Outros pontos importantes estão relacionados com
- a transferência de sacerdotes, seminaristas e aspirantes à vida religiosa
- para outras dioceses, seminários ou congregações.
Seria uma maneira de
- acabar com o antigo mecanismo de “acobertamento” dos clérigos comprovadamente acusados de abusos.
- “Indicar as normas que regem a transferência de um seminarista ou aspirante religioso de um seminário para outro;
- assim como de um sacerdote ou religioso de uma diocese ou congregação para outra”,
diz o ponto 18.
Em relação aos seminaristas, pede-se a introdução de
- “programas de formação inicial e permanente
- para consolidar sua maturidade humana, espiritual e psicossexual,
- bem como suas relações interpessoais e seu comportamento”.
E também que se faça com os candidatos ao sacerdócio e à vida consagrada “uma avaliação psicológica realizada por especialistas qualificados e credenciados”.
Também é necessário formular
- “ códigos de conduta obrigatórios para todos os clérigos, religiosos, funcionários e voluntários
- para delinear limites apropriados nas relações pessoais”.
- E “especificar os requisitos necessários para funcionários e voluntários, e verificar seus antecedentes criminais”.
Em outro ponto do documento pede-se
- “disposições que regulem e facilitem a participação de especialistas leigos
- nas investigações e nos diferentes graus de julgamento dos processos canônicos
- referentes aos abusos sexuais e/ou de poder”.
Uma indicação expressada pelo arcebispo Charles Scicluna, membro do comitê organizador, em sua fala desta manhã.
Outros pontos para a reflexão são aqueles que indicam a necessidade de criar:
- um “vademecum prático no qual sejam especificados os passos a seguir pela autoridade em todos os principais momentos do surgimento de um caso”;
- estruturas “de escuta, compostas por pessoas preparadas e especializadas, onde se realize um primeiro discernimento dos casos das supostas vítimas”;
- “procedimentos compartilhados para a análise das denúncias, a proteção das vítimas e o direito de defesa dos acusados”; e “critérios para a participação direta do Bispo ou do Superior Religioso”,
- bem como de “protocolos específicos para a gestão das acusações contra os Bispos”.
Entre os pontos para a reflexão da reunião insiste-se na indicação de
- “informar as autoridades civis e as autoridades eclesiásticas superiores de acordo com as normas civis e canônicas”.
- Assim como “proceder a uma revisão periódica dos protocolos e das normas
- para salvaguardar um ambiente protegido para menores em todas as estruturas pastorais;
- protocolos e normas baseadas nos princípios da justiça e da caridade”.
A base de todas estas indicações é a vontade de
“acompanhar, proteger e cuidar das vítimas, oferecendo-lhes todo o apoio necessário para a sua completa recuperação”,
o que sempre foi um pedido do Papa. Com base nessa vontade, pede-se a preparação de
- “caminhos para o cuidado pastoral das comunidades feridas pelos abusos, assim como itinerários penitenciais e de recuperação para os culpados”.
- Também é necessário “aumentar a consciência das causas e das consequências dos abusos sexuais
- por meio de iniciativas de formação permanente de Bispos, Superiores Religiosos, clero e agentes de pastoral”.
Em virtude das palavras usadas pelo Papa durante o seu discurso à Cúria Romana, quando agradeceu aos jornalistas por terem trazido à luz com seu trabalho de investigação histórias de abusos que teriam sido esquecidos, pede-se para
- “consolidar a colaboração com todas as pessoas de boa vontade e com os operadores dos meios de comunicação
- para reconhecer e discernir os casos verdadeiros dos falsos, as acusações de calúnia,
- evitando ressentimentos e insinuações, fofocas e difamações”.
Também há nestes pontos uma alusão ao “direito de defesa”, pois
- “é necessário salvaguardar o princípio do direito natural e canônico da presunção de inocência
- até que se demonstre a culpa do acusado – lê-se no 14º ponto.
Portanto, é necessário
- evitar que sejam publicadas listas dos acusados, inclusive pelas dioceses,
- antes da investigação preliminar e da condenação definitiva”.
Para concluir, pede-se também que se observe
- “o princípio tradicional da proporcionalidade da sentença com relação ao crime cometido.
- Deliberar que os sacerdotes e bispos culpados de abuso sexual de crianças e adolescentes deixem o ministério público”.
Andrés Beltramo Álvarez
.
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