Boaventura de Sousa Santos – 22 /08/2018
Foto: Urna Eleitoral/Wilson Dias, ABr
Esquerda e Lula recuperaram imagem e influência, mas atitude hegemonista do PT bloqueia unidade. Direita assanhou-se.
Será possível derrotar o golpe em outubro?
O artigo é de Boaventura de Sousa Santos, sociólogo, publicado por Outras Palavras, 20-08-2018.
Eis o artigo.
Estão a acelerar-se as urgências típicas de um ciclo eleitoral que se vai prolongar entre o fim de agosto e o fim de outubro. Estas urgências são particularmente desafiadoras para as esquerdas brasileiras porque o seu principal candidato e, de todos o mais bem posicionado nas sondagens, está preso e pode vir a ser considerado inelegível.
As irregularidades óbvias do processo Lula da Silva têm tido alguns efeitos surpreendentes.
A obsessão punitiva
- foi neste caso tão excessiva
- que o sistema judiciário degradou a sua imagem e a sua legitimidade, tanto nacional como internacionalmente,
- a um nível e com consequências que, por agora, são difíceis de avaliar.
Por sua vez, a imagem política e humana de Lula saiu desta húbris político-judicial fortemente fortalecida e melhorada.
- Vítima de uma flagrante injustiça e, para muitos, um preso político – talvez o mais famoso preso político do mundo –
- Lula da Silva viu aumentar exponencialmente o seu crédito político e a sua popularidade junto das classes populares.
Paulatinamente,
- os erros ou desacertos dos governos do PT por ele hegemonizados no período 2003-2016 foram sendo minimizados ou esquecidos — para o que contribuiu também o agravamento da crise econômica e a política de austeridade que entretanto desabou sobre as classes populares—
- e Lula da Silva foi-se consolidando como o pre-candidato de longe mais bem posicionado para ganhar as próximas eleições presidenciais.
Isto, apesar de
- estar preso,
- não poder dar entrevistas nem gravar videos
- e ser muito provavelmente inelegível nos termos da “Lei da Ficha Limpa”.
Se objetivo político-judicial era destruir a imagem do ex-presidente, tudo leva a crer que a estratégia seguida pela elite conservadora falhou e foi mesmo contraproducente. Terá, no entanto, atingido com êxito o seu objectivo principal:
- retirar Lula da Silva da próxima contenda eleitoral
- e fazê-lo sem uma alteração qualitativa do regime político
- e sem níveis incontroláveis de perturbação social.
Mas mesmo neste domínio o objetivo pode ter sido apenas parcialmente atingido. Resta a dúvida
- sobre a influência que o ex-presidente pode ter na escolha do próximo Presidente da República
- e na governação do país no próximo ciclo político.
Para além deste fator de imprevisibilidade dois outros devem ser considerados:
- endurecimento geral do regime político;
- e as dificuldades de construção de hegemonia tanto à direita como à esquerda.
O endurecimento geral do regime político
Nos últimos meses o regime político endureceu consideravelmente. Aumentou a violência política de que a manifestação mais visível foi o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, em 14 de março deste ano.
Para além disso,
- ocorreram outras execuções de lideres políticos locais,
- aumentou a violência contra lideres sociais sobretudo no meio rural,
- acentuou-se o verdadeiro genocídio de jovens negros e pobre das periferias urbanas,
- foi decretada a intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro com o pretexto da luta contra o crime organizado,
- têm vindo a ser perseguidos judicialmente professores e investigadores
- com acusações chocantes contra os resultados da sua pesquisa científica (por exemplo, no domínio dos efeitos danosos para a saúde pública decorrentes do uso irregular de agrotóxicos na agricultural industrial).
O golpe institucional que levou
- à destituição da Presidenta Dilma Rousseff em 2016,
- à prisão de Lula da Silva
- e à condução global da operação Lava-Jato
tem vindo a consolidar um regime de exceção que, à semelhança do que tem ocorrido noutros países, parece ocorrer em suposta normalidade democrática.
Sem mudar qualitativamente, o regime político tem vindo a acentuar os seus traços reacionários e autoritários. Tenho defendido que a democracia brasileira, já de si uma democracia de baixa intensidade, tem vindo a transformar-se numa democracia de baixíssima intensidade.
Isto significa que o caráter socialmente excludente e politicamente restritivo das liberdades democráticas se acentuou nos últimos tempos. Sem se transformar num regime ditatorial de tipo fascista, tem vindo a abrir espaço para
- forças políticas neofascistas,
- forças de extrema-direita que usam os instrumentos políticos que restam da democracia para fazer a apologia de práticas típicas da ditadura (apologia da tortura,
- justificação da violência extrajudicial contra populações pobres racializadas,
- retórica de violenta intolerância contra lideres políticos de esquerda, etc).
A face mais visível desta pulsão neofascista é Jair Bolsonaro, militar na reserva, deputado federal. Depois de Lula da Silva é o pre-candidato a Presidente da República mais bem posicionado nas sondagens.
Trata-se de
- um populista de extrema-direita
- tão mal preparado para dirigir o país
- e tão improvável como vencedor das eleições como era Donald Trump poucos meses antes das eleições nos EUA em 2016.
Outros traços do endurecimento do regime político referem-se ao modo como se tem acentuado o protagonismo do sistema judicial em detrimento do Legislativo e do Executivo e à consequente judicialização da política. O Judiciário
- é hoje no Brasil o fator principal da insegurança jurídica
- que atinge todos
- e sobretudo as grandes maiorias que mais precisariam de um sistema judicial acessível e comprometido com os objetivos constitucionais da defesa dos direitos civis, políticos, econômicos e sociais.
Este endurecimento não se pode explicar sem considerar o papel da crise econômica, uma crise de rentabilidade do capital que impôs o fim da política de conciliação de classes que os governos do PT e muito particularmente Lula da Silva, tinham vindo a defender e a praticar (o chamado lulismo ou lulapetismo).
As elites dominantes,
- com o apoio ativo do imperialismo norte-americano
- e do capital financeiro global,
- estimularam (quando não provocaram) a crise financeira e política do Estado
para impor uma versão mais agressiva
- do capitalismo, socialmente mais excludente
- e mais dependente da criação de populações descartáveis, na prática, sub-humanas,
por via
- do recrudescimento da dominação colonialista (racismo, extermínio de jovens negros, colonialismo interno, violência contra os que lutam pela terra e pelo território, sejam eles camponeses, povos indígenas e afro-descendentes, populações ribeirinhas e piscatórias)
- e da dominação patriarcal (aumento da violência contra as mulheres, tentativa de liquidação das conquistas pela igualdade e pelo reconhecimento da diferença dos anos mais recentes).
Esta foi a condição imposta pelas elites nacional e internacionalmente dominantes para não recorrer a um regime explicitamente ditatorial. Note-se que o contexto em que ocorreram os fascismos na Europa eram muito distintos.
Tratava-se então de conter um movimento operário muito militante e muito organizado ou de neutralizar o “perigo” comunista. As ameaças à dominação capitalista eram então percebidas como tendo uma dimensão existencial que não tem hoje. Pelo contrário, a dominação capitalista e colonialista parece hoje temer menos do que nunca possíveis inimigos.
Conseguiu, pelo menos aparentemente, uma hegemonia por via da qual o slogan das esquerdas dos anos de 1920 “socialismo ou barbárie” foi substituído pelo slogan “capitalismo ou barbárie”, ao mesmo tempo que as barbaridades cometidas pelo capitalismo
- se tornam cada vez mais evidentes e perigosas,
- atentatórias do mais elementar direito humano, o direito à vida,
- para nem sequer falar do direito à vida digna.
Dificuldades de construção de hegemonia tanto à direita como à esquerda
Historicamente, as forças políticas de direita sempre mostraram mais unidade nos momentos decisivos que as forças políticas de esquerda.
Frequentemente,
- nem sequer tiveram de se preocupar em detalhar as condições da sua unidade
- porque contaram sempre com um apoio surpreendente para a conquista ou manutenção do poder político:
- a divisão entre as forças de esquerda.
Esta assimetria não decorre
- de uma qualquer deformação intrínseca que impeça as esquerdas
- de fazer diagnósticos corretos nos “momentos decisivos”
- e de contabilizar as perspectivas do médio prazo nas urgências da auto-preservação no curto prazo.
Decorre antes de uma outra assimetria
- que é constitutiva das sociedades capitalistas e colonialistas em que vivemos
- desde que a opção (consensual) pelo regime político democrático
- deixou de poder contemplar a opção por um regime econômico alternativo ao capitalismo, o socialismo.
A partir de então,
- a direita, quando governa, detém o poder político, econômico e social,
- enquanto a esquerda, quando governa, detém o poder político mas não o poder econômico nem o poder social.
Esta assimetria permite à direita ter, em geral, mais certezas nos “momentos decisivos”, por exemplo, a de manter intacto o poder econômico e social mesmo quando se vê obrigada a perder o poder político.
Pelo contrário,
- as forças de esquerda tendem a sobrestimar o seu poder quando estão no governo (como se o poder político acarretasse, por si, o poder econômico e social)
- e a subestimá-lo quando estão na oposição (a perda do poder político é vista como perda total e convida a um refúgio em estratégias isolacionistas de sobrevivência partidária).
Este desequilíbrio é fator de confusão e miopia oportunista nos momentos em que seria mais importante a clarividência de objetivos estratégicos hierarquizados.
No Brasil,
- esta assimetria é hoje mais visível do que nunca
- embora se devam ter presentes os antecedentes que levaram ao suicídio de Getúlio Vargas em 1954
- e ao golpe militar dez anos depois.
Na crise que se instaurou depois das eleições de 2014, a direita esteve sempre mais unida que a esquerda.
No momento em que, devido à crise internacional, se apercebeu que o seu poder econômico estava em perigo, decidiu que, para o salvaguardar,
- seria preciso reconquistar em pleno o poder político,
- ou seja, pôr fim à política de alianças com os governos do Partido dos Trabalhadores que tinha mantido desde 2003.
Daí, o golpe institucional que levou
- ao impedimento da presidenta Dilma Rousseff,
- à prisão atrabiliária de Lula da Silva
- e ao desmantelamento rápido e agressivo das políticas mais emblemáticas do período anterior.
A facilidade com que a direita tirou do caminho o petismo mostra que o período anterior assentou num equívoco.
- O que para o PT era uma política de conciliação de classes mais ou menos duradoura,
- era para a direita uma mera política conjuntural de alianças.
- O ódio classista e racista que se propagou de imediato como gasolina incendiada é prova disso mesmo.
Mas também ficou evidente que a unidade das forças de direita
- era sobretudo uma unidade negativa,
- isto é, uma unidade para eliminar a presença do petismo da cena política.
A unidade para construir uma alternativa positiva (a configuração específica das relações entre o poder político, o poder econômico e o poder social) teria de ter outro ritmo, o ritmo do ciclo eleitoral de 2018.
Tomadas de surpresa (o que, em si, já é significativo),
- as forças de esquerda levaram algum tempo a reagir,
- tanto mais que já vinham divididas no que respeita à avaliação das políticas e das práticas da governação dos governos petistas.
No entanto,
- os “excessos” da contra-reforma
- facilitaram a emergência de uma unidade entre as forças de esquerda, também ela uma unidade negativa:
- o consenso no repúdio do ritual sacrificial de que foi vítima Lula da Silva
- e, consequentemente, o consenso na campanha do “Lula Livre”
- e na reivindicação do seu direito a ser candidato no ciclo eleitoral de 2018.
O ciclo eleitoral está a entrar na sua fase decisiva e as assimetrias anteriormente anotadas estão, de novo, bem presentes.
No que respeita à direita, muitos analistas salientam a falta de unidade positiva patente na ausência de um candidato óbvio à liderança política do próximo período político.
Em meu entender essa análise está equivocada.
- A aparente falta de unidade
- é uma armadilha bem urdida
- para garantir que no segundo turno das eleições presidenciais seja decidida entre dois candidatos de direita.
No momento em que isso ocorrer a direita saberá tornar claras as suas escolhas. A destruição do candidato rejeitado pode ser brutal.
A menos que as condições econômicas internacionais se deteriorem acentuadamente,
- optará por uma política conservadora sistêmica
- em detrimento de uma política de ultra-direita com uma pulsão anti-sistêmica.
Obviamente que não está garantido que esta estratégia resulte plenamente. As dinâmicas da política do ressentimento atualmente em vigor podem soltar os demônios do populismo de extrema direita. De todo o modo, esta solução garantirá o principal,
- a congruência mínima entre o poder político democrático de baixíssima intensidade
- e o poder econômico e social de cariz particularmente excludente e repressivo.
No que respeita às forças de esquerda, à medida que se intensifica a lógica eleitoral,
- a falta de unidade positiva (para garantir uma alternativa politica minimamente de esquerda)
- torna-se cada vez mais patente.
A lógica taticista de
- sobrevivência partidária a curto prazo domina
- e o paradoxo mais chocante a qualquer observador atento
- parece escapar às lideranças partidárias:
- o paradoxo de se apregoar a unidade das esquerdas no segundo turno
- e, ao mesmo tempo, fazer tudo para não haver candidatos de esquerda no segundo turno.
Neste domínio, a responsabilidade do PT é particularmente forte por ser o principal partido de esquerda e ter como pre-candidato o político mais adiantado nas sondagens, ainda que essa pre-candidatura não se possa eventualmente converter em candidatura. As assimetrias entre esquerda e direita que assinalei acima são agora particularmente dramáticas.
Se é verdade o que afirmei acima – que o que o PT viu como conciliação de classes era, para a direita, uma mera aliança política conjuntural – resulta particularmente incompreensível que se insista em políticas de aliança com as forças de direita que apoiaram o golpe institucional quando é evidente que não há agora quaisquer condições para a conciliação de classes, nem mesmo como ilusão credível.
Ou seja, as condições que permitiram ao PT ser a esquerda hegemônica no período anterior deixaram de existir.
- Faria, pois, sentido que a hegemonia fosse reconstruída sem alianças com a direita e, pelo contrário, com alianças construídas horizontalmente com outras forças de esquerda e centro-esquerda.
- Em vez disso, impera o taticismo da sobrevivência partidária no próximo ciclo político, mesmo que isso implique desperdiçar a oportunidade de eleger um Presidente da República que estanque a vertigem de exclusão e repressão que se abateu sobre as maiorias empobrecidas e racializadas.
Esta posição é, no entanto,
- mais complexa que o puro taticismo.
- Constitui o cerne da identidade política que Lula da Silva costurou para o PT nas últimas décadas.
O fato de estar agora preso faz com que Lula da Silva seja agora mais do que nunca o fiador dessa identidade. O pós-lulismo e o lulismo não podem coexistir. De algum modo,
- o PT está refém do Lula
- e o Lula está refém … do Lula.
Deve, no entanto salientar-se que
- Lula da Silva é um líder político de gênio.
- A partir de uma cela está a influenciar de maneira decisiva a condução da política brasileira.
Não é fácil encontrar na história contemporânea outro líder carismático que consiga ampliar a sua aceitação popular (subir de maneira tão espetacular nas sondagens) apesar de preso há vários meses e depois de uma campanha de demonização mediática e judicial sem precedentes. Diz certamente muito sobre Lula da Silva mas também revela algumas complexidades insondáveis da estrutura social brasileira e do modo como as mensagens mediáticas são recebidas pelo público a quem se destinam.
A aposta de Lula da Silva é a mais arriscada de todas as que fez até agora. Consiste
- em permanecer na disputa eleitoral o mais tempo possível
- e confiar que, no caso de ser declarado inelegível, haverá uma transferência massiva de votos para o candidato que ele indicar, certamente o candidato a vice-presidente na sua chapa, Fernando Haddad.
Provavelmente só assim se garantirá a presença de um candidato de esquerda no segundo turno. A hipótese mais segura de tal acontecer seria a de ter havido um entendimento entre Lula da Silva e Ciro Gomes (PDT), uma hipótese que foi descartada (definitivamente?).
Se a aposta de Lula tiver êxito,
- a direita vai ter de reavaliar a eficácia e os custos políticos do golpe institucional,
- uma vez que sem ele talvez assumisse o poder nestas eleições de maneira mais segura e limpa.
No caso de decidir não adulterar ainda mais o jogo democrático, terá certamente de investir tudo em agravar os custos políticos da reversão das leis (a contra-reforma) que entretanto conseguiu aprovar durante o interregno do golpe institucional.
- Se a aposta de Lula falhar e um candidato de direita for eleito,
- as classes populares vão ver ainda mais agravadas as suas condições de vida
- e com isso o gênio político de Lula não poderá deixar de ser questionado.
Seguir-se-ão intensas disputas no seio do PT e provavelmente algumas cisões. Abrir-se-á então o período pós-Lula. Em face disto, tudo indica que, com base no PT, não será possível, por agora, pensar numa renovação das forças de esquerda a partir de uma nova política de construção de hegemonia.
Fora da esquerda hegemonizada pelo PT, o PSOL está a construir uma alternativa junto com o movimento Vamos, oriundo da
- Frente Povo Sem Medo,
- o MTST (Movimento dos Trabalhadores sem Tecto),
- a APIB (Associação dos Povos Indígenas do Brasil)
- e o Partido Comunista Brasileiro (PCB).
Os candidatos à presidência da República são Guilherme Boulos (presidente) e Sonia Guajajara (vice-presidente). Esta candidatura
- aposta na renovação das esquerdas com base em novas lógicas
- de aliança e de articulação programática
- e com exclusão de alianças com as forças de direita.
Parece, pois, estar a tirar as conclusões corretas de tudo o que aconteceu nos últimos anos. No entanto, deve estar cada vez mais consciente que
- tal renovação só é pensável depois das eleições de 2018
- e a sua construção é totalmente contingente, na medida em que dependerá
- de resultados eleitorais, por agora imprevisíveis,
- e das consequências sociais que dele decorrerem.
No plano da contingência,
- deverá estar certamente incluída a possibilidade da criação de um novo partido,
- um partido que seja também um partido novo, um partido-movimento,
- construído internamente por mecanismos de democracia participativa
- para ser verdadeiramente novo e inovador no plano da democracia representativa.
Na base desse partido
- estarão eventualmente movimentos e organizações sociais,
- bem como setores mais movimentistas do PSOL
- e setores de esquerda do PT e de outros partidos.
Para esta aposta fazer sentido
- é preciso que o trabalho político de base das forças sociais e políticas de esquerda
- continue a ser possível no próximo ciclo político.
A ausência das ameaças ao capitalismo que existiam há cem anos parece indicar que se manterá o regime democrático mesmo que de baixíssima intensidade. Deve, no entanto, considerar-se uma incógnita perturbadora. Afinal o fascismo e o neofascismo têm razões que a razão desconhece.
https://outraspalavras.net/brasil/boaventura-o-brasil-diante-de-uma-escolha-dramatica/
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