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Brasil, uma semana para pensar a democracia

  • 02/10/2018
  • 20:59
Resultado de imagem para Brasil, uma semana para pensar a democracia

Manuel Carvalho – 2/10/2018 || Foto: HuffPost Brasil

A ferida aberta no consenso democrático com essa manobra jamais curou e permanece aberta com o drama da escolha entre Bolsonaro e Haddad. Um e outro representam o extremo da fractura social e política do Brasil.

  • Ganhe quem ganhar,
  • nenhum terá a protecção do consenso nem do compromisso:
  • terá de sobreviver ao ódio e ao ressentimento

 

O cenário das eleições presidenciais brasileiras do próximo fim-de-semana faz parte da lista dos acontecimentos impossíveis de todos os que tentaram adivinhar o futuro nos (apesar de tudo e da destituição de Collor de Mello) esperançosos anos de 1990.

Quando os dois candidatos que lideram as sondagens representam:

  • um, o passado traumático,
  • e, outro, o futuro baseado na intimidação e na violência,

é difícil falar num novo ciclo e na possibilidade de o gigante de língua portuguesa renascer dos seus desencantos.

Fernando Haddad e Jair Bolsonaro representam

  • mais um ajuste de contas com o passado
  • do que qualquer projecto capaz de resgatar o Brasil dos seus dilemas.

Mas representam também uma oportunidade única

  • para se analisarem as fragilidades da democracia.
  • E para se aprender com elas.

O Brasil que vai eleger Bolsonaro e Haddad para a segunda volta das eleições é o reflexo da corrupção e de uma desesperada estratégia de subversão da democracia para a combater.

  • Quando os brasileiros reelegeram Dilma Rousseff em 2015,
  • já a operação Lava-Jato, uma colossal colecção de actos de corrupção em torno da estatal Petrobras, estava em curso.

Para agravar o cenário,

  • a economia afundava-se
  • e as classes médias perceberam que o PT no poder era incapaz de responder aos seus anseios e aos dilemas do país.

Perdida a possibilidade de mudar a ordem das coisas nas urnas,

  • a maioria dos membros do Congresso
  • associada à imprensa
  • e à pressão da população urbana das grandes cidades
  • destituiu Dilma com facilidade — bastou procurar um delito menor, as “pedaladas fiscais”, para o conseguir.

 

A ferida aberta no consenso democrático com essa manobra jamais curou e permanece aberta com o drama da escolha entre Bolsonaro e Haddad. Um e outro representam o extremo da fractura social e política do Brasil.

  • Ganhe quem ganhar,
  • nenhum terá a protecção do consenso nem do compromisso:
  • terá de sobreviver ao ódio e ao ressentimento.

Ao libertar o fantasma do golpe, mesmo que um golpe com cobertura constitucional,

  • o Brasil abriu uma caixa de Pandora
  • e vê-se forçado a escolher hoje entre o mau e o horrível.

Fica a lição. A democracia fundada na soberania popular ainda é o melhor meio de solucionar os problemas. Mesmo num país devastado pela corrupção e pela incompetência.

Manuel Carvalho
 
Manuel Carvalho
 
 
Fonte: https://www.publico.pt/2018/10/02/mundo/editorial/brasil-uma-semana-para-pensar-a-democracia-1845947?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+PublicoRSS+%28Publico.pt%29
 

Ler mais:

  • O Rio tem medo e vai votar Bolsonaro
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